Estádios do desenvolvimento segundo Piaget
Estádio sensório motor – 0 a 2 anos
Representa a conquista,através da percepção e dos movimentos, de todo o universo prático que cerca a criança.
Tem três estágios:O dos reflexos, o da organização das percepções e hábitos e o da inteligência sensoro motor propriamente dita.
• Construção de esquemas para assimilar o meio;
• Inteligência prática até o aparecimento da linguagem;
• Noções de tempo e espaço construídas pela ação;
• Contato com o meio direto e imediato;
• O sujeito não se conhece nem como fonte de suas ações;
• Começa a se conhecer como fonte de suas ações ou mesmo senhor de seus movimentos,fazendo uma reação circular onde o exercício em lugar de se repetir, incorpora novos elementos, constituindo com eles totalidades organizadas mais amplas, por diferenciações progressivas.Basta que os movimentos atinjam a um resultado interessante para que o sujeito reproduza logo esses movimentos.
• Tendências instintivas;
• Acontecem processos como construções de categorias o objeto e do espaço, da causalidade e do tempo,como ação pura e não como noções de pensamento.
Estádio pré-operatório - 2 a 7 anos
Desdobra-se em dois períodos:simbólico e intuitivo , suplementando a lógica pelo mecanismo da intuição.A característica das intuições primárias é a rigidez e a irreversibilidade.Acontecem novidades afetivas como o desenvolvimento dos sentimentos interindividuais,aparição dos sentimentos morais intuitivos e as regularizações de interesses e valores.
• Período simbólico, a função simbólica se manifesta sob formas distintas – imitação deferida,desenho,imagem mental,jogo simbólico,sonhos e devaneios;
• Pensamento egocêntrico,não é capaz de lidar com idéias diferentes das suas em relação a um determinado tema, permanece inconscientemente centralizado em si mesmo;
• Aparecimento da linguagem através da capacidade de pensar;
• Começa a representação da realidade;
• A socialização das ações,aparição do pensamento propriamente dito,tendo como base a linguagem interior e o sistema de signos;
• A criança não fala só as outras,fala-se a si própria em monólogos variados;
• Não aceita a idéia do acaso,fase dos “porquês”;
• Se deixa levar por aparências,sem relacionar fatos.
Estádio operatório concreto – 7 a 12 anos
Aqui as discussões tornam-se possíveis,porque comportam compreensão a respeito dos pontos de vista do adversário e procura de justificações ou provas para a afirmação própria.Ao coordenar as articulações e retroações chegam a uma reversibilidade suscetível de trazer retrospectivamente o curso do tempo e garantir a conservação dos pontos de partida.É a passagem da intuição a lógica.
• Conversão do egocentrismo primitivo, tornando-se capaz de novas coordenações, que serão da maior importância,tanto para a inteligência quanto para a afetividade.
• Para a inteligência trata-se do início da construção lógica;conquistas do pensamento de tempo,da causalidade,de conservação e esquemas gerais do pensamento;
• Explicações por identificação;
Estádio operatório formal – a partir de 11 a 12 anos
O sujeito terá à disposição instrumentos oriundos do plano das possibilidades, os quais permitem estabelecer relações entre teorias, produzindo nelas transformações. As construções operatório-formais oferecem “uma teoria das relações entre si. A inteligência operatório-formal, ao contrário, cria um mundo de possibilidades de cujo conjunto o real é apenas um setor limitado. O operatório-formal permite trabalhar com o pensamento hipotético-dedutivo e estabelecer relações entre diferentes teorias.
• As operações lógicas começam a ser transpostas do plano de manipulação concreta para o das idéias,expressas em linguagem qualquer mas sem o apoio da percepção,da experiência,nem mesmo da crença;
• Livre atividade da reflexão espontânea;
• Abstração;
• Idade metafísica:o eu é forte bastante para reconstruir o Universo e suficientemente grande para incorporá-lo;
• O adolescente graças a usa personalidade em formação,coloca-se em igualdade com seus mais velhos,mas sentindo-se outro,diferente deles,pela vida nova que o agita,quer transformar o mundo;
• O conhecimento ultrapassa o próprio real para inserir-se no possível e para relacionar diretamente o possível ao necessário sem a mediação indispensável do concreto.
Referências bibliográficas
• Piaget,Jean. Seis estudos de psicologia. Rio de Janeiro: Forense, 1986.
• ___________.A epistemologia genética.Rio de Janeiro:Vozes,1973.
• Elkind,David. Desenvolvimento e educação da criança.Rio de Janeiro:Zahar,1978.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
valores éticos
Temos capacidade por conta de nossa consciência para refletir diante de situações e conflitos como esse do professor que aparece no filme “O clube do imperador”, escolhendo uma opção após pesarmos bem nossas motivações pessoais e até que ponto é válido transgredirmos as regras pré-estabelecidas. Digo isso porque me vi no papel do professor,quantas vezes pensei em dar aquele “décimo” para completar uma nota e aprovar algum aluno com base na minha compreensão de que determinado aluno pelo seu esforço já seria merecedor.mas e os onde está a verdadeira aprendizagem desse aluno?E os outros que conseguiram alcançar os objetivos? No que contribuo para o crescimento de um aluno se o ajudo a vencer etapas em que ele não está realmente preparado para passar?A decisão do professor avaliada friamente, como manda a moral, embora carregada de boa intenção, na verdade não foi correta. O professor tomou sua decisão impelido pelo instinto,pelo sentimento e não pela razão.Faltou com a justiça em relação aos outros alunos que tanto esforçaram-se ,desconsiderando seu mérito em detrimento daquele aluno.Falhou na verdade quando escondeu sua decisão e alterou uma avaliação e aqui entra também a questão da honestidade.Agindo dessa forma não foi imparcial e tomou a defesa de um determinado aluno e analisando talvez o reflexo dessa decisão no caráter do aluno mas não percebeu que ele não tinha a dignidade necessariamente desenvolvida para prosseguir se esforçando.
terminologia em necessidades especiais
A discussão sobre a terminologia a ser empregada para denominar os alunos com necessidades educacionais especiais é importante e perpassa os documentos legais que tratam do assunto.É importante porque facilitará o trabalho para a inclusão desses alunos,auxiliando no direcionamento comum de esforços ao se definir quem realmente precisa de atendimento especializado.
Outra atitude valiosa é o estudo de como e de quais modificações e/ou ajustes é passível o currículo escolar para melhorar a educação especial.
A bem da verdade a educação especial está presente nas políticas públicas relacionadas á educação,mas de fato ainda está longe de ser algo concreto.Conheço escolas que inclusive tem cadeirantes e não tem ainda acesso para eles.A verba que é repassada a uma dessas escolas é de trezentos reais (segundo a diretora) e mal dá para a merenda.Os professores precisam compreender que a preparação para melhorar a inclusão dos alunos com necessidades especiais parte deles (de nós) mesmos e não está mais restrita á algum profissional específico ou mais “qualificado” para a função.
O acesso sob forma de matrícula está garantido e acontece realmente,o que ainda falta é melhor preparo das escolas para proporcionar aos alunos com necessidades educacionais especiais que se sintam inseridos,participantes e possam desenvolver plenamente suas capacidades.
A verba que vem do governo federal, por exemplo,na minha escola é utilizada para projetos que visam a maior aprovação e também a permanência dos alunos em turno integral na escola.Enquanto isso as salas de aula regulares vão dia após dia sofrendo com a pressão em que convivem alunos e professores.Os alunos por serem evidentemente excluídos,quer no trato, quer no aprendizado e os professores por não terem apoio nem condições de trabalharem para incluir os alunos com necessidades.Assim cotidianamente vivem uma rotina de inadequação e insatisfação,pois não tem condições para vivenciar o contrário.
Mas como destinar uma verba maior ou específica porcentagem desta para a melhoria das condições de permanência se não existem dados que comprovem o número expressivo de alunos com necessidades educacionais especiais nas escolas,pois não é feito um levantamento das matrículas desses alunos.Aqui volto ao tema inicial,a discussão acerca de quem pode ser considerado como aluno com necessidades educacionais especiais,no que as escolas ainda não o fazem,talvez por ser algo que cause polêmica e que não esteja bem definido,já que as próprias leis e documentos sobre a educação especial ainda usem termos diferentes ou sem uma adequada definição.
Outra atitude valiosa é o estudo de como e de quais modificações e/ou ajustes é passível o currículo escolar para melhorar a educação especial.
A bem da verdade a educação especial está presente nas políticas públicas relacionadas á educação,mas de fato ainda está longe de ser algo concreto.Conheço escolas que inclusive tem cadeirantes e não tem ainda acesso para eles.A verba que é repassada a uma dessas escolas é de trezentos reais (segundo a diretora) e mal dá para a merenda.Os professores precisam compreender que a preparação para melhorar a inclusão dos alunos com necessidades especiais parte deles (de nós) mesmos e não está mais restrita á algum profissional específico ou mais “qualificado” para a função.
O acesso sob forma de matrícula está garantido e acontece realmente,o que ainda falta é melhor preparo das escolas para proporcionar aos alunos com necessidades educacionais especiais que se sintam inseridos,participantes e possam desenvolver plenamente suas capacidades.
A verba que vem do governo federal, por exemplo,na minha escola é utilizada para projetos que visam a maior aprovação e também a permanência dos alunos em turno integral na escola.Enquanto isso as salas de aula regulares vão dia após dia sofrendo com a pressão em que convivem alunos e professores.Os alunos por serem evidentemente excluídos,quer no trato, quer no aprendizado e os professores por não terem apoio nem condições de trabalharem para incluir os alunos com necessidades.Assim cotidianamente vivem uma rotina de inadequação e insatisfação,pois não tem condições para vivenciar o contrário.
Mas como destinar uma verba maior ou específica porcentagem desta para a melhoria das condições de permanência se não existem dados que comprovem o número expressivo de alunos com necessidades educacionais especiais nas escolas,pois não é feito um levantamento das matrículas desses alunos.Aqui volto ao tema inicial,a discussão acerca de quem pode ser considerado como aluno com necessidades educacionais especiais,no que as escolas ainda não o fazem,talvez por ser algo que cause polêmica e que não esteja bem definido,já que as próprias leis e documentos sobre a educação especial ainda usem termos diferentes ou sem uma adequada definição.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
idade X desenvolvimento
Não creio que a idade seja um critério suficiente para determinar o período do desenvolvimento intelectual que uma criança se encontre.Concordo com David Elkind quando diz que o termo estágio,no uso empregado por Piaget ,designa um modo de comportamento numa seqüência necessária de comportamentos que está relacionada com a idade mas não é pó ela determinada. Mas existem fatores que podem interferir nesse desenvolvimento,dissociando suas características da idade própria.Por exemplo,deficiências e transtornos mentais,problemas psicológicos,emocionais ou do meio e até falta de estímulo.Em minha sala de aula tenho alguns alunos que não estão por exemplo no estágio acima citado,embora tenham entre oito e onze anos.
Cada criança é única e embora os estágios sirvam de referência para observarmos não são uma generalidade,no entanto nos permitem ao observarmos algo fora do desenvolvimento regular de cada estágio a auxiliar aqueles que estiverem precisando e trabalhar com suas capacidades e limitações.
Cada criança é única e embora os estágios sirvam de referência para observarmos não são uma generalidade,no entanto nos permitem ao observarmos algo fora do desenvolvimento regular de cada estágio a auxiliar aqueles que estiverem precisando e trabalhar com suas capacidades e limitações.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Garantido tanto pela LDBE – 96 como pela Resolução CNE/CEB – 2001 o serviço especializado é existente na escola,através da Sala de Recursos,mesmo os alunos com NE freqüentando a aula comum.Tem-se consciência da garantia em Lei de se poder fazer um currículo que contemple inclusive avaliações específicas para esses alunos,com métodos e técnicas de ensino apropriadas,porém, efetivamente não acontece.Os alunos freqüentando a classe comum são atendidos como os demais alunos e também assim avaliados.Esse ano percebo um grande avanço nesse sentido,no meu ponto de vista isso aconteceu porque a professora da SIR estava envolvida com o projeto “Mais educação” no ano passado,assim que chegou à escola.Esse ano tendo mais tempo e disponibilidade tem-se dedicado ao auxílio das professoras das séries iniciais no sentido de construir esses mecanismos de apoio aos alunos com NE,já que na escola por exemplo, temos uma turma com 19 alunos onde 12 foram diagnosticados (mesmo sem laudo médico) como especiais,já não estando distribuídos nas turmas e sim aglomerados na mesma sala .Também o caso de um aluno que coloquei no Dossiê,com 16 anos na quarta série e após várias repetências,esse ano foi encaminhado ao COPA,serviço de atendimento especializado aos portadores de NE.Esse é um dos órgãos que oferece educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística,intelectual ou psicomotora;assim como o CAZON.
Em conversa cotidiana com os colegas,posso concluir que não se sentem capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns,pelo contrário,sofrem a angústia de não saber o que fazer ou como agir,mas também não procuram fazer uso dos direitos assegurados na Leis.
A matrícula é garantida aos alunos com NE e isso realmente acontece na escola,até porque as vagas são via SEC,assim já chegam com a freqüência garantida.Realmente fica a critério da escola organizar-se para atender esses alunos,o que não acontece naturalmente.Essa organização tem sido lenta,posso dizer isso porque estou nessa escola há quinze anos e só agora vejo alguma atitude em prol dos alunos com NE,mas principalmente de tanto os professores pedirem auxílio e reclamarem.
Tem-se na escola também uma Sala de Altas Habilidades,que desenvolve um trabalho maravilhoso,porém não era muito bem aceita até então porque os professores consideram mais necessário o atendimento aos alunos com dificuldades de aprendizagem,que é em número muito maior,como já foi citado chegando às vezes a ser a maioria da turma.Então mesmo correndo riscos a SAH é utilizada para auxiliar nos desvios de comportamento também ,o que na escola acontece em grande proporção,principalmente na questão da violência.
Não se vê o apoio dos órgãos estaduais,nem municipais de saúde que deveriam por Lei estar dando assistência.Nos órgãos relacionados à saúde é muito difícil conseguir atendimento,nos postos de saúde,nos hospitais públicos os pais reclamam da demora e da espera por uma simples ficha muitas vezes de triagem.
A escola não tem alunos com deficiência mental ou com graves deficiências múltiplas,nem com necessidades especiais físicas.Não sei se por não haver no entorno ou por ignorância dos pais em seus direitos à escola.Mas a escola possui rampas de acesso nas passarelas,na entrada e nos banheiros e alguns desses são adaptados.
Em conversa cotidiana com os colegas,posso concluir que não se sentem capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns,pelo contrário,sofrem a angústia de não saber o que fazer ou como agir,mas também não procuram fazer uso dos direitos assegurados na Leis.
A matrícula é garantida aos alunos com NE e isso realmente acontece na escola,até porque as vagas são via SEC,assim já chegam com a freqüência garantida.Realmente fica a critério da escola organizar-se para atender esses alunos,o que não acontece naturalmente.Essa organização tem sido lenta,posso dizer isso porque estou nessa escola há quinze anos e só agora vejo alguma atitude em prol dos alunos com NE,mas principalmente de tanto os professores pedirem auxílio e reclamarem.
Tem-se na escola também uma Sala de Altas Habilidades,que desenvolve um trabalho maravilhoso,porém não era muito bem aceita até então porque os professores consideram mais necessário o atendimento aos alunos com dificuldades de aprendizagem,que é em número muito maior,como já foi citado chegando às vezes a ser a maioria da turma.Então mesmo correndo riscos a SAH é utilizada para auxiliar nos desvios de comportamento também ,o que na escola acontece em grande proporção,principalmente na questão da violência.
Não se vê o apoio dos órgãos estaduais,nem municipais de saúde que deveriam por Lei estar dando assistência.Nos órgãos relacionados à saúde é muito difícil conseguir atendimento,nos postos de saúde,nos hospitais públicos os pais reclamam da demora e da espera por uma simples ficha muitas vezes de triagem.
A escola não tem alunos com deficiência mental ou com graves deficiências múltiplas,nem com necessidades especiais físicas.Não sei se por não haver no entorno ou por ignorância dos pais em seus direitos à escola.Mas a escola possui rampas de acesso nas passarelas,na entrada e nos banheiros e alguns desses são adaptados.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Fórum pela Inclusão Escolar
Foi lendo o livro que foi elaborado a partir do Ciclo de Debates Inclusão Escolar:práticas e teorias,ciclo esse realizado em 2008 em Porto Alegre,que percebi as tentativas de nossa cidade em avançar na inclusão escolar.Foram criados os Laboratórios de Aprendizagem,as salas de Recurso,as Turmas de progressão,o sistema de ensino por ciclos,todos aplicações na tentativa de constituir uma escola verdadeiramente inclusiva.Quando o município se articulava nesse propósito o MEC propôs transformar as escolas especiais em centros de atendimento .Aí foi de suma importância à atuação da comunidade escolar envolvida na inclusão,através da realização de muitos encontros,passeatas,documentos e outras formas de contestação onde conseguiram reverter a proposta do MEC e retirar de seu texto de políticas para a educação especial a transformação das escolas em centros.Pelo que entendi foi a partir daí,que sentindo a necessidade de unir forças,de criar elos que surgiu o Fórum Municipal pela Inclusão Escolar,onde se discute o tema gerador e se troca experiências em busca de políticas que causem melhoria da inclusão nas escolas do município .O primeiro Fórum aconteceu ano passado,2008 com a participação de diferentes instituições e pessoas e após um Ciclo de Debates sobre a inclusão escolar.esse Fórum é composto pela Comissão de Educação,Cultura,Esporte e Juventude da Camara Municipal de porto Alegre (CECE),SMED,1ª CRE ,Associação de Trabalhadores em Educação (ATEMPA),Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência,representantes da Sala de Integração e Recursos (SIRs) da SMED,dos professores e pais dos alunos de Escolas Especiais.
São ações do Fórum pela Inclusão Escolar:reuniões mensais;organização do Ciclo de Debates e Encontro de Pais;propor,sistematizar e encaminhar as deliberações coletivas surgidas nos diferentes espaços de discussão.O Ciclo de Debates tem como proposição o diálogo e o aprofundamento teórico a respeito do inclusão de alunos com deficiência nas Escolas Regulares e Especiais.
Com o tema: Inclusão Escolar –Práticas e Teorias, o Ciclo se constituiu num conjunto de relatos de experiências ,considerações teóricas e debates entre os relatores e o público,num total de cinco encontros ao longo deste ano,todos sobre os desafios propostos pela Inclusão Escolar.
Forma feitos os seguintes relatos ,nessa ordem:
De professores que atum nas Salas de Integração e Recursos do Município de Porto Alegre e da Escola Regular,apontando as conquistas e dificuldades encontradas nesse processo.
Da Educação Infantil e da EJA também implicados com a inclusão escolar.
Das assessorias da SMED apresentando um pouco da trajetória e organização institucional.
As Escolas Especiais do Município,a Escola Bilíngüe e um representante do segmento de pais contribuíram com seus relatos,experiências e considerações sobre suas trajetórias ,alternativas e desafios para acolher e garantir atendimento aos seus alunos.
Os professores das Universidades contribuíram teoricamente aceitando o desafio de dialogar com os profissionais das diversas escolas ,suas famílias e todos os interessados.
Todos os relatos foram acompanhados por uma reflexão teórica proposta por um debatedor convidado.
“Desta forma fazemos um registro de um marco importante na história da educação em nossa cidade,pautados na ação e reflexão de práticas pedagógicas que fazem da diferença pontos de partida para a construção do conhecimento.” Rejane Caspani Dubois (coordenadora do Fórum pela Inclusão Escolar)
Referência bibliográfica:
Inclusão Escolar:práticas e teorias / organizadoras Isabel Letícia Medeiros,Salete Campos de Moraes & Magali Dias e Souza – Porto Alegre:Redes Editora,2008.
Foi lendo o livro que foi elaborado a partir do Ciclo de Debates Inclusão Escolar:práticas e teorias,ciclo esse realizado em 2008 em Porto Alegre,que percebi as tentativas de nossa cidade em avançar na inclusão escolar.Foram criados os Laboratórios de Aprendizagem,as salas de Recurso,as Turmas de progressão,o sistema de ensino por ciclos,todos aplicações na tentativa de constituir uma escola verdadeiramente inclusiva.Quando o município se articulava nesse propósito o MEC propôs transformar as escolas especiais em centros de atendimento .Aí foi de suma importância à atuação da comunidade escolar envolvida na inclusão,através da realização de muitos encontros,passeatas,documentos e outras formas de contestação onde conseguiram reverter a proposta do MEC e retirar de seu texto de políticas para a educação especial a transformação das escolas em centros.Pelo que entendi foi a partir daí,que sentindo a necessidade de unir forças,de criar elos que surgiu o Fórum Municipal pela Inclusão Escolar,onde se discute o tema gerador e se troca experiências em busca de políticas que causem melhoria da inclusão nas escolas do município .O primeiro Fórum aconteceu ano passado,2008 com a participação de diferentes instituições e pessoas e após um Ciclo de Debates sobre a inclusão escolar.esse Fórum é composto pela Comissão de Educação,Cultura,Esporte e Juventude da Camara Municipal de porto Alegre (CECE),SMED,1ª CRE ,Associação de Trabalhadores em Educação (ATEMPA),Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência,representantes da Sala de Integração e Recursos (SIRs) da SMED,dos professores e pais dos alunos de Escolas Especiais.
São ações do Fórum pela Inclusão Escolar:reuniões mensais;organização do Ciclo de Debates e Encontro de Pais;propor,sistematizar e encaminhar as deliberações coletivas surgidas nos diferentes espaços de discussão.O Ciclo de Debates tem como proposição o diálogo e o aprofundamento teórico a respeito do inclusão de alunos com deficiência nas Escolas Regulares e Especiais.
Com o tema: Inclusão Escolar –Práticas e Teorias, o Ciclo se constituiu num conjunto de relatos de experiências ,considerações teóricas e debates entre os relatores e o público,num total de cinco encontros ao longo deste ano,todos sobre os desafios propostos pela Inclusão Escolar.
Forma feitos os seguintes relatos ,nessa ordem:
De professores que atum nas Salas de Integração e Recursos do Município de Porto Alegre e da Escola Regular,apontando as conquistas e dificuldades encontradas nesse processo.
Da Educação Infantil e da EJA também implicados com a inclusão escolar.
Das assessorias da SMED apresentando um pouco da trajetória e organização institucional.
As Escolas Especiais do Município,a Escola Bilíngüe e um representante do segmento de pais contribuíram com seus relatos,experiências e considerações sobre suas trajetórias ,alternativas e desafios para acolher e garantir atendimento aos seus alunos.
Os professores das Universidades contribuíram teoricamente aceitando o desafio de dialogar com os profissionais das diversas escolas ,suas famílias e todos os interessados.
Todos os relatos foram acompanhados por uma reflexão teórica proposta por um debatedor convidado.
“Desta forma fazemos um registro de um marco importante na história da educação em nossa cidade,pautados na ação e reflexão de práticas pedagógicas que fazem da diferença pontos de partida para a construção do conhecimento.” Rejane Caspani Dubois (coordenadora do Fórum pela Inclusão Escolar)
Referência bibliográfica:
Inclusão Escolar:práticas e teorias / organizadoras Isabel Letícia Medeiros,Salete Campos de Moraes & Magali Dias e Souza – Porto Alegre:Redes Editora,2008.
sábado, 11 de abril de 2009
Pude perceber que todos nós temos uma preocupação em comum:garantir a aprendizagem dos alunos especiais.Ou seja,a lei existe mas não basta tê-la,ela só garante a inclusão e também não basta só a gente acolher essas crianças.No meu entendimento o ideal seria que nós trabalhássemos em conjunto com especialistas e tivéssemos recursos necessários.Mas o que sinto é que não temos apoio por parte da secretaria de educação,já que não vivemos uma política transparente ,em se tratando de nosso Estado.Nossas escolas estaduais,que é a realidade na qual atuo,não dispõem de autonomia suficiente para tomar atitudes em que possam definir as prioridades em relação à inclusão.Por exemplo quando se abriu uma sala de recursos na minha escola,achei que teríamos uma orientação e poderíamos juntos aprender a melhor forma de proporcionar aprendizagem aos alunos com necessidades especiais.Mas segundo a SEC para ter acompanhamento na Sala,o aluno precisa de um laudo.E mais uma vê digo:quem diz que os pais têm?Culpa deles?Então se vocês acham, isso tentem conseguir uma consulta num posto do SUS...Aí,sem laudos,a nossa escola,mesmo cheia de casos de inclusão teve a sua professora da sala de recursos dividida com outras escolas do entorno,nos sobrando pouquíssimo tempo para os nossos alunos.É uma completa incoerência.Acaba sendo muita carga emocional para um professor,afinal a gente sempre se envolve e quer fazer o melhor pelos alunos,esbarrando na burocracia entre outros fatores,que acabam impedindo que o que está garantido por lei,se torne efetivo.E ainda temos que ouvir que ou não temos boa vontade ou estamos com medo!
Um governo ou uma escola que dizem promover a inclusão e não destinam verbas a ajudas técnicas,à compra de materiais adequados ou a alterações arquitetônicas para criar acessibilidade não estão pensando em inclusão. Claudia Werneck
Um governo ou uma escola que dizem promover a inclusão e não destinam verbas a ajudas técnicas,à compra de materiais adequados ou a alterações arquitetônicas para criar acessibilidade não estão pensando em inclusão. Claudia Werneck
Novas concepções
dentificando epistemologias
A possibilidade de realizar o curso de pedagogia, na forma como este está sendo conduzido, leva-me a uma profissão mais reflexiva e consciente de suas responsabilidades.Lendo minhas respostas percebo nitidamente o crescimento que realizei ao longo desse percurso.Percebo também a importância de olhar para si mesmo,de questionamentos do tipo o que estou fazendo aqui,para que estou indo a escola hoje,amanhã...O que espero do meu aluno da forma como estou desenvolvendo meu trabalho...Conhecimento traduz idéia,informação,conhecer.Mas mais ainda vejo conhecimento como tomada de consciência,percepção de que algo existe e pode ser inserido em cada universo individual e/ou coletivo.Posso ainda considerar conhecimento como experiências,se delas nascerem novas informações e sempre nascerão pois a cada situação que se apresenta o sujeito encontra uma forma ou várias de resolvê-la.Mas não adquiridas e sim vivenciadas,na forma de experimentar,participar,estar envolvido.
A maioria dos professores acaba ensinando de forma muito parecida com aquela que aprendeu,mesmos métodos ou mesma forma de trabalho,muitas vezes não levando em conta as pessoas que estão ali,as diferentes diferenças culturais,sociais , familiares,de aprendizagem entre outras, que encontramos numa sala de aula,sem refletir em como está conduzindo seu trabalho.Sinceramente, acho difícil desenvolver um bom processo de ensino aprendizagem nas turmas que temos atualmente,onde encontramos mais de trinta alunos e muitos com necessidades especiais que precisariam de um atendimento mais adequado,onde se trabalha de uma única maneira para atender trinta ,quarenta formas tão diferentes de entender o mundo e de aprender.Digo isso porque vejo na minha turma essa situação.Aquilo que cada um traz como conhecimento prévio torna muito diversificado o conhecimento que se quer alcançar com a turma.Poderíamos então solicitar que uns auxiliassem os outros,num aprendizado coletivo e solidário?Logicamente,se os alunos trouxessem valores e limites de suas famílias que os orientassem nesse sentido.Porém o que vemos são famílias cada vez mais desestruturadas,sobrevivendo numa sociedade consumista e egoísta,que desvaloriza o saber em detrimento do ter.Delegam e até imputam à escola e ao professor,um papel que deveria ser da família.Lidar com as diferenças econômicas e sociais e com o “déficit cognitivo” não me parece o pior dos problemas,mas com a desvalorização da educação,a banalização da violência e a corrupção dos valores sim.
Não me considero atuante da epistemologia empirista,pois não sou autoritária,nem exijo silêncio integral.Porém acredito firmemente que a disciplina é fundamental em qualquer organização,sem disciplina não há progresso.No meu ponto de vista a atenção,a concentração são fatores necessários ao aprendizado.É preciso estar envolvido na situação apresentada para apropriar-se dela.Isso não acontecerá de forma repetitiva e maçante,sem nenhuma transformação ou novidade,obviamente.Como posso ignorar o conhecimento que meu aluno traz se é a partir e por meio dele que vamos ampliar esses conhecimentos?
Falo de disciplina,atenção,concentração porque não acredito num aprendizado sem direcionamento.Até para aprender a falar precisamos ouvir outras pessoas falarem,aprendemos os conhecimentos prévios com alguém,geralmente isso se processa na família.Por isso também muitas vezes a bagagem de nossos alunos nos choca tanto,nos angustia até.Um aluno meu juntamente com sua mãe e irmã,chutaram tanto a cadelinha deles,prenha,porque o animal havia matado uma pomba amarrada pela pata,que a cadelinha perdeu todos os filhotes.Questionei a atitude e a resposta foi simples,bateram nela porque ela fez algo que não devia.Quantos valores podemos perceber perdidos nessa situação?Como essa família soluciona seus problemas,que conhecimentos esse menino traz consigo para a escola,para o convívio com os demais,como se processa seu aprendizado,o que tudo isso opera nas suas atitudes na escola?Vamos testar a teoria apriorista e deixar esse menino,aprendendo por si mesmo,sem direcioná-lo,sem levá-lo a uma reflexão,a novos conhecimentos e opções de ser cidadão? Aqui é de suma importância avaliar o fato,os conhecimentos apresentados,a bagagem desse menino e principalmente a partir daí levá-lo a uma reflexão,que o possibilite novas opções de resolver seus problemas. “A consciência é, segundo Piaget, construída pelo próprio sujeito na medida em que ele dá coordenação de suas ações,(Becker)”.
Sempre coloco em meus trabalhos aqui do curso que fico muito feliz ao refletir sobre minhas atuações nesses anos de magistério, porque percebo que minha profissão é um dom,mesmo agindo por intuição na maioria das vezes acertei.Mas essa intuição vem de minha bagagem,também de valores que aprendi em minha família e com meus professores na escola.Melhorei muito estudando e pretendo melhorar ainda,aprimorar-me,aperfeiçoar-me,mas minha satisfação está em perceber que estou no caminho certo.Sempre tive comigo que o aluno não é estanque,algo vazio que eu “detentora do saber” daria a honra de preencher.É preciso encontrar meios de levá-los a refletir,a exercitar o cérebro como costumo brincar com eles,interagindo com as situações apresentadas,afinal são capazes de aprender sempre.Cada ano que inicia,busco conhecer o meio que vivem meus alunos,mesmo sendo quase todos da vila,não são iguais suas bagagens,as famílias apresentam muitas diferenciações em suas crenças,histórias de vida,culturas e até em valores.A partir daí começo a construir minha proposta de trabalho,aprendo a forma de falar,algumas expressões,atitudes,até hábitos de vestir e cortes de cabelo tem significado e representam códigos,tem simbolismos e importâncias que se a gente não conhece,não entende.E se não entende não aceita e não consegue conviver,orientar e conduzir o aprendizado,a aula e o crescimento reflexivo dos alunos.Não tratar os hábitos culturais ou a forma de vida deles como algo feio,sujo,sem valor ou menosprezível,como se só meu modelo de vida fosse o ideal,ou seja, respeitando.Porque eu quero que eles pensem no que estão fazendo,porque estão fazendo se é essa a melhor e única maneira de agir e de que forma essas atitudes atingem nosso coletivo,e ate onde esse coletivo tem significância em nossa vida.Permito-me agir assim e não perder de vista os conteúdos programáticos,não é fácil mas não é impossível.Ainda tenho mais dez anos pela frente em sala de aula antes de me aposentar se nada diferente ocorrer.Então preciso me adaptar a essa nova realidade,questionar os rumos da sociedade junto com os alunos,até que ponto é essa trajetória que queremos,onde queremos chegar agindo assim,como será nosso futuro com esse presente que construímos dia-dia,o que realmente importa para nosso crescimento enquanto pessoas? Não adianta ficar só na angústia,reclamando e esbravejando contra o sistema.
Por todos esses argumentos me considero uma atuante da pedagogia relacional,legitimada pelo construtivismo,que no decurso das atividades consegui ampliar minha compreensão de conhecimento e aprendizagem.
A possibilidade de realizar o curso de pedagogia, na forma como este está sendo conduzido, leva-me a uma profissão mais reflexiva e consciente de suas responsabilidades.Lendo minhas respostas percebo nitidamente o crescimento que realizei ao longo desse percurso.Percebo também a importância de olhar para si mesmo,de questionamentos do tipo o que estou fazendo aqui,para que estou indo a escola hoje,amanhã...O que espero do meu aluno da forma como estou desenvolvendo meu trabalho...Conhecimento traduz idéia,informação,conhecer.Mas mais ainda vejo conhecimento como tomada de consciência,percepção de que algo existe e pode ser inserido em cada universo individual e/ou coletivo.Posso ainda considerar conhecimento como experiências,se delas nascerem novas informações e sempre nascerão pois a cada situação que se apresenta o sujeito encontra uma forma ou várias de resolvê-la.Mas não adquiridas e sim vivenciadas,na forma de experimentar,participar,estar envolvido.
A maioria dos professores acaba ensinando de forma muito parecida com aquela que aprendeu,mesmos métodos ou mesma forma de trabalho,muitas vezes não levando em conta as pessoas que estão ali,as diferentes diferenças culturais,sociais , familiares,de aprendizagem entre outras, que encontramos numa sala de aula,sem refletir em como está conduzindo seu trabalho.Sinceramente, acho difícil desenvolver um bom processo de ensino aprendizagem nas turmas que temos atualmente,onde encontramos mais de trinta alunos e muitos com necessidades especiais que precisariam de um atendimento mais adequado,onde se trabalha de uma única maneira para atender trinta ,quarenta formas tão diferentes de entender o mundo e de aprender.Digo isso porque vejo na minha turma essa situação.Aquilo que cada um traz como conhecimento prévio torna muito diversificado o conhecimento que se quer alcançar com a turma.Poderíamos então solicitar que uns auxiliassem os outros,num aprendizado coletivo e solidário?Logicamente,se os alunos trouxessem valores e limites de suas famílias que os orientassem nesse sentido.Porém o que vemos são famílias cada vez mais desestruturadas,sobrevivendo numa sociedade consumista e egoísta,que desvaloriza o saber em detrimento do ter.Delegam e até imputam à escola e ao professor,um papel que deveria ser da família.Lidar com as diferenças econômicas e sociais e com o “déficit cognitivo” não me parece o pior dos problemas,mas com a desvalorização da educação,a banalização da violência e a corrupção dos valores sim.
Não me considero atuante da epistemologia empirista,pois não sou autoritária,nem exijo silêncio integral.Porém acredito firmemente que a disciplina é fundamental em qualquer organização,sem disciplina não há progresso.No meu ponto de vista a atenção,a concentração são fatores necessários ao aprendizado.É preciso estar envolvido na situação apresentada para apropriar-se dela.Isso não acontecerá de forma repetitiva e maçante,sem nenhuma transformação ou novidade,obviamente.Como posso ignorar o conhecimento que meu aluno traz se é a partir e por meio dele que vamos ampliar esses conhecimentos?
Falo de disciplina,atenção,concentração porque não acredito num aprendizado sem direcionamento.Até para aprender a falar precisamos ouvir outras pessoas falarem,aprendemos os conhecimentos prévios com alguém,geralmente isso se processa na família.Por isso também muitas vezes a bagagem de nossos alunos nos choca tanto,nos angustia até.Um aluno meu juntamente com sua mãe e irmã,chutaram tanto a cadelinha deles,prenha,porque o animal havia matado uma pomba amarrada pela pata,que a cadelinha perdeu todos os filhotes.Questionei a atitude e a resposta foi simples,bateram nela porque ela fez algo que não devia.Quantos valores podemos perceber perdidos nessa situação?Como essa família soluciona seus problemas,que conhecimentos esse menino traz consigo para a escola,para o convívio com os demais,como se processa seu aprendizado,o que tudo isso opera nas suas atitudes na escola?Vamos testar a teoria apriorista e deixar esse menino,aprendendo por si mesmo,sem direcioná-lo,sem levá-lo a uma reflexão,a novos conhecimentos e opções de ser cidadão? Aqui é de suma importância avaliar o fato,os conhecimentos apresentados,a bagagem desse menino e principalmente a partir daí levá-lo a uma reflexão,que o possibilite novas opções de resolver seus problemas. “A consciência é, segundo Piaget, construída pelo próprio sujeito na medida em que ele dá coordenação de suas ações,(Becker)”.
Sempre coloco em meus trabalhos aqui do curso que fico muito feliz ao refletir sobre minhas atuações nesses anos de magistério, porque percebo que minha profissão é um dom,mesmo agindo por intuição na maioria das vezes acertei.Mas essa intuição vem de minha bagagem,também de valores que aprendi em minha família e com meus professores na escola.Melhorei muito estudando e pretendo melhorar ainda,aprimorar-me,aperfeiçoar-me,mas minha satisfação está em perceber que estou no caminho certo.Sempre tive comigo que o aluno não é estanque,algo vazio que eu “detentora do saber” daria a honra de preencher.É preciso encontrar meios de levá-los a refletir,a exercitar o cérebro como costumo brincar com eles,interagindo com as situações apresentadas,afinal são capazes de aprender sempre.Cada ano que inicia,busco conhecer o meio que vivem meus alunos,mesmo sendo quase todos da vila,não são iguais suas bagagens,as famílias apresentam muitas diferenciações em suas crenças,histórias de vida,culturas e até em valores.A partir daí começo a construir minha proposta de trabalho,aprendo a forma de falar,algumas expressões,atitudes,até hábitos de vestir e cortes de cabelo tem significado e representam códigos,tem simbolismos e importâncias que se a gente não conhece,não entende.E se não entende não aceita e não consegue conviver,orientar e conduzir o aprendizado,a aula e o crescimento reflexivo dos alunos.Não tratar os hábitos culturais ou a forma de vida deles como algo feio,sujo,sem valor ou menosprezível,como se só meu modelo de vida fosse o ideal,ou seja, respeitando.Porque eu quero que eles pensem no que estão fazendo,porque estão fazendo se é essa a melhor e única maneira de agir e de que forma essas atitudes atingem nosso coletivo,e ate onde esse coletivo tem significância em nossa vida.Permito-me agir assim e não perder de vista os conteúdos programáticos,não é fácil mas não é impossível.Ainda tenho mais dez anos pela frente em sala de aula antes de me aposentar se nada diferente ocorrer.Então preciso me adaptar a essa nova realidade,questionar os rumos da sociedade junto com os alunos,até que ponto é essa trajetória que queremos,onde queremos chegar agindo assim,como será nosso futuro com esse presente que construímos dia-dia,o que realmente importa para nosso crescimento enquanto pessoas? Não adianta ficar só na angústia,reclamando e esbravejando contra o sistema.
Por todos esses argumentos me considero uma atuante da pedagogia relacional,legitimada pelo construtivismo,que no decurso das atividades consegui ampliar minha compreensão de conhecimento e aprendizagem.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Educação de qualidade?
Lendo o texto sugerido,não pude deixar de pensar como até hoje a sociedade acredita que o ensino oferecido pelas redes particulares é de melhor qualidade que o das redes públicas.É fácil entender porque,se na história da nossa educação o ensino particular sempre foi sustentado e direcionado para que o filho dessa sociedade mais economicamente privilegiada tivesse melhores condições de sucesso na vida.Assim criou-se uma cultura de que quem freqüenta escolas particulares está mais bem preparado para a vida que os demais.Isso acontece mais notoriamente nos vestibulares.Quem consegue passar num concurso de universidades públicas,gratuitas,na sua maioria são pessoas que puderam cursar uma escola particular,não precisaram trabalhar e portanto têm mais tempo para preparar-se para e também tiveram condições de freqüentar um curso preparatório.Aqui podemos ver também a influência da igreja não só na história do Brasil como um todo,mas principalmente de sua educação.Mas é preciso analisar porque a rede pública causa essa impressão,de quem tem menos estrutura ou oferece menos qualidade em seu ensino.Chamou-me a atenção o fato de que a educação em sua estrutura depende da condição econômica de seu estado.Mas o RS é com certeza um estado muito bem desenvolvido,temos recursos para garantir uma educação de qualidade,além daqueles que advém da União,a questão é se estão esses recursos sendo devidamente aplicados.
gestão democratica
Para falarmos em gestão democrática escolar é preciso refletir sobre a concepção de democracia que trazemos conosco.A principio pode parecer algo concluído,completo,como se fosse algo estanque.mas a democracia é um processo constante,que acontece gradativa e coletivamente.Depende principalmente da participação efetiva das pessoas enquanto grupo social e organizacional.Assim,estendendo essas noções à escola torna-se mais claro o processo de gestão democrática.Acredito que essa seja a expressão mais adequada para esse processo.
É preciso no entanto para que isso aconteça que a comunidade escolar,com todos seus atores,participe na tomada de decisões,ocupe seus espaços de direito,haja visto quer no sistema educacional que atuamos,esses espaços existem.A presença dessa comunidade,buscando conhecer a escola,estabelecer prioridades e reais necessidades,até pedagógicas,discutindo os problemas e buscando soluções é primordial para o exercício democrático,que depende de ações mediadoras entre a sociedade e a escola.Toda essa reflexão,participação e atuação não significam que os grupos chegarão logo a um consenso.É certo que haverá conflitos,oriundos das diferentes formas de ver,pensar e entender o mundo e afirma como cada um melhor entende como solução.Mas por ser um processo em desenvolvimento constante,quanto mais exercitarmos a democracia e a participação mais nós aprendemos.Ou seja “aprendemos fazendo”,ouvindo com o coração e a mente abertos às opiniões divergentes e diferentes da nossa,num processo progressivo.
É preciso no entanto para que isso aconteça que a comunidade escolar,com todos seus atores,participe na tomada de decisões,ocupe seus espaços de direito,haja visto quer no sistema educacional que atuamos,esses espaços existem.A presença dessa comunidade,buscando conhecer a escola,estabelecer prioridades e reais necessidades,até pedagógicas,discutindo os problemas e buscando soluções é primordial para o exercício democrático,que depende de ações mediadoras entre a sociedade e a escola.Toda essa reflexão,participação e atuação não significam que os grupos chegarão logo a um consenso.É certo que haverá conflitos,oriundos das diferentes formas de ver,pensar e entender o mundo e afirma como cada um melhor entende como solução.Mas por ser um processo em desenvolvimento constante,quanto mais exercitarmos a democracia e a participação mais nós aprendemos.Ou seja “aprendemos fazendo”,ouvindo com o coração e a mente abertos às opiniões divergentes e diferentes da nossa,num processo progressivo.
realidade,crítica e reflexão
Percebo que instrumentos e caminhos para uma melhor qualidade de ensino,para desenvolver planos de trabalho que direcionem a escola na busca de uma melhor qualidade de vida individual e social para os educandos existem.Mesmo em meio a disputas políticas e de poder,os meios são oferecidos.Precisamos sim estar sempre atualizados,informados,atentos.Não recrimino minhas colegas,pois até bem antes de começar esse curso nem eu tinha noção de todos esses assuntos e opções.Porém,o que me entristece é que muitos não têm vontade de renovar,de mudar e de investir por exemplo,em temas de interesse geral e que poderiam aproximar mais os alunos a escola como os temas transversais,que possibilitariam uma melhor compreensão dos assuntos quando trabalhados de forma interdisciplinar.Ou por que estão em final de carreira,muito cansados,os alunos não merecem,o salário é pouco,perderam as esperanças,entre outras alegações.Assim fica bastante difícil nos apropriarmos desses instrumentos e colocá-los em prática efetiva e útil,não apenas para cumprir resoluções e ordens.Espero ainda poder,em algum, tempo contribuir para que essas reformas e transformações tão necessárias aconteçam em minha escola,porém sei que não é uma realidade só nossa, e que muitas senão a maioria das escolas estaduais funciona e segue assim,alienatóriamente.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
^Pensando sobra a profissão...
Sou professora nomeada para 20 horas da rede estadual de ensino há 15 anos com uma convocação por tempo indeterminado para 20 horas há quatro anos e trabalho numa escola da rede urbana.Sempre ansiei voltar a estudar,fazer um curso que melhorasse e porque não facilitasse meu trabalho através dos conhecimentos adquiríveis.Tenho alcançado meus objetivos nesse curso de PEAD,minhas tarefas tem sido mais prazerosas e criativas,bem como enquanto pessoa me percebo mais paciente,dedicada e generosa.Sempre procuro fazer a relação entre a teoria e a prática,tarefa que aliás é sempre solicitada nas atividades do curso.No que diz respeito à compreensão do universos dos educandos é muito satisfatório entender melhor e saber que caminhos pode-se seguir numa prática efetiva de ensino aprendizagem que talvez até agora fazia com a base que tive no curso de magistério da qual pouca coisa lembra-me.Porém quando confronto essa teoria com a realidade de minha escola e até da educação no estado do Rs,é deprimente.Que autonomia é essa que só existe no papel?Para adquiri qualquer coisa para a escola,até um simples reparo são exigidos 3 orçamentos e CNPJ.Devido às demoras em receber as verbas públicas as empresas que podem fazer esses serviços já não querem,continuando a escola,pelo menos a minha em situação precária fisicamente.Na minha escola está tudo precisando de concerto,inclusive uma parede do segundo piso onde é minha sala,está rachando e chove dentro como fora na da minha colega.A reclamação foi feita há 3 anos e até agora nada foi feito.A minha sala com auxílio dos pais e dos alunos,reformei toda,pintei por dentro,fiz pátina na porta e nos armários,coloquei cortinas,fiz estantes para os livros.E os alunos reclamam porque o servente nunca limpa.Temos uma sala com 8 computadores guardados há mais de ano,sem ser usados.A biblioteca funciona duas vezes por semana quando a professora vai é claro.Agora com o programa Mais Educação estão sendo feitas algumas aquisições e pequenos reparos que tem beneficiado a toda escola.E recebemos uma verba do PDE que nem conseguimos ver como e onde aplicar,porque chegou tudo junto e em meio as minhas 60 horas e das colegas da comissão do PDE não nos sobra tempo para analisar os projetos e priorizar as compras.Devido a essa demora recebemos uma “chamada” da SEC porque ainda não gastamos o dinheiro.E esse é só um dos aspectos que posso citar.Quando fiz o trabalho da teoria de Marx,nossa,fiquei muito triste.Há quantos anos as pessoas percebem,convivem e aceitam a desvalorização da educação e do profissional da mesma?Há quanto tempo servimos todos a interesses políticos?Não temos tempo pra nada realmente,nem para lazer nem para cuidar de nossa própria casa muitas vezes,então falar em fazer um curso ou aprimorar é hilário no mínimo.E ainda entra a questão do “direito à carga horária” do aluno,referendando que é mais importante à quantidade do que a qualidade.Esse curso a distância está sendo a melhor solução para mim, e quando mostro as leituras e trabalhos minhas colegas ficam surpresas pois sempre tiveram a idéia de que seria muito mais fácil do que um curso presencial.Tratamos de assuntos que muitas delas em seus cursos não vivenciaram.Quanto a apoio ,temos uma orientadora que vem de vez em quando,não podemos contar sempre e que fica repetindo que esqueceu o que dissemos,e que só diz que não vê a hora de aposentar-se...A relação entre a direção acontece de forma autoritária e ameaçadora, sempre conduzindo pela pressão e amedrontamento.Os pais poucos participam,as famílias em sua maioria são negligentes ou miseráveis,na maioria dos casos a s duas coisas e muitos alunos só vão para escola porque são obrigados se não os pais perdem o Bolsa Escola.Muitos não vêm nem para buscar o boletim.Assim é óbvio que os conselhos e outros afins sejam meramente figurativos,com pessoas da confiança da direção,que só assinam papéis.Dessa forma acho desnecessário dizer o que penso da minha remuneração ser justa ou não.Acredito que faço muito mais do que recebo,vivo na lei do mais valia,porém meu produto não tem valor comercializável.Meu salário está dentro do valor mínimo apresentado,com as vantagens.Tirando-as não chega a isso.Sem contar o tira e põe dos nossos vale refeição,transporte e outros que recebemos e estornam.Não sou sindicalizada e não acredito pelo que vejo que me sirva para algo,serve sim a interesses políticos.Bem me lembro de nossa Secretária de Educação batendo sineta pelos nossos direitos...
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Marx e a educação
“Esperar da sociedade mercantilizada a promulgação ativa – ou mesmo a mera tolerância – de um mandato às suas instituições de educação formal que as convidasse a abraçar plenamente a grande tarefa histórica do nosso tempo: ou seja, a tarefa de romper com a lógica do capital no interesse da sobrevivência humana, seria um milagre monumental. É por isso que, também no domínio educacional, os remédios 'não podem ser formais; eles devem ser essenciais ". Por outras palavras, eles devem abarcar a totalidade das práticas educacionais da sociedade estabelecida.”Mészáros
Bastante atrasada,sem internet,mas vamos lá...
Li todas as postagens das colegas,mas após ter feito uma breve síntese do que mais me marcou ao ler sobre Marx não foi surpresa encontrar pontos em comum,que nos causam inquietações e aflição,já que somos muito críticos.Não pude assim,deixar de me ver dentro do contexto ideológico fundamental da corrente marxista,bem como alguns colegas.Quando estou aqui,na sala de aula,com meus trinta alunos e tentando reler com atenção as partes que grifei sobre o material proposto para poder elaborar minha atividade,é que me sinto oprimida por esse sistema capitalista.Não tenho alternativa,preciso trabalhar essas sessenta horas e quero fazer esse curso.Não seria mais digno e humano trabalhar somente vinte horas sobrando-me assim tempo para dedicar-me a outras tarefas que me permitissem o desenvolvimento de outras áreas?Quando digo que “preciso” vejo nessa afirmação o que Marx dizia sobre a mais-valia ,afinal mesmo não sendo uma operária de fábrica,sou uma assalariada e estou produzindo mais para meu “patrão” do que o meu próprio custo para a sociedade,já que a educação que é oferecida gratuitamente sai também do meu salário,em forma de impostos,isso sem falar dos diversos “bolsa” que o Governo federal oferece.Acho que o que recebo por 60 horas deveria ser pago por 20 horas assim cobrindo minhas despesas de sobrevivência e deixando-me tempo livre para dispor como quisesse.
Ainda me vejo lutando contra a alienação promovida pelo capitalismo,sendo que meu trabalho tornou-se uma mercadoria,que exige cada vez mais tempo dedicado a ele,mas com menos qualidade e produtividade.
Nas palavras de Mészáros “ até as mais nobres utopias educacionais, formuladas no passado a partir do ponto de vista do capital, tiveram que permanecer estritamente dentro dos limites da perpetuação do domínio do capital como um modo de reprodução social metabólica”.
Então “quem educa os educadores” ?se esses não podem dispor de tempo livre nem para isso? Com um salário que não supre as necessidades básicas somos forçados à sobrecarga de trabalho,em condições desumanas,sem apoio de recursos materiais nem muitas vezes dos setores pedagógicos,cada vez mais extintos nas escolas.Como eu posso educar para promover a transformação social,base utópica que conduz muitos educadores a continuarem perseverando em seus propósitos,se eu não consigo nem como classe trabalhadora,mudar a minha própria condição de trabalho? Para melhorar um pouco (e bem pouco) meu salário precisaria atualizar-me,aprimorar meus conhecimentos,ESTUDAR! Mas que tempo resta para que eu possa buscar esSa qualificação?As madrugadas de estafa e cansaço onde não se aplica a mesma qualidade,vontade e disposição?
Mais uma vez cito Mészáros: “é isto o que acontece mesmo quando um reformador social e educacional iluminado, que honestamente tenta remediar os efeitos alienantes e desumanizantes do "poder do dinheiro" e da "procura do lucro" que ele deplora, não pode escapar ao colete-de-força auto-imposto das determinações causais do capital”.
Desculpem o desabafo,culpado disso é Karl Marx!!!
Mas li bastante a respeito do trabalho infantil e suas implicações na tangência do desenvolvimento humano,concordo,realmente há uma regulamentação relativa à idade e a jornada de trabalho que denotam a uma evolução na busca da humanização apregoada por Marx.Hoje já não lidamos só com os filhos dos proletários para quem Marx buscava uma sociedade mais igualitária,porque esses filhos tinham pais trabalhadores e ajudavam no sustento de suas famílias.Hoje temos a herança do avanço de tecnologia,do crescimento populacional desenfreado e conseqüente desemprego.Ainda Mészáros :“o papel da educação é supremo tanto para a elaboração de estratégias apropriadas, adequadas a mudar as condições objetivas de reprodução, como para a automudança consciente dos indivíduos chamados a concretizar a criação de uma ordem social metabólica radicalmente diferente. É isto que se quer dizer com a visão de uma "sociedade de produtores livremente associados". Portanto, não é surpreendente que na concepção marxista a "transcendência positiva da auto-alienação do trabalho" seja caracterizada como uma tarefa inequivocamente educacional.”
Bastante atrasada,sem internet,mas vamos lá...
Li todas as postagens das colegas,mas após ter feito uma breve síntese do que mais me marcou ao ler sobre Marx não foi surpresa encontrar pontos em comum,que nos causam inquietações e aflição,já que somos muito críticos.Não pude assim,deixar de me ver dentro do contexto ideológico fundamental da corrente marxista,bem como alguns colegas.Quando estou aqui,na sala de aula,com meus trinta alunos e tentando reler com atenção as partes que grifei sobre o material proposto para poder elaborar minha atividade,é que me sinto oprimida por esse sistema capitalista.Não tenho alternativa,preciso trabalhar essas sessenta horas e quero fazer esse curso.Não seria mais digno e humano trabalhar somente vinte horas sobrando-me assim tempo para dedicar-me a outras tarefas que me permitissem o desenvolvimento de outras áreas?Quando digo que “preciso” vejo nessa afirmação o que Marx dizia sobre a mais-valia ,afinal mesmo não sendo uma operária de fábrica,sou uma assalariada e estou produzindo mais para meu “patrão” do que o meu próprio custo para a sociedade,já que a educação que é oferecida gratuitamente sai também do meu salário,em forma de impostos,isso sem falar dos diversos “bolsa” que o Governo federal oferece.Acho que o que recebo por 60 horas deveria ser pago por 20 horas assim cobrindo minhas despesas de sobrevivência e deixando-me tempo livre para dispor como quisesse.
Ainda me vejo lutando contra a alienação promovida pelo capitalismo,sendo que meu trabalho tornou-se uma mercadoria,que exige cada vez mais tempo dedicado a ele,mas com menos qualidade e produtividade.
Nas palavras de Mészáros “ até as mais nobres utopias educacionais, formuladas no passado a partir do ponto de vista do capital, tiveram que permanecer estritamente dentro dos limites da perpetuação do domínio do capital como um modo de reprodução social metabólica”.
Então “quem educa os educadores” ?se esses não podem dispor de tempo livre nem para isso? Com um salário que não supre as necessidades básicas somos forçados à sobrecarga de trabalho,em condições desumanas,sem apoio de recursos materiais nem muitas vezes dos setores pedagógicos,cada vez mais extintos nas escolas.Como eu posso educar para promover a transformação social,base utópica que conduz muitos educadores a continuarem perseverando em seus propósitos,se eu não consigo nem como classe trabalhadora,mudar a minha própria condição de trabalho? Para melhorar um pouco (e bem pouco) meu salário precisaria atualizar-me,aprimorar meus conhecimentos,ESTUDAR! Mas que tempo resta para que eu possa buscar esSa qualificação?As madrugadas de estafa e cansaço onde não se aplica a mesma qualidade,vontade e disposição?
Mais uma vez cito Mészáros: “é isto o que acontece mesmo quando um reformador social e educacional iluminado, que honestamente tenta remediar os efeitos alienantes e desumanizantes do "poder do dinheiro" e da "procura do lucro" que ele deplora, não pode escapar ao colete-de-força auto-imposto das determinações causais do capital”.
Desculpem o desabafo,culpado disso é Karl Marx!!!
Mas li bastante a respeito do trabalho infantil e suas implicações na tangência do desenvolvimento humano,concordo,realmente há uma regulamentação relativa à idade e a jornada de trabalho que denotam a uma evolução na busca da humanização apregoada por Marx.Hoje já não lidamos só com os filhos dos proletários para quem Marx buscava uma sociedade mais igualitária,porque esses filhos tinham pais trabalhadores e ajudavam no sustento de suas famílias.Hoje temos a herança do avanço de tecnologia,do crescimento populacional desenfreado e conseqüente desemprego.Ainda Mészáros :“o papel da educação é supremo tanto para a elaboração de estratégias apropriadas, adequadas a mudar as condições objetivas de reprodução, como para a automudança consciente dos indivíduos chamados a concretizar a criação de uma ordem social metabólica radicalmente diferente. É isto que se quer dizer com a visão de uma "sociedade de produtores livremente associados". Portanto, não é surpreendente que na concepção marxista a "transcendência positiva da auto-alienação do trabalho" seja caracterizada como uma tarefa inequivocamente educacional.”
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
inclusão , aprendendo
COMPORTAMENTOS INCLUSIVOS
DIANTE DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
Romeu Kazumi Sassaki
São Paulo, dezembro de 2005
Evidências no dia-a-dia nos mostram que existe um interesse, cada vez mais generalizado dentro da população, em conhecer e relacionar-se corretamente com as pessoas que têm uma deficiência.
Palestras, cursos, campanhas, livros, folhetos, revistas – em todas as partes da sociedade constatamos mensagens escritas, faladas, desenhadas e dramatizadas ensinando as formas corretas de se interagir com pessoas cuja deficiência é bastante variada e cuja presença é notada com mais freqüência a cada dia que passa.
Neste artigo, apresento uma síntese desses comportamentos inclusivos diante de pessoas com deficiência, parte deles transcrita e/ou adaptada de inúmeros textos publicados (ver Bibliografia consultada) e parte aprendida em minha experiência profissional dentro do campo da reabilitação profissional, bem como em minha atuação no movimento de direitos, nos últimos 45 anos.
Dicas gerais diante de uma pessoa com qualquer tipo de deficiência
Converse com ela respeitosamente, sabendo que ambos desejam ser respeitados como seres humanos.
Comporte-se de igual para igual, ou seja, considerando que vocês dois possuem a mesma dignidade.
Aceite a outra pessoa como ela é, assim como você espera ser aceito do jeito que você é.
Ofereça ajuda sempre que notar que a pessoa parece necessitá-la. Pergunte antes de ajudar e jamais insista em ajudar. Se ela aceitar a ajuda, deixe que ela lhe diga como quer ser ajudada.
Lembre-se de que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos garantidos a todos os povos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Constituição de cada país.
Diante de uma pessoa com deficiência física
1. Que usa cadeira de rodas
Não se apóie na cadeira de rodas, nem com as mãos nem com os pés. A cadeira de rodas é uma extensão do corpo da pessoa que a utiliza.
Não receie em falar as palavras “ande”, “corra” e “caminhe”. As próprias pessoas com deficiência física também as utilizam.
Se a conversa for demorar, sente-se num banco ou sofá de modo que seus olhos fiquem no mesmo nível do olhar da pessoa em cadeira de rodas. Para uma pessoa sentada, não é confortável ficar olhando para cima durante um período relativamente longo.
Ao ajudar uma pessoa em cadeira de rodas a descer uma rampa ou degraus, use a marcha à ré, para evitar que, pela excessiva inclinação, a pessoa perca o equilíbrio e caia para frente.
Ande na mesma velocidade do movimento da cadeira de rodas.
Ao planejar eventos, providencie acessibilidade arquitetônica em todos os recintos.
2. Que usa muletas
Tome cuidado para não tropeçar nas muletas.
Ao acomodar as muletas, após a pessoa sentar-se, deixe-as sempre ao alcance das mãos dela.
Ande no mesmo ritmo da marcha da pessoa.
3. Que tenha necessidade especial no uso dos braços e mãos e do corpo em geral
Siga as cinco dicas gerais, acima indicadas.
Esteja atento às particularidades de cada tipo de deficiência física.
Diante de uma pessoa com deficiência visual
1. Pessoa cega
Se andar com uma pessoa cega, deixe que ela segure seu braço. Não a empurre; pelo movimento de seu corpo, ela saberá o que fazer.
Em lugares estreitos para duas pessoas caminharem, ponha o seu braço para trás de modo que a pessoa cega possa seguir você.
Se estiver com ela durante a refeição, pergunte-lhe se quer auxílio para cortar a carne, o frango ou para adoçar o café, e explique-lhe a posição dos alimentos no prato.
Num restaurante, é de boa educação que você leia o cardápio e os preços, se a pessoa cega assim o desejar.
Se for auxiliar a pessoa cega a atravessar a rua, pergunte-lhe antes se ela necessita de ajuda e, em caso positivo, atravesse-a em linha reta, senão ela poderá perder a orientação.
Se ela estiver sozinha, identifique-se sempre ao aproximar-se dela. Nunca empregue brincadeirinhas como: “Adivinha quem é?”.
Se for orientá-la a sentar-se, coloque a mão da pessoa cega sobre o braço ou encosto da cadeira, e ela será capaz de sentar-se facilmente.
Se observar aspectos inadequados quanto à aparência da pessoa cega (meias trocadas, roupas pelo avesso, zíper aberto etc.), não tenha receio de avisá-la discretamente a respeito de sua roupa.
Se conviver com uma pessoa cega, nunca deixe uma porta entreaberta. As portas devem estar totalmente abertas ou completamente fechadas. Conserve os corredores livres de obstáculos. Avise-a se a mobília for mudada de lugar.
Se você trabalha, estuda ou está em contato social com uma pessoa cega, não a exclua nem minimize a participação dela em eventos ou reuniões. Deixe que a pessoa cega decida sobre tal participação. Trate-a com o mesmo respeito que você demonstra ao tratar uma pessoa que enxerga.
Se for orientá-la, dê direções do modo mais claro possível. Diga “direita”, “esquerda”, “acima”, “abaixo”, “para frente” ou “para trás”, de acordo com o caminho que ela necessite percorrer. Nunca use termos como “ali”, “lá”.
Indique as distâncias em metros. Por exemplo: “Uns 10 metros para frente”.
Se for a um lugar desconhecido para a pessoa cega, diga-lhe, muito discretamente, onde as coisas estão distribuídas no ambiente, os degraus, meios-fios etc.
Se vocês estiverem numa festa, diga à pessoa cega quais as pessoas presentes e veja se ela encontra pessoas para conversar, de modo que se divirta tanto quanto você.
Se for apresentá-la a alguém, faça com que ela fique de frente para a pessoa a quem você está apresentando, impedindo que a pessoa cega estenda a mão, por exemplo, para o lado contrário em que se encontra a outra pessoa.
Se conversar com uma pessoa cega, fale sempre diretamente, e nunca por intermédio de seu companheiro. A pessoa cega pode ouvir tão bem ou melhor que você. Não evite as palavras “veja”, “olhe” e “cego”; use-as sem receio. As pessoas cegas também as usam.
Quando se afastar da pessoa cega, avise-a, para que ela não fique falando sozinha.
A pessoa cega não vive num mundo escuro e sombrio. Ela percebe coisas e ambientes e adquire informações através do tato, da audição e do olfato. Ela pode ler e escrever por meio do braile.
O computador também é um bom aliado, possibilitando à pessoa cega escrever e conferir os textos, ler jornais e revistas, via internet ou livro digitalizado, usando programas específicos (DosVox, Virtual Vision, Jaws, por exemplo) nos quais se fala o que está escrito na tela.
Com a bengala ou com o cão-guia, a pessoa cega pode caminhar com autonomia, identificando ou desviando-se de degraus, buracos, meio-fio, raízes de árvores, orelhão, postes, objetos protuberantes nos quais ela possa bater a cabeça etc. O cão-guia nunca deverá ser distraído do seu dever de guiar a pessoa cega.
Ao planejar eventos, providencie material em braile.
2. Pessoa com baixa visão
Ao se tratar de pessoa com baixa visão, proceda quase das mesmas formas acima indicadas.
Ao planejar eventos, providencie material impresso com letras ampliadas.
3. Pessoa surdocega
Em geral, a pessoa com surdocegueira está acompanhada de um guia-intérprete, que utiliza diversos recursos de comunicação como, por exemplo, a libras tátil (libras na palma das mãos) ou o tadoma (pessoa surdocega coloca a mão no rosto do guia-intérprete, com o polegar tocando suavemente o lábio inferior e os outros dedos pressionando levemente as dobras vocais). Assim, pela vibração das dobras vocais, ela consegue entender o que a outra pessoa está falando. Há pessoas surdocegas que apenas não ouvem, mas falam; portanto, ela pode “ouvir” pelo tadoma e falar com a própria voz. Quando entrar numa conversa com uma pessoa surdocega, que utiliza o tadoma, deixe que ela faça o mesmo com você.
Diante de uma pessoa com deficiência auditiva
1. Pessoa surda
Se quiser falar com uma pessoa surda, sinalize com a mão ou tocando no braço dela. Enquanto estiverem conversando, fique de frente para ela, mantenha contato visual e cuide para que ela possa ver a sua boca para ler os seus lábios. Se você olhar para o outro lado, ela pode pensar que a conversa terminou.
Não grite. Ela não ouvirá o grito e verá em você uma fisionomia agressiva.
Se tiver dificuldade para entender o que uma pessoa surda está dizendo, peça que ela repita ou escreva.
Fale normalmente, a não ser que ela peça para você falar mais devagar.
Seja expressivo. A pessoa surda não pode ouvir as mudanças de tom da sua voz, por exemplo, indicando gozação ou seriedade. É preciso que você lhe mostre isso através da sua expressão facial, gestos ou dos movimentos do corpo para ela entender o que você quer comunicar.
Em geral, pessoas surdas preferem ser chamadas “surdos” e não “deficientes auditivos”.
Se a pessoa surda estiver acompanhada de um intérprete da língua de sinais, fale olhando para ela e não para o intérprete.
É muito grosseiro passar por entre duas pessoas que estão se comunicando através da língua de sinais, pois isto atrapalha ou impede a conversa.
Se aprender a língua de sinais brasileira (libras), você estará facilitando a convivência com a pessoa surda.
Ao planejar um evento, providencie avisos visuais, materiais impressos e intérpretes da língua de sinais.
2. Pessoa com baixa audição
Ao se tratar de pessoa com baixa audição, proceda quase das mesmas formas indicadas para relacionar-se com pessoas surdas.
Em geral, as pessoas com baixa audição não gostam de ser chamadas “surdos” e sim “deficientes auditivos”.
Diante de uma pessoa com deficiência da fala
Existem diversas alterações de fala, variando desde as mais simples, como a dificuldade em pronunciar os sons de maneira correta, até as mais complexas, como a perda total da voz, as gagueiras mais graves e os transtornos causados por um problema neurológico, que podem prejudicar tanto a fala como a compreensão.
Todas estas alterações podem trazer um prejuízo ou até mesmo um impedimento para a comunicação oral.
Mantenha a calma quando falar com alguém que apresenta alguma dificuldade de comunicação oral. Não tente adivinhar o que ela quer dizer e não a deixe sem resposta.
Procure olhar no rosto de quem fala; fale pausadamente; use poucas palavras de cada vez; espere a sua vez de falar e só comece quando tiver certeza de que o outro terminou o que tinha a dizer.
Se não entendeu o que foi falado, não tenha receio de pedir que o outro repita ou escreva. A maior parte das pessoas com dificuldade na fala tem consciência disso e não se incomoda em repetir, desde que encontre alguém realmente interessado em ouvi-la.
Preste mais atenção no conteúdo da fala do que em sua forma e, principalmente, não discrimine alguém pela maneira dele de falar.
Diante de uma pessoa com deficiência intelectual
Ao dirigir-se a uma pessoa com deficiência intelectual, aja com naturalidade, como você faria com qualquer outra pessoa.
Não confunda “deficiência intelectual” (deficiência mental) com “transtorno mental” (doença mental).
A pessoa com deficiência intelectual é, em geral, muito carinhosa e disposta a conversar.
Procure dar-lhe atenção e tratá-la de acordo com a faixa etária: criança, adolescente, adulta.
Não a ignore durante conversação. Cumprimente-a e despeça-se dela, como você o faria com outras pessoas.
Não a superproteja, nem use linguagem infantilizada.
Deixe que ela tente fazer sozinha tudo o que ela puder. Ajude apenas quando for realmente necessário.
Entenda que a pessoa com deficiência intelectual aprende mais lentamente. Se você respeitar o ritmo dela e lhe oferecer oportunidade, ela pode desenvolver habilidades, tornar-se produtiva e participar do mundo com dignidade e competência.
Diante de uma pessoa com outras deficiências
Existem pessoas que apresentam uma deficiência que não foi mencionada até aqui. Por exemplo, a deficiência múltipla, que se caracteriza pela presença simultânea de dois ou mais tipos de deficiência acima citados.
Também existem pessoas com paralisia cerebral, com síndrome de Down, com hiperatividade, com ostomia, com dislexia e assim por diante. Mas, paralisia cerebral, síndromes diversas, hiperatividade, ostomia, dislexia etc. não são tipos de deficiência; são condições que acarretam alguma deficiência.
Por outro lado, existem pessoas com epilepsia, com hanseníase, com transtorno mental, com autismo, com transtorno de déficit de atenção (TDA) etc. Porém, epilepsia, hanseníase, transtorno mental, autismo, TDA etc. também não constituem tipos de deficiência; são doenças que podem acarretar alguma deficiência.
Há casos em que uma doença e uma condição estão presentes juntas. Por exemplo, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).
Podemos, então, comportar-nos diante de uma pessoa com deficiência resultante dessas condições ou doenças, seguindo todas as dicas gerais e algumas das dicas específicas, de acordo com cada caso.
A questão das condições e doenças como causas de deficiências é polêmica e não encontra um consenso entre especialistas. Por exemplo, a ostomia e a paralisia cerebral foram colocadas como formas de deficiência física, e não como causas, no Decreto nº 5.296, de 2/12/04.
Bibliografia consultada
AGETRAN/SAS. Alerta ao cidadão (cartilha “Viva Seu Bairro – Projeto Multissetorial Integrado”). Campo Grande: Agência Municipal de Transporte e Trânsito / Secretaria Municipal de Assistência Social, c.2005.
BRASIL. Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004 (Lei da Acessibilidade).
CAPOVILLA, F. C., & RAPHAEL, W. D. Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngüe da língua de sinais brasileira. São Paulo, SP: Edusp, 2001. E-mail: capovila@usp.br.
CEPRED. Como você deve se comportar diante de uma pessoa que... Salvador, BA: Centro Estadual de Prevenção e Reabilitação de Deficiências, c.2004 (folheto adaptado do livreto Handicapés, escrito pelo Movimento de Mulheres Jovens, de Paris, em 16/11/82). E-mail: cepred@saude.ba.gov.br.
CLEMENTE, Carlos Aparício. Conviva com a diferença. Osasco: Espaço da Cidadania, 2003 (cartilha disponível em http://ecidadania.cjb.net, e-mail: espaco.cidadania@ig.com.br).
CJGG. Manual para inclusão social das pessoas portadoras de deficiência. Planaltina, DF: Comissão Jovem Gente como a Gente, 2000 (folheto adaptado do livreto Handicapés, escrito pelo Movimento de Mulheres Jovens, de Paris, em 16/11/82). E-mail: comissão.jovem@zaz.com.br
DUTRA, Luiz Carlos. Pastoral da inclusão: pessoas com deficiência na comunidade cristã. São Paulo: Loyola, 2005.
FDNC. O que você pode fazer quando encontrar uma pessoa cega. São Paulo: Fundação Dorina Nowill para Cegos, c.2005 (folheto). Site: www.fundacaodorina.org.br, e-mail: info@fundacaodorina.org.br.
SASSAKI, R. K. Atualizações semânticas na inclusão de pessoas: deficiência mental ou intelectual? Doença ou transtorno mental? Jornal do Sinepe-RJ, ano XIV, n. 88, jul./set. 2005, p. 10-11 e Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, ano V, n. 24, jan./fev. 2002, p. 6-9.
_____. Nomenclatura na área da surdez. São Paulo, 2004. (texto não-publicado disponível pelo e-mail: romeukf@uol.com.br).
_____. Como chamar as pessoas que têm deficiência. In: Vida Independente. São Paulo: RNR, 2003, p. 12-15.
_____. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão. In: Mídia e deficiência, Brasília: Agência de Notícias dos Direitos da Infância e Fundação Banco do Brasil, 2003, p. 160-165.
_____. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão. Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, ano V, n. 24, jan./fev. 2002, p. 6-9.
SEAD. Dicas para conviver valorizando as diferenças. Recife: Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência / Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Social, c.2003 (folheto disponível pelo e-mail: sead@fisepe.pe.gov.br).
C:\Romeu Kazumi Sassaki\Arquivos\Textos de word\Sensibilização - conscientização\
Comportamentos inclusivos diante de pessoas com deficiência.doc
DIANTE DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
Romeu Kazumi Sassaki
São Paulo, dezembro de 2005
Evidências no dia-a-dia nos mostram que existe um interesse, cada vez mais generalizado dentro da população, em conhecer e relacionar-se corretamente com as pessoas que têm uma deficiência.
Palestras, cursos, campanhas, livros, folhetos, revistas – em todas as partes da sociedade constatamos mensagens escritas, faladas, desenhadas e dramatizadas ensinando as formas corretas de se interagir com pessoas cuja deficiência é bastante variada e cuja presença é notada com mais freqüência a cada dia que passa.
Neste artigo, apresento uma síntese desses comportamentos inclusivos diante de pessoas com deficiência, parte deles transcrita e/ou adaptada de inúmeros textos publicados (ver Bibliografia consultada) e parte aprendida em minha experiência profissional dentro do campo da reabilitação profissional, bem como em minha atuação no movimento de direitos, nos últimos 45 anos.
Dicas gerais diante de uma pessoa com qualquer tipo de deficiência
Converse com ela respeitosamente, sabendo que ambos desejam ser respeitados como seres humanos.
Comporte-se de igual para igual, ou seja, considerando que vocês dois possuem a mesma dignidade.
Aceite a outra pessoa como ela é, assim como você espera ser aceito do jeito que você é.
Ofereça ajuda sempre que notar que a pessoa parece necessitá-la. Pergunte antes de ajudar e jamais insista em ajudar. Se ela aceitar a ajuda, deixe que ela lhe diga como quer ser ajudada.
Lembre-se de que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos garantidos a todos os povos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Constituição de cada país.
Diante de uma pessoa com deficiência física
1. Que usa cadeira de rodas
Não se apóie na cadeira de rodas, nem com as mãos nem com os pés. A cadeira de rodas é uma extensão do corpo da pessoa que a utiliza.
Não receie em falar as palavras “ande”, “corra” e “caminhe”. As próprias pessoas com deficiência física também as utilizam.
Se a conversa for demorar, sente-se num banco ou sofá de modo que seus olhos fiquem no mesmo nível do olhar da pessoa em cadeira de rodas. Para uma pessoa sentada, não é confortável ficar olhando para cima durante um período relativamente longo.
Ao ajudar uma pessoa em cadeira de rodas a descer uma rampa ou degraus, use a marcha à ré, para evitar que, pela excessiva inclinação, a pessoa perca o equilíbrio e caia para frente.
Ande na mesma velocidade do movimento da cadeira de rodas.
Ao planejar eventos, providencie acessibilidade arquitetônica em todos os recintos.
2. Que usa muletas
Tome cuidado para não tropeçar nas muletas.
Ao acomodar as muletas, após a pessoa sentar-se, deixe-as sempre ao alcance das mãos dela.
Ande no mesmo ritmo da marcha da pessoa.
3. Que tenha necessidade especial no uso dos braços e mãos e do corpo em geral
Siga as cinco dicas gerais, acima indicadas.
Esteja atento às particularidades de cada tipo de deficiência física.
Diante de uma pessoa com deficiência visual
1. Pessoa cega
Se andar com uma pessoa cega, deixe que ela segure seu braço. Não a empurre; pelo movimento de seu corpo, ela saberá o que fazer.
Em lugares estreitos para duas pessoas caminharem, ponha o seu braço para trás de modo que a pessoa cega possa seguir você.
Se estiver com ela durante a refeição, pergunte-lhe se quer auxílio para cortar a carne, o frango ou para adoçar o café, e explique-lhe a posição dos alimentos no prato.
Num restaurante, é de boa educação que você leia o cardápio e os preços, se a pessoa cega assim o desejar.
Se for auxiliar a pessoa cega a atravessar a rua, pergunte-lhe antes se ela necessita de ajuda e, em caso positivo, atravesse-a em linha reta, senão ela poderá perder a orientação.
Se ela estiver sozinha, identifique-se sempre ao aproximar-se dela. Nunca empregue brincadeirinhas como: “Adivinha quem é?”.
Se for orientá-la a sentar-se, coloque a mão da pessoa cega sobre o braço ou encosto da cadeira, e ela será capaz de sentar-se facilmente.
Se observar aspectos inadequados quanto à aparência da pessoa cega (meias trocadas, roupas pelo avesso, zíper aberto etc.), não tenha receio de avisá-la discretamente a respeito de sua roupa.
Se conviver com uma pessoa cega, nunca deixe uma porta entreaberta. As portas devem estar totalmente abertas ou completamente fechadas. Conserve os corredores livres de obstáculos. Avise-a se a mobília for mudada de lugar.
Se você trabalha, estuda ou está em contato social com uma pessoa cega, não a exclua nem minimize a participação dela em eventos ou reuniões. Deixe que a pessoa cega decida sobre tal participação. Trate-a com o mesmo respeito que você demonstra ao tratar uma pessoa que enxerga.
Se for orientá-la, dê direções do modo mais claro possível. Diga “direita”, “esquerda”, “acima”, “abaixo”, “para frente” ou “para trás”, de acordo com o caminho que ela necessite percorrer. Nunca use termos como “ali”, “lá”.
Indique as distâncias em metros. Por exemplo: “Uns 10 metros para frente”.
Se for a um lugar desconhecido para a pessoa cega, diga-lhe, muito discretamente, onde as coisas estão distribuídas no ambiente, os degraus, meios-fios etc.
Se vocês estiverem numa festa, diga à pessoa cega quais as pessoas presentes e veja se ela encontra pessoas para conversar, de modo que se divirta tanto quanto você.
Se for apresentá-la a alguém, faça com que ela fique de frente para a pessoa a quem você está apresentando, impedindo que a pessoa cega estenda a mão, por exemplo, para o lado contrário em que se encontra a outra pessoa.
Se conversar com uma pessoa cega, fale sempre diretamente, e nunca por intermédio de seu companheiro. A pessoa cega pode ouvir tão bem ou melhor que você. Não evite as palavras “veja”, “olhe” e “cego”; use-as sem receio. As pessoas cegas também as usam.
Quando se afastar da pessoa cega, avise-a, para que ela não fique falando sozinha.
A pessoa cega não vive num mundo escuro e sombrio. Ela percebe coisas e ambientes e adquire informações através do tato, da audição e do olfato. Ela pode ler e escrever por meio do braile.
O computador também é um bom aliado, possibilitando à pessoa cega escrever e conferir os textos, ler jornais e revistas, via internet ou livro digitalizado, usando programas específicos (DosVox, Virtual Vision, Jaws, por exemplo) nos quais se fala o que está escrito na tela.
Com a bengala ou com o cão-guia, a pessoa cega pode caminhar com autonomia, identificando ou desviando-se de degraus, buracos, meio-fio, raízes de árvores, orelhão, postes, objetos protuberantes nos quais ela possa bater a cabeça etc. O cão-guia nunca deverá ser distraído do seu dever de guiar a pessoa cega.
Ao planejar eventos, providencie material em braile.
2. Pessoa com baixa visão
Ao se tratar de pessoa com baixa visão, proceda quase das mesmas formas acima indicadas.
Ao planejar eventos, providencie material impresso com letras ampliadas.
3. Pessoa surdocega
Em geral, a pessoa com surdocegueira está acompanhada de um guia-intérprete, que utiliza diversos recursos de comunicação como, por exemplo, a libras tátil (libras na palma das mãos) ou o tadoma (pessoa surdocega coloca a mão no rosto do guia-intérprete, com o polegar tocando suavemente o lábio inferior e os outros dedos pressionando levemente as dobras vocais). Assim, pela vibração das dobras vocais, ela consegue entender o que a outra pessoa está falando. Há pessoas surdocegas que apenas não ouvem, mas falam; portanto, ela pode “ouvir” pelo tadoma e falar com a própria voz. Quando entrar numa conversa com uma pessoa surdocega, que utiliza o tadoma, deixe que ela faça o mesmo com você.
Diante de uma pessoa com deficiência auditiva
1. Pessoa surda
Se quiser falar com uma pessoa surda, sinalize com a mão ou tocando no braço dela. Enquanto estiverem conversando, fique de frente para ela, mantenha contato visual e cuide para que ela possa ver a sua boca para ler os seus lábios. Se você olhar para o outro lado, ela pode pensar que a conversa terminou.
Não grite. Ela não ouvirá o grito e verá em você uma fisionomia agressiva.
Se tiver dificuldade para entender o que uma pessoa surda está dizendo, peça que ela repita ou escreva.
Fale normalmente, a não ser que ela peça para você falar mais devagar.
Seja expressivo. A pessoa surda não pode ouvir as mudanças de tom da sua voz, por exemplo, indicando gozação ou seriedade. É preciso que você lhe mostre isso através da sua expressão facial, gestos ou dos movimentos do corpo para ela entender o que você quer comunicar.
Em geral, pessoas surdas preferem ser chamadas “surdos” e não “deficientes auditivos”.
Se a pessoa surda estiver acompanhada de um intérprete da língua de sinais, fale olhando para ela e não para o intérprete.
É muito grosseiro passar por entre duas pessoas que estão se comunicando através da língua de sinais, pois isto atrapalha ou impede a conversa.
Se aprender a língua de sinais brasileira (libras), você estará facilitando a convivência com a pessoa surda.
Ao planejar um evento, providencie avisos visuais, materiais impressos e intérpretes da língua de sinais.
2. Pessoa com baixa audição
Ao se tratar de pessoa com baixa audição, proceda quase das mesmas formas indicadas para relacionar-se com pessoas surdas.
Em geral, as pessoas com baixa audição não gostam de ser chamadas “surdos” e sim “deficientes auditivos”.
Diante de uma pessoa com deficiência da fala
Existem diversas alterações de fala, variando desde as mais simples, como a dificuldade em pronunciar os sons de maneira correta, até as mais complexas, como a perda total da voz, as gagueiras mais graves e os transtornos causados por um problema neurológico, que podem prejudicar tanto a fala como a compreensão.
Todas estas alterações podem trazer um prejuízo ou até mesmo um impedimento para a comunicação oral.
Mantenha a calma quando falar com alguém que apresenta alguma dificuldade de comunicação oral. Não tente adivinhar o que ela quer dizer e não a deixe sem resposta.
Procure olhar no rosto de quem fala; fale pausadamente; use poucas palavras de cada vez; espere a sua vez de falar e só comece quando tiver certeza de que o outro terminou o que tinha a dizer.
Se não entendeu o que foi falado, não tenha receio de pedir que o outro repita ou escreva. A maior parte das pessoas com dificuldade na fala tem consciência disso e não se incomoda em repetir, desde que encontre alguém realmente interessado em ouvi-la.
Preste mais atenção no conteúdo da fala do que em sua forma e, principalmente, não discrimine alguém pela maneira dele de falar.
Diante de uma pessoa com deficiência intelectual
Ao dirigir-se a uma pessoa com deficiência intelectual, aja com naturalidade, como você faria com qualquer outra pessoa.
Não confunda “deficiência intelectual” (deficiência mental) com “transtorno mental” (doença mental).
A pessoa com deficiência intelectual é, em geral, muito carinhosa e disposta a conversar.
Procure dar-lhe atenção e tratá-la de acordo com a faixa etária: criança, adolescente, adulta.
Não a ignore durante conversação. Cumprimente-a e despeça-se dela, como você o faria com outras pessoas.
Não a superproteja, nem use linguagem infantilizada.
Deixe que ela tente fazer sozinha tudo o que ela puder. Ajude apenas quando for realmente necessário.
Entenda que a pessoa com deficiência intelectual aprende mais lentamente. Se você respeitar o ritmo dela e lhe oferecer oportunidade, ela pode desenvolver habilidades, tornar-se produtiva e participar do mundo com dignidade e competência.
Diante de uma pessoa com outras deficiências
Existem pessoas que apresentam uma deficiência que não foi mencionada até aqui. Por exemplo, a deficiência múltipla, que se caracteriza pela presença simultânea de dois ou mais tipos de deficiência acima citados.
Também existem pessoas com paralisia cerebral, com síndrome de Down, com hiperatividade, com ostomia, com dislexia e assim por diante. Mas, paralisia cerebral, síndromes diversas, hiperatividade, ostomia, dislexia etc. não são tipos de deficiência; são condições que acarretam alguma deficiência.
Por outro lado, existem pessoas com epilepsia, com hanseníase, com transtorno mental, com autismo, com transtorno de déficit de atenção (TDA) etc. Porém, epilepsia, hanseníase, transtorno mental, autismo, TDA etc. também não constituem tipos de deficiência; são doenças que podem acarretar alguma deficiência.
Há casos em que uma doença e uma condição estão presentes juntas. Por exemplo, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).
Podemos, então, comportar-nos diante de uma pessoa com deficiência resultante dessas condições ou doenças, seguindo todas as dicas gerais e algumas das dicas específicas, de acordo com cada caso.
A questão das condições e doenças como causas de deficiências é polêmica e não encontra um consenso entre especialistas. Por exemplo, a ostomia e a paralisia cerebral foram colocadas como formas de deficiência física, e não como causas, no Decreto nº 5.296, de 2/12/04.
Bibliografia consultada
AGETRAN/SAS. Alerta ao cidadão (cartilha “Viva Seu Bairro – Projeto Multissetorial Integrado”). Campo Grande: Agência Municipal de Transporte e Trânsito / Secretaria Municipal de Assistência Social, c.2005.
BRASIL. Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004 (Lei da Acessibilidade).
CAPOVILLA, F. C., & RAPHAEL, W. D. Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngüe da língua de sinais brasileira. São Paulo, SP: Edusp, 2001. E-mail: capovila@usp.br.
CEPRED. Como você deve se comportar diante de uma pessoa que... Salvador, BA: Centro Estadual de Prevenção e Reabilitação de Deficiências, c.2004 (folheto adaptado do livreto Handicapés, escrito pelo Movimento de Mulheres Jovens, de Paris, em 16/11/82). E-mail: cepred@saude.ba.gov.br.
CLEMENTE, Carlos Aparício. Conviva com a diferença. Osasco: Espaço da Cidadania, 2003 (cartilha disponível em http://ecidadania.cjb.net, e-mail: espaco.cidadania@ig.com.br).
CJGG. Manual para inclusão social das pessoas portadoras de deficiência. Planaltina, DF: Comissão Jovem Gente como a Gente, 2000 (folheto adaptado do livreto Handicapés, escrito pelo Movimento de Mulheres Jovens, de Paris, em 16/11/82). E-mail: comissão.jovem@zaz.com.br
DUTRA, Luiz Carlos. Pastoral da inclusão: pessoas com deficiência na comunidade cristã. São Paulo: Loyola, 2005.
FDNC. O que você pode fazer quando encontrar uma pessoa cega. São Paulo: Fundação Dorina Nowill para Cegos, c.2005 (folheto). Site: www.fundacaodorina.org.br, e-mail: info@fundacaodorina.org.br.
SASSAKI, R. K. Atualizações semânticas na inclusão de pessoas: deficiência mental ou intelectual? Doença ou transtorno mental? Jornal do Sinepe-RJ, ano XIV, n. 88, jul./set. 2005, p. 10-11 e Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, ano V, n. 24, jan./fev. 2002, p. 6-9.
_____. Nomenclatura na área da surdez. São Paulo, 2004. (texto não-publicado disponível pelo e-mail: romeukf@uol.com.br).
_____. Como chamar as pessoas que têm deficiência. In: Vida Independente. São Paulo: RNR, 2003, p. 12-15.
_____. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão. In: Mídia e deficiência, Brasília: Agência de Notícias dos Direitos da Infância e Fundação Banco do Brasil, 2003, p. 160-165.
_____. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão. Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, ano V, n. 24, jan./fev. 2002, p. 6-9.
SEAD. Dicas para conviver valorizando as diferenças. Recife: Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência / Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Social, c.2003 (folheto disponível pelo e-mail: sead@fisepe.pe.gov.br).
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Inclusão
O que é inclusão
A educação inclusiva é um movimento mundial fundamentado nos princípios dos direitos humanos e da cidadania,tendo por objetivo eliminar a discriminação e a exclusão,para garantir o direito à igualdade de oportunidades e à diferença,transformando os sistemas de ensino,de modo a propiciar a participação de todos os alunos,com foco específico naqueles que são vulneráveis à marginalização e a exclusão.
.A educação inclusiva acolhe todas as pessoas sem exceção.Historicamente,o atendimento educacional a crianças com deficiência era realizado apenas em escolas especiais,fato que trouxe conseqüências negativas e segregacionistas,pois se imaginava que elas eram incapazes de conviver com crianças sem deficiência.Todas as estratégias e argumentos pelos quais a escola tradicional resiste à inclusão refletem a sua incapacidade de atuar diante da complexidade,diversidade,do que é real nos seres e nos grupos humanos.
A escola tem que ser o reflexo da vida do lado de fora.O grande ganho para todos,é viver a experiência da diferença.Se os estudantes não passam por isso na infância,mais tarde terão muita dificuldade de vencer os preconceitos.A inclusão possibilita aos que são discriminados pela deficiência,pela classe social ou pela cor que,por direito, ocupem o seu espaço na sociedade.Se isso não ocorrer,essas pessoas serão sempre dependentes e terão uma vida cidadã pela metade.O motivo principal de elas estarem na escola é que lá vão encontrar um espaço genuinamente democrático,onde partilhem o conhecimento e a experiência com o diferente. Todos ganham ao exercitar a tolerância e o respeito.As crianças também percebem o quanto é necessário observar e respeitar as necessidades dos amigos.Esse senso de responsabilidade pelo outro é um exercício constante nas escolas inclusivas.
Para nós professores o maior ganho está em garantir a todos o direito à educação. Hoje a Educação Especial é entendida como a modalidade de ensino que tem como objetivo quebrar a barreiras que impedem a criança de exercer a sua cidadania.O atendimento educacional especializado é,então, apenas um complemento da escolarização e não um substituto.
O que faz uma escola ser inclusiva?
Em primeiro lugar um bom projeto pedagógico que começa pela reflexão,elaborado coletivamente,entre as instituições educativas,a família e os profissionais especializados.Inclusão é mais do que ter rampas e banheiros adaptados.A equipe da escola inclusiva deve discutir o motivo de tanta repetência e indisciplina,de os professores não darem conta do recado e de os pais não participarem.Atualmente muitas escolas diversificam o programa mas esperam que no fim das contas todos tenham os mesmos resultados.A escola organizada como está,produz a exclusão.Os conteúdos curriculares são tantos que tornam alunos,professores e pais reféns de um programa que abre pouco espaço para o talento das crianças.Os alunos estão enturmados Por séries,o currículo é organizado por disciplinas e o conteúdo é selecionado por coordenações pedagógicas,pelos livros didáticos,enfim,por uma “inteligência” que define os saberes úteis e a seqüência em que devem ser ensinados.
Na escola que não valoriza a diversidade o conteúdo é determinante.
Além de fazer adaptações físicas a escola precisa oferecer atendimento educacional especializado paralelamente às aulas regulares,de preferência no mesmo local.². “A maior demanda encontra-se na esfera das atitudes,posturas,formas de lidar com a diversidade e a diferença significativa de cada aluno.Essa não deve ser responsabilidade só do professor,mas do coletivo escolar.” Profissionais especializados podem orientar professores,pais e diretores no trabalho de inclusão e realizar adaptações curriculares de tal forma que os alunos especiais possam ser contemplados.Projetos fora do horário escolar,como oficinas de artes e desenvolvimento de talentos específicos,até um convênio com a APAE auxiliam a avaliar as dificuldades das crianças e oferecer terapia ocupacional fora do horário regular. Assim uma criança cega,por exemplo,assiste às aulas com os colegas que enxergam e,treina mobilidade,locomoção,uso da linguagem braile no outro turno. O professor porém é a peça chave da implantação da educação inclusiva e precisa ter melhor formação,em um processo contínuo e permanente.Essa formação não acontece meramente por cursos de graduação,pós-graduação ou de aperfeiçoamento. A formação continuada com cursos de curta e média duração,é o caminho para garantir a aquisição de competências relevantes para atuar junto a essas crianças.È urgente à necessidade de mudanças nos cursos de formação de professores em geral,com destaque para os cursos da área de educação infantil e seus currículos,os quais devem incluir conteúdos que favoreçam as práticas pedagógicas inclusivas.
O fisioterapeuta,o psicólogo ou o médico colabora com seus conhecimentos mas quem cuida do conteúdo pedagógico é o professor.
¹ “Quem pode dizer onde terminam as possibilidades de aprendizagem de quem tem deficiência?Só com as portas da escola abertas é que poderemos saber.Por isso ela é tão importante.”
Estudantes com deficiência mental severa podem estudar em uma classe regular.A inclusão não admite qualquer tipo de discriminação,e os mais excluídos são sempre os que têm deficiências graves.Há casos entretanto em que a criança não consegue interagir porque está em surto e precisa ser tratada.Para que o professor saiba o momento adequado de encaminhá-lo a um tratamento é necessário manter vínculos com os atendimentos clínico e especializado.
A avaliação de alunos com deficiência mental não deve ser diferenciada porque uma boa avaliação é planejada para todos,aquela em que o aluno aprende a analisar a sua produção de forma crítica e autônoma.Muitas vezes as avaliações servem para ver quem se encaixa nos padrões de aluno ideal do que para medir o progresso de cada um,dentro de suas possibilidades.A função da avaliação não é medir se a criança chegou a um determinado ponto,mas se ela cresceu.Esse mérito vem do esforço pessoal para vencer as suas limitações,e não da comparação com os demais.
Um professor sem capacitação pode ensinar alunos com deficiência.O papel do professor é ser regente de classe e não especialista em deficiência.por exemplo,para ser alfabetizada em língua portuguesa para surdos,conhecida como L2,a criança é atendida por um professor de língua portuguesa capacitado para isso.A função do regente é trabalhar os conteúdos,mas as parcerias entre os profissionais são muito produtivas.
No caso de se ter um cego na turma,o professor não precisa dominar o braile,porque quem escreve é o aluno.
As redes de ensino não estão dando às escolas e aos professores o que é necessário para um bom trabalho com inclusão.Mas como já foi dito a Constituição garante o acesso de todos ao ensino fundamental,sendo que alunos com necessidades especiais devem receber atendimento especializado – preferencialmente – na escola,que não substitui o ensino regular.Entendida a lei,a discussão deve ser a qualidade da educação para todos,e não só para crianças com deficiência. ³ “A inclusão faz parte de um grande movimento pela melhoria do ensino.” Mas é uma inclusão silenciosa.
Mesmo depois de tanto tempo dessa promulgação,alguns diretores e professores ainda acreditam que estudantes com deficiência não conseguem aprender e,em classe,devem apenas brincar ou passar o tempo.Há ainda pais que não aceitam os filhos se relacionando ou estudando com “retardados”,pois acham que isso baixa a qualidade de ensino.Outros acreditam que a deficiência é doença e que os “anormais” devem ser evitados. Muitas escolas privadas não podem manter os custos do atendimento educacional especializado e as públicas não recebem recursos e capacitação.Mas recusar a matrícula é crime.Quando a estrutura não oferece o básico,as parcerias são fundamentais,pois as crianças não podem esperar a escola se preparar.Por isso,na rede pública,feitas as adaptações físicas adequadas e estabelecidas às parcerias,o passo seguinte é cobrar do poder público verba e apoio pedagógico.A escola pública que não recebe apoio pedagógico ou verba tem como opção fazer parcerias com entidades de educação especial,disponíveis na maioria das redes.
O MEC contribui com programas,através da Seesp (Secretaria de Educação Especial do MEC) como o Programa educação inclusiva:direito à diversidade,desenvolvido em todos os Estados e no Distrito Federal,envolvendo 144 municípios-pólo que atuam como multiplicadores para outros municípios de sua área de abrangência.O objetivo é formar gestores e educadores para efetivar a construção de sistemas educacionais inclusivos,tendo como princípio garantir o direito de acesso e permanência com qualidade dos alunos com necessidades educacionais nas escolas de ensino regular.O programa disponibiliza aos sistemas de ensino equipamentos,mobiliários e material pedagógico para implantação de salas de recursos e organização da oferta de atendimento.E tem implantado um conjunto de ações e programas em parceria com dirigentes estaduais e municipais da educação,bem como apoiado a formação continuada dos professores,em diversas áreas,como deficiência mental,auditiva,visual,superdotação/altas habilidades,entre outras.
³.¹“Nós professores temos dificuldades para romper com a idéia de homogeneidade em que fomos formados:a criança ideal,abstrata,que se desenvolve e aprende de uma forma única.Este é o grande desafio que a inclusão impõe à escola:lidar com a diversidade e buscar respostas para as diferentes necessidades educacionais.Trabalhar com o nível de conhecimento,adaptar o ensino ao interesse e ao ritmo de aprendizagem de cada aluno e ajudá-lo a progredir a ater experiências significativas de aprendizagem são a chave da questão.”
Referências bibliográficas:
1.Revista Nova Escola,maio de 2005 – matéria com Maria Teresa Mantoan.
2.Revista Nova Escola,outubro de 2006 – A sociedade em busca de mais tolerância,por Meire Cavalcante.
3.Revista Nova Escola,maio de 2005 – A escola que é de todas as crianças,por Meire Cavalcante.
4.Revista Criança,junho de 2008 – A inclusão de crianças com deficiência cresce,por Rita de Baggio.
Citações:
1.Meire Cavalcante
2.Professora Francisca roseneide Furtado do Monte,consultora do Seesp/MEC.
3.Letícia Santos,produtora de cinema.
1.1 Dorian Mônica Arpini,departamento de Psicologia da UFSM.
2.1.Claudia Dutra Pereira,secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação.
3.1 Marilda Bruno,consultora para publicação do MEC,da Universidade Federal de Grande Dourados (MS)
A educação inclusiva é um movimento mundial fundamentado nos princípios dos direitos humanos e da cidadania,tendo por objetivo eliminar a discriminação e a exclusão,para garantir o direito à igualdade de oportunidades e à diferença,transformando os sistemas de ensino,de modo a propiciar a participação de todos os alunos,com foco específico naqueles que são vulneráveis à marginalização e a exclusão.
.A educação inclusiva acolhe todas as pessoas sem exceção.Historicamente,o atendimento educacional a crianças com deficiência era realizado apenas em escolas especiais,fato que trouxe conseqüências negativas e segregacionistas,pois se imaginava que elas eram incapazes de conviver com crianças sem deficiência.Todas as estratégias e argumentos pelos quais a escola tradicional resiste à inclusão refletem a sua incapacidade de atuar diante da complexidade,diversidade,do que é real nos seres e nos grupos humanos.
A escola tem que ser o reflexo da vida do lado de fora.O grande ganho para todos,é viver a experiência da diferença.Se os estudantes não passam por isso na infância,mais tarde terão muita dificuldade de vencer os preconceitos.A inclusão possibilita aos que são discriminados pela deficiência,pela classe social ou pela cor que,por direito, ocupem o seu espaço na sociedade.Se isso não ocorrer,essas pessoas serão sempre dependentes e terão uma vida cidadã pela metade.O motivo principal de elas estarem na escola é que lá vão encontrar um espaço genuinamente democrático,onde partilhem o conhecimento e a experiência com o diferente. Todos ganham ao exercitar a tolerância e o respeito.As crianças também percebem o quanto é necessário observar e respeitar as necessidades dos amigos.Esse senso de responsabilidade pelo outro é um exercício constante nas escolas inclusivas.
Para nós professores o maior ganho está em garantir a todos o direito à educação. Hoje a Educação Especial é entendida como a modalidade de ensino que tem como objetivo quebrar a barreiras que impedem a criança de exercer a sua cidadania.O atendimento educacional especializado é,então, apenas um complemento da escolarização e não um substituto.
O que faz uma escola ser inclusiva?
Em primeiro lugar um bom projeto pedagógico que começa pela reflexão,elaborado coletivamente,entre as instituições educativas,a família e os profissionais especializados.Inclusão é mais do que ter rampas e banheiros adaptados.A equipe da escola inclusiva deve discutir o motivo de tanta repetência e indisciplina,de os professores não darem conta do recado e de os pais não participarem.Atualmente muitas escolas diversificam o programa mas esperam que no fim das contas todos tenham os mesmos resultados.A escola organizada como está,produz a exclusão.Os conteúdos curriculares são tantos que tornam alunos,professores e pais reféns de um programa que abre pouco espaço para o talento das crianças.Os alunos estão enturmados Por séries,o currículo é organizado por disciplinas e o conteúdo é selecionado por coordenações pedagógicas,pelos livros didáticos,enfim,por uma “inteligência” que define os saberes úteis e a seqüência em que devem ser ensinados.
Na escola que não valoriza a diversidade o conteúdo é determinante.
Além de fazer adaptações físicas a escola precisa oferecer atendimento educacional especializado paralelamente às aulas regulares,de preferência no mesmo local.². “A maior demanda encontra-se na esfera das atitudes,posturas,formas de lidar com a diversidade e a diferença significativa de cada aluno.Essa não deve ser responsabilidade só do professor,mas do coletivo escolar.” Profissionais especializados podem orientar professores,pais e diretores no trabalho de inclusão e realizar adaptações curriculares de tal forma que os alunos especiais possam ser contemplados.Projetos fora do horário escolar,como oficinas de artes e desenvolvimento de talentos específicos,até um convênio com a APAE auxiliam a avaliar as dificuldades das crianças e oferecer terapia ocupacional fora do horário regular. Assim uma criança cega,por exemplo,assiste às aulas com os colegas que enxergam e,treina mobilidade,locomoção,uso da linguagem braile no outro turno. O professor porém é a peça chave da implantação da educação inclusiva e precisa ter melhor formação,em um processo contínuo e permanente.Essa formação não acontece meramente por cursos de graduação,pós-graduação ou de aperfeiçoamento. A formação continuada com cursos de curta e média duração,é o caminho para garantir a aquisição de competências relevantes para atuar junto a essas crianças.È urgente à necessidade de mudanças nos cursos de formação de professores em geral,com destaque para os cursos da área de educação infantil e seus currículos,os quais devem incluir conteúdos que favoreçam as práticas pedagógicas inclusivas.
O fisioterapeuta,o psicólogo ou o médico colabora com seus conhecimentos mas quem cuida do conteúdo pedagógico é o professor.
¹ “Quem pode dizer onde terminam as possibilidades de aprendizagem de quem tem deficiência?Só com as portas da escola abertas é que poderemos saber.Por isso ela é tão importante.”
Estudantes com deficiência mental severa podem estudar em uma classe regular.A inclusão não admite qualquer tipo de discriminação,e os mais excluídos são sempre os que têm deficiências graves.Há casos entretanto em que a criança não consegue interagir porque está em surto e precisa ser tratada.Para que o professor saiba o momento adequado de encaminhá-lo a um tratamento é necessário manter vínculos com os atendimentos clínico e especializado.
A avaliação de alunos com deficiência mental não deve ser diferenciada porque uma boa avaliação é planejada para todos,aquela em que o aluno aprende a analisar a sua produção de forma crítica e autônoma.Muitas vezes as avaliações servem para ver quem se encaixa nos padrões de aluno ideal do que para medir o progresso de cada um,dentro de suas possibilidades.A função da avaliação não é medir se a criança chegou a um determinado ponto,mas se ela cresceu.Esse mérito vem do esforço pessoal para vencer as suas limitações,e não da comparação com os demais.
Um professor sem capacitação pode ensinar alunos com deficiência.O papel do professor é ser regente de classe e não especialista em deficiência.por exemplo,para ser alfabetizada em língua portuguesa para surdos,conhecida como L2,a criança é atendida por um professor de língua portuguesa capacitado para isso.A função do regente é trabalhar os conteúdos,mas as parcerias entre os profissionais são muito produtivas.
No caso de se ter um cego na turma,o professor não precisa dominar o braile,porque quem escreve é o aluno.
As redes de ensino não estão dando às escolas e aos professores o que é necessário para um bom trabalho com inclusão.Mas como já foi dito a Constituição garante o acesso de todos ao ensino fundamental,sendo que alunos com necessidades especiais devem receber atendimento especializado – preferencialmente – na escola,que não substitui o ensino regular.Entendida a lei,a discussão deve ser a qualidade da educação para todos,e não só para crianças com deficiência. ³ “A inclusão faz parte de um grande movimento pela melhoria do ensino.” Mas é uma inclusão silenciosa.
Mesmo depois de tanto tempo dessa promulgação,alguns diretores e professores ainda acreditam que estudantes com deficiência não conseguem aprender e,em classe,devem apenas brincar ou passar o tempo.Há ainda pais que não aceitam os filhos se relacionando ou estudando com “retardados”,pois acham que isso baixa a qualidade de ensino.Outros acreditam que a deficiência é doença e que os “anormais” devem ser evitados. Muitas escolas privadas não podem manter os custos do atendimento educacional especializado e as públicas não recebem recursos e capacitação.Mas recusar a matrícula é crime.Quando a estrutura não oferece o básico,as parcerias são fundamentais,pois as crianças não podem esperar a escola se preparar.Por isso,na rede pública,feitas as adaptações físicas adequadas e estabelecidas às parcerias,o passo seguinte é cobrar do poder público verba e apoio pedagógico.A escola pública que não recebe apoio pedagógico ou verba tem como opção fazer parcerias com entidades de educação especial,disponíveis na maioria das redes.
O MEC contribui com programas,através da Seesp (Secretaria de Educação Especial do MEC) como o Programa educação inclusiva:direito à diversidade,desenvolvido em todos os Estados e no Distrito Federal,envolvendo 144 municípios-pólo que atuam como multiplicadores para outros municípios de sua área de abrangência.O objetivo é formar gestores e educadores para efetivar a construção de sistemas educacionais inclusivos,tendo como princípio garantir o direito de acesso e permanência com qualidade dos alunos com necessidades educacionais nas escolas de ensino regular.O programa disponibiliza aos sistemas de ensino equipamentos,mobiliários e material pedagógico para implantação de salas de recursos e organização da oferta de atendimento.E tem implantado um conjunto de ações e programas em parceria com dirigentes estaduais e municipais da educação,bem como apoiado a formação continuada dos professores,em diversas áreas,como deficiência mental,auditiva,visual,superdotação/altas habilidades,entre outras.
³.¹“Nós professores temos dificuldades para romper com a idéia de homogeneidade em que fomos formados:a criança ideal,abstrata,que se desenvolve e aprende de uma forma única.Este é o grande desafio que a inclusão impõe à escola:lidar com a diversidade e buscar respostas para as diferentes necessidades educacionais.Trabalhar com o nível de conhecimento,adaptar o ensino ao interesse e ao ritmo de aprendizagem de cada aluno e ajudá-lo a progredir a ater experiências significativas de aprendizagem são a chave da questão.”
Referências bibliográficas:
1.Revista Nova Escola,maio de 2005 – matéria com Maria Teresa Mantoan.
2.Revista Nova Escola,outubro de 2006 – A sociedade em busca de mais tolerância,por Meire Cavalcante.
3.Revista Nova Escola,maio de 2005 – A escola que é de todas as crianças,por Meire Cavalcante.
4.Revista Criança,junho de 2008 – A inclusão de crianças com deficiência cresce,por Rita de Baggio.
Citações:
1.Meire Cavalcante
2.Professora Francisca roseneide Furtado do Monte,consultora do Seesp/MEC.
3.Letícia Santos,produtora de cinema.
1.1 Dorian Mônica Arpini,departamento de Psicologia da UFSM.
2.1.Claudia Dutra Pereira,secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação.
3.1 Marilda Bruno,consultora para publicação do MEC,da Universidade Federal de Grande Dourados (MS)
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
sem medo de ser feliz,Maturana
Na concepção de Maturana, quando coloca a questão do linguajar relacionado com o emocionar pude fazer uma ligação com as fases apresentadas por Erikson, da vida adulta.
Quanto mais amadurecemos mais passamos por experiências que esperamos nos permitam controlar melhor nossas emoções e assim lidar mais adultamente em nossas relações.Assim é possível entender e visualizar esse turbilhão de emoções na forma rebelde e muitas vezes contestadora manifestada no comportamento dos adolescentes.
O adulto após os 40 anos que já vivenciou muitas experiências consegue, quando numa construção positiva, vislumbrar que cada pessoa tem as suas características, e que podem estar relacionadas ao meio em que se formou e por isso é mais paciencioso e amoroso.
Já o adolescente não vê além de sua própria verdade, condenando as formas diferentes daquilo que lhe agrada, ou seja, concebe sua realidade como única.
Erikson definiu as fases da vida adulta em acordo com o desenvolvimento e os acontecimentos do físico e no encaminhamento para a velhice e conseqüentemente para a morte.Maturana fundamenta suas conclusões no conhecimento das emoções, na maneira que elas se manifestam de acordo com quem e onde convivemos.
Identifiquei muitos meus pensamentos com Maturana, concordo quanto à importância de nossos atos no mundo e para sua construção.As emoções se manifestam em nossas relações escolares quando, por exemplo, vemos o reflexo do estado emocional do professor nos alunos e na aula.Quanta vez está nervosa ou triste e mesmo não transparecendo nem querendo transferir, percebemos que o contexto está mais agitado, os alunos mais inquietos que o normal...
Aprendendo e vivendo, segundo Erikson...
Vivendo e aprendendo segundo Maturana...
Quanto mais amadurecemos mais passamos por experiências que esperamos nos permitam controlar melhor nossas emoções e assim lidar mais adultamente em nossas relações.Assim é possível entender e visualizar esse turbilhão de emoções na forma rebelde e muitas vezes contestadora manifestada no comportamento dos adolescentes.
O adulto após os 40 anos que já vivenciou muitas experiências consegue, quando numa construção positiva, vislumbrar que cada pessoa tem as suas características, e que podem estar relacionadas ao meio em que se formou e por isso é mais paciencioso e amoroso.
Já o adolescente não vê além de sua própria verdade, condenando as formas diferentes daquilo que lhe agrada, ou seja, concebe sua realidade como única.
Erikson definiu as fases da vida adulta em acordo com o desenvolvimento e os acontecimentos do físico e no encaminhamento para a velhice e conseqüentemente para a morte.Maturana fundamenta suas conclusões no conhecimento das emoções, na maneira que elas se manifestam de acordo com quem e onde convivemos.
Identifiquei muitos meus pensamentos com Maturana, concordo quanto à importância de nossos atos no mundo e para sua construção.As emoções se manifestam em nossas relações escolares quando, por exemplo, vemos o reflexo do estado emocional do professor nos alunos e na aula.Quanta vez está nervosa ou triste e mesmo não transparecendo nem querendo transferir, percebemos que o contexto está mais agitado, os alunos mais inquietos que o normal...
Aprendendo e vivendo, segundo Erikson...
Vivendo e aprendendo segundo Maturana...
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Tipos de dominação a que estamos sujeitos
Weber descreve três tipos de dominação que se fundamentam em razões diferentes. Dominação legal,tradicional e carismática.
Nós servidores públicos nos encontramos em mais de uma instância submissos a dominação legal. Como profissionais que prestamos um concurso,no qual aceitamos regras e subordinação aos órgãos que nos contrataram e o fizemos por livre e própria vontade , estamos sujeitos a ordens e funções que devemos cumprir.
E mesmo havendo eleições para direção, nem sempre os candidatos que gostaríamos são os eleitos, vencendo o maior número de votos e a partir daí, estamos submissos às determinações desse grupo, fundamentadas na legitimidade instituída por regras que aceitamos previamente, ao nos inscrevermos para exercer nosso cargo.
A dominação tradicional está presente em minha escola através das famílias, hoje nem sempre na figura da mãe.
Na realidade com a qual trabalho ficou me questionando, se o “patrão”, o líder do tráfico na Vila, não é um exemplo desse tipo de dominação?Haja vista que exerce controle até “sem freios”, porque não dizer, com tirania, onde as decisões são tomadas unicamente por essa pessoa baseadas em sua visão dos fatos e os que lhes servem, o fazem como forma de adquirir privilégios, status e lhe tem fidelidade até quando lhes convém.
Já a dominação carismática, eu como professora de capoeira a percebo claramente, na relação com meus alunos e na minha relação com meu mestre. Apegamos-nos ao líder, ao mentor e nos tornamos claramente discípulos. Seguimos recomendações,ordens e ensinamentos,enquanto nada contradizer aquilo que ele apregoa assim seguiremos,não existindo para isso um motivo lógico ou racional.Apenas acreditamos no que ele diz.A presença de outros discípulos que evidenciam o sucesso dos ensinamentos do mestre e a ele demonstram submissão,disciplina e obediência também fortalecem esse tipo de dominação.
Acredito que as dominações acontecem porque existem submissos a elas, que os fatores que levam a essa submissão podem ser legais, legitimados por livre acordo firmado entre as partes ou sem registro, por tradição ou devoção. De toda forma estão fundamentados e presentes nas sociedades de todos os tempos e geraram transformações que marcaram história.
Nós servidores públicos nos encontramos em mais de uma instância submissos a dominação legal. Como profissionais que prestamos um concurso,no qual aceitamos regras e subordinação aos órgãos que nos contrataram e o fizemos por livre e própria vontade , estamos sujeitos a ordens e funções que devemos cumprir.
E mesmo havendo eleições para direção, nem sempre os candidatos que gostaríamos são os eleitos, vencendo o maior número de votos e a partir daí, estamos submissos às determinações desse grupo, fundamentadas na legitimidade instituída por regras que aceitamos previamente, ao nos inscrevermos para exercer nosso cargo.
A dominação tradicional está presente em minha escola através das famílias, hoje nem sempre na figura da mãe.
Na realidade com a qual trabalho ficou me questionando, se o “patrão”, o líder do tráfico na Vila, não é um exemplo desse tipo de dominação?Haja vista que exerce controle até “sem freios”, porque não dizer, com tirania, onde as decisões são tomadas unicamente por essa pessoa baseadas em sua visão dos fatos e os que lhes servem, o fazem como forma de adquirir privilégios, status e lhe tem fidelidade até quando lhes convém.
Já a dominação carismática, eu como professora de capoeira a percebo claramente, na relação com meus alunos e na minha relação com meu mestre. Apegamos-nos ao líder, ao mentor e nos tornamos claramente discípulos. Seguimos recomendações,ordens e ensinamentos,enquanto nada contradizer aquilo que ele apregoa assim seguiremos,não existindo para isso um motivo lógico ou racional.Apenas acreditamos no que ele diz.A presença de outros discípulos que evidenciam o sucesso dos ensinamentos do mestre e a ele demonstram submissão,disciplina e obediência também fortalecem esse tipo de dominação.
Acredito que as dominações acontecem porque existem submissos a elas, que os fatores que levam a essa submissão podem ser legais, legitimados por livre acordo firmado entre as partes ou sem registro, por tradição ou devoção. De toda forma estão fundamentados e presentes nas sociedades de todos os tempos e geraram transformações que marcaram história.
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sexta-feira, 5 de setembro de 2008
gestão e democracia nos sistemas
Selecionei aqui,algumas das questões sobre as quais escrevi que mais me chamaram atenção,sendo que a gestão democrática é uma grande ansiedade minha...
Consta na Constituição Federal do Brasil , de 1988 ,a República Federal como sendo umas uniões indissolúveis dos Estados e Municípios , constituindo essa união um Estado democrático de direito e tendo como fundamentos além de outros,a livre iniciativa ,
o direito a escolher seus representantes ou organizações representativas e a utilização de processos de descentralização.Esses mecanismos proporcionam maior participação dos cidadãos exercendo sua cidadania e buscando assim garantir a democracia.
Se todos esses direitos estão assegurados pela CF , qual a dificuldade em executarmos a real democracia, principalmente na educação? Existem ainda estratégias que impedem a descentralização do poder e que diminuem a autonomia dos Estados e Municípios na implementação de políticas próprias.É o caso dos ajustes fiscais e o estabelecimento de regras mais rígidas para o uso dos recursos em programas sociais.
As três esferas de governo unem-se no planejamento,financiamento,gestão e avaliação e são coordenada pela União que por sua vez, não tem meios articuladores suficientes para obter uma maior funcionalidade dessa colaboração entre os governos.Mas em apoio à articulação dos governos podemos encontrar os Conselhos Nacionais de Educação, que atinge todos os sistemas de ensino,inclusive estaduais e municipais em suas competências e na sua jurisdição.
A LDB/96 vem referendar os direitos assegurados na CF,pois em seus artigos propicia a participação da comunidade escolar no planejamento escolar e no controle do orçamento da educação,deixando assim que os estabelecimentos de ensino descentralizem as decisões, administrando seus recursos materiais e financeiros,escolhendo seus dirigentes,elaborando Projeto Pedagógico e consultando a comunidade escolar e local através de instrumentos como Conselho Escolar e outros, desde que observadas as normas gerais de direito financeiro público.
Consta na Constituição Federal do Brasil , de 1988 ,a República Federal como sendo umas uniões indissolúveis dos Estados e Municípios , constituindo essa união um Estado democrático de direito e tendo como fundamentos além de outros,a livre iniciativa ,
o direito a escolher seus representantes ou organizações representativas e a utilização de processos de descentralização.Esses mecanismos proporcionam maior participação dos cidadãos exercendo sua cidadania e buscando assim garantir a democracia.
Se todos esses direitos estão assegurados pela CF , qual a dificuldade em executarmos a real democracia, principalmente na educação? Existem ainda estratégias que impedem a descentralização do poder e que diminuem a autonomia dos Estados e Municípios na implementação de políticas próprias.É o caso dos ajustes fiscais e o estabelecimento de regras mais rígidas para o uso dos recursos em programas sociais.
As três esferas de governo unem-se no planejamento,financiamento,gestão e avaliação e são coordenada pela União que por sua vez, não tem meios articuladores suficientes para obter uma maior funcionalidade dessa colaboração entre os governos.Mas em apoio à articulação dos governos podemos encontrar os Conselhos Nacionais de Educação, que atinge todos os sistemas de ensino,inclusive estaduais e municipais em suas competências e na sua jurisdição.
A LDB/96 vem referendar os direitos assegurados na CF,pois em seus artigos propicia a participação da comunidade escolar no planejamento escolar e no controle do orçamento da educação,deixando assim que os estabelecimentos de ensino descentralizem as decisões, administrando seus recursos materiais e financeiros,escolhendo seus dirigentes,elaborando Projeto Pedagógico e consultando a comunidade escolar e local através de instrumentos como Conselho Escolar e outros, desde que observadas as normas gerais de direito financeiro público.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Ser professor
O que mais me comove enquanto faço essa reflexão, é perceber o quanto aprendi a ouvir os meus alunos.Não só ouvir suas perguntas referentes à aprendizagem , mas ouvir suas idéias,seus saberes,ouvir aquilo que não me dizem diretamente ,mas querem que eu saiba,o seu modo de ser , de viver ,suas angústias e alegrias, ouvir quando preciso improvisar e modificar a aula prevista porque não é para aquele momento...Quando comecei a desenvolver essa qualidade pude extravasar o prazer e o amor em ensinar.Aí está algo que acho indispensável para ser professor: amor.Sem esse sentimento , fica impossível vencer as adversidades de nossa profissão.Além disso o amor nos impulsiona,fornece coragem,vontade,dedicação,persistência e paciência.
O sistema que tente nos dominar através do poder e tenta oprimir nossa liberdade de expressão e de pensamento crítico não quer que ajudemos a formar cidadão desse mesmo ideal.E nesse momento precisamos dessa coragem , dessa perseverança em ajudar a desenvolver a capacidade de analisar, criticar,escolher...
Ser professor é também respeitar,conviver e aceitar que somos diferentes (graças a Deus) e portanto nossos alunos não são protótipos e nem sempre serão como gostaríamos que fossem.É necessário aprender a conviver com esse fato e saber lidar com nossas ansiedades e expectativas para que se canalizem em atitudes na busca de melhorias para nossos alunos e nossa satisfação pessoal em estar com eles.
Percebo que estudar, procurar embasamento, tem me tornado mais confiante,mais seguira para defender meu ideal de democracia,solidariedade e convivência.Procuro sempre trabalhar com harmonia ,sem perder o equilíbrio nem o autocontrole, tentando oferecer aos outros o mesmo respeito com que gosto de ser tratada.Estabelecer limites sem ser autoritário,vivenciar os valores humanistas,perceber que a disciplina auxilia na aprendizagem,não ser acomodada e ser grata por cada dia que passamos.Ser professor é ter ética,é acreditar no que diz aos outros e praticar o que diz,ser avesso a hipocrisia ,a falsidade e opressão.Claro que não temos motivação externa para tudo isso,o salário não permite que trabalhemos somente o quanto podemos,sempre precisamos fazer mais para viver melhor.Não temos apoio para estudar ou fazer cursos ,por isso precisamos estar unidos entre nós e com a comunidade.Procurar construir um saber que parta do coletivo,das necessidades reais de nossa comunidade para que possamos obter resultados verdadeiros e vitoriosos, mas principalmente,resultados transformadores.
O sistema que tente nos dominar através do poder e tenta oprimir nossa liberdade de expressão e de pensamento crítico não quer que ajudemos a formar cidadão desse mesmo ideal.E nesse momento precisamos dessa coragem , dessa perseverança em ajudar a desenvolver a capacidade de analisar, criticar,escolher...
Ser professor é também respeitar,conviver e aceitar que somos diferentes (graças a Deus) e portanto nossos alunos não são protótipos e nem sempre serão como gostaríamos que fossem.É necessário aprender a conviver com esse fato e saber lidar com nossas ansiedades e expectativas para que se canalizem em atitudes na busca de melhorias para nossos alunos e nossa satisfação pessoal em estar com eles.
Percebo que estudar, procurar embasamento, tem me tornado mais confiante,mais seguira para defender meu ideal de democracia,solidariedade e convivência.Procuro sempre trabalhar com harmonia ,sem perder o equilíbrio nem o autocontrole, tentando oferecer aos outros o mesmo respeito com que gosto de ser tratada.Estabelecer limites sem ser autoritário,vivenciar os valores humanistas,perceber que a disciplina auxilia na aprendizagem,não ser acomodada e ser grata por cada dia que passamos.Ser professor é ter ética,é acreditar no que diz aos outros e praticar o que diz,ser avesso a hipocrisia ,a falsidade e opressão.Claro que não temos motivação externa para tudo isso,o salário não permite que trabalhemos somente o quanto podemos,sempre precisamos fazer mais para viver melhor.Não temos apoio para estudar ou fazer cursos ,por isso precisamos estar unidos entre nós e com a comunidade.Procurar construir um saber que parta do coletivo,das necessidades reais de nossa comunidade para que possamos obter resultados verdadeiros e vitoriosos, mas principalmente,resultados transformadores.
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terça-feira, 19 de agosto de 2008
conceitos estruturantes
Até então não havia parado para pensar nesses conceitos apresentados.Sempre usamos os termos,mas sem aprofundamento de suas concepções.Tive bastante dificuldade para preencher o primeiro quadro , principalmente no conceito de neoliberalismo.
Os conceitos estão presentes na construção histórica de nosso país e no desenvolvimento de nossa educação, que vem em busca de qualidade, acompanhando essa trajetória. Na maioria do tempo a educação vem atendendo os interesses de quem tem a dominação, o interesse econômico é quem dita as diretrizes , ou seja , a globalização interfere diretamente nos propósitos da educação e não é só no Brasil.
Porém a gora percebe-se a necessidade de desvincular as políticas educacionais em sua execução pelo Estado , para que assim elas não acabem mais uma vez atendendo objetivos econômicos e realmente venham trazer melhoria em sua qualidade, sendo elaboradas , dirigidas e aplicadas por quem realmente por ela em seu objetivo maior se interessa: a comunidade educacional.
Os conceitos estão presentes na construção histórica de nosso país e no desenvolvimento de nossa educação, que vem em busca de qualidade, acompanhando essa trajetória. Na maioria do tempo a educação vem atendendo os interesses de quem tem a dominação, o interesse econômico é quem dita as diretrizes , ou seja , a globalização interfere diretamente nos propósitos da educação e não é só no Brasil.
Porém a gora percebe-se a necessidade de desvincular as políticas educacionais em sua execução pelo Estado , para que assim elas não acabem mais uma vez atendendo objetivos econômicos e realmente venham trazer melhoria em sua qualidade, sendo elaboradas , dirigidas e aplicadas por quem realmente por ela em seu objetivo maior se interessa: a comunidade educacional.
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