quinta-feira, 18 de junho de 2009

educação e autonomia

Na primeira infância,período em que as crianças estão na escola podemos trabalhar com as questões relativas a convivência ,autonomia,liberdade e civilidade.A educação permite e mais que isso,precisa ser campo de reflexão,onde a cada dia busquemos analisar os fatos do cotidiano e suas conseqüências.Levar os alunos a desenvolver ao máximo seu senso crítico para que não sejam joguetes nas mãos de manipuladores que visam apenas seus objetivos individuais onde não interessa se o outro vai ou não estar bem.As crianças conseguem perceber as conseqüências de forma material ou subjetiva e às vezes nas duas formas,mas conseguem faze-lo.Não adianta querermos ficar impondo o que achamos certo,como se fosse uma máxima do universo o adulto dizer o que se deve fazer.Com a expressiva massificação dos meios de comunicação faz-se necessário cada vez mais ,comprovar o que alegamos,mostrar que realmente é o melhor.Isso só se consegue com debates,exemplos e construções coletivas.A educação que nos leva a essas atitudes,uma educação que busque formar pessoas conscientes de seus atos,de suas escolhas principalmente e não só subordinados que digam amém pra tudo e quem sabe mais adiante para algum tipo de violência que nem sequer sabem ao certo porque estão cometendo.É preciso criar regras de igualdade e de cooperação para o bem estar comum mas de modo conjunto,onde todos participem,pensando sobre o que estão elaborando e é esse o verdadeiro sentido da educação.
“A educação só teria pleno sentido como educação para a auto-reflexão crítica. Dado todavia que, como mostra a psicologia profunda,os caracteres em geral, mesmo os que no decorrer da existências chegam a perpetrar os crimes, já se formam na primeira infância, uma educação que queira evitar a reincidência haverá de concentrar-se na primeira infância.”Adorno
Kant diz ainda que o homem é naturalmente selvagem,que primordialmente valoriza sua liberdade e que por isso desde cedo deve freqüentar a escola, pois quanto mais tarde passar a conviver com regras,leis e normas de convivência que o tolhem de sua liberdade total muito mais difícil seria educa-lo,no sentido de viver em sociedade e submeter seus instintos agressivos.
“Entretanto não é suficiente treinar as crianças,urge que ensinemos as crianças a pensar.” Kant

Deficiência mental

Um elemento comum a todas as deficiências mentais é apresentar déficits irreversíveis na atividade mental superior.A pessoa com deficiência é mais lenta para adquirir conhecimentos e isso falando de “velocidades” muito variáveis.São menos eficientes em fazer processamentos,apresentam menores destrezas que se poderia considerar prévias a aprendizagem.A inteligência,como capacidade de aprender e associada a escolarização tem sua medição na psicometria.A idade mental é medida levando em conta o nível de capacidade geral e de aptidões concretas que o indivíduo atingiu em comparação com o nível médio para a sua idade cronológica em relação a maioria das pessoas.Aqui não pude deixar de relacionar com a descrição dos estádios de desenvolvimento estudados e estabelecidos por Piaget,como uma referência para se fazer essa comparação e assim detectar necessidades educativas especiais em nossos alunos.
Uma das características das pessoas com deficiência mental é a dificuldade de tomar decisões.A principio não conseguem elaborar planos,fazer ligação entre pensamentos e atitudes,planejar ações.Por isso a importância da escola como ambiente possibilitador da expressão de vontades e que eduque buscando desenvolver a tomada de decisões.Os deficientes mentais podem apresentar baixa auto estima e grande apego,que são fatores também a serem trabalhados e que podem ser oriundos da visão que as pessoas ao seu redor lhe transmitem,do que demonstram em relação as suas capacidades e habilidades.Assim é mais fácil trabalhar com os deficientes mentais na infância,pois nessa idade as crianças não fazem distinções entre si, e por experiência em minha escola reforço esse parecer.Tem-se que ter cuidado para não criar situações de rotulação,e não é difícil cair nessa armadilha.No ímpeto de proteger ou de ajudar podemos criar efeitos negativos,quando o propósito é justamente evitar a marginalização.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Desenvolvimento moral segundo Piaget

Atitudes violentas são parte do cotidiano de minha escola.Os alunos não as vêm sobre o mesmo prisma que nós professores.Algumas são mais leves outras bem graves.Não sei bem se as classifico assim por já estar me acostumando a elas,ou se por realmente podê-las chamar assim.
Na sala de aula não acontecem com freqüência,pois tento conversar sempre sobre isso e também a presença do professor,pelo menos nas séries iniciais coíbe essas atitudes.Mas não quer dizer que não ocorram.Por exemplo,semana passada,um aluno colocou apelido no outro na sala de aula,o que pra mim já é um tipo de violência,porque foi bem pejorativo.O outro revidou com palavrões e o resultado foi uma briga em sala de aula.Mas o mais comum mesmo é as brigas que ocorrem nas filas,onde um empurra o outro,que esbarra no da frente.Esse por sua vez não sabendo quem deu o empurrão agride o colega mais próximo,que esbarrou nele e foi tão vítima quanto.Daí para socos e pontapés é rápido.O pior mesmo é no recreio,onde acontece as “voadeiras” e as agressões em grupo.Mas segundo os alunos,é só “arreganho”.Percebo nas conversas que tenho com eles,que eles não enxergam a dimensão do que estão fazendo.è como se fosse algo normal,parte natural da sua convivência.Não percebem que podem machucar seriamente um colega e que atitudes assim impedem uma convivência harmoniosa .

Concordo com as duas teses que foram apresentadas como explicação dada por outros professores para esse tipo de comportamento.Realmente o meio violento pode sim afetar o modo de ver os outros.Num contexto em que vale o agora e o ter,em que se vive sobre a dominação de um poder paralelo que induz a conquistar as coisas pela força,cria-se uma cultura de não valorização a vida e aos sentimentos.Alguns alunos também refletem as famílias agressivas que tem,mas não por questões genéticas.Acredito que repitam aquilo que tem como normal,se os pais que dizem amá-los os agridem de forma que não gosto nem de lembrar,porque eles não tratariam assim os colegas que tem por amigos.Essa seria a forma de manifestar seus sentimentos e de reagir quando contrariados,que aprenderam por exemplo dos pais e que passam a reproduzir na escola.

“A escola deve ensinar, principalmente, um comportamento racional e autônomo, a discutir e a avaliar as diferentes soluções, contribuindo dessa forma para uma melhor socialização. Deve fugir principalmente da doutrinação.”

Claro que cabe a nós educadores tentar reverter essa situação,construindo junto aos alunos noções mais humanizadas de justiça e igualdade.É difícil no dia-a-dia manter a mesma palavra e cumprir com as combinações.Muitos desistem e acabam deixando as coisas acontecerem o que resulta na continuidade da violência escolar.

“Mesmo sabendo que a educação moral deve favorecer a colaboração, a argumentação, a reciprocidade e o respeito mútuo, torna-se difícil trabalhar com esses elementos dentro de uma relação quando se tem uma criança habituada à obediência heterônoma. Trata-se de um exercício duradouro e que não pode ser implantado de uma hora para outra."

Mas daí penso que a disciplina é um fator muito importante sem a qual não há ordem.Não quero dizer que seja preciso construir verdadeiros robôs como se os alunos fossem protótipos a serem trabalhados.Mas leva-los a refletir sobre suas atitudes,nas outras formas de resolver seus conflitos (internos e externos) e nas conseqüências que podem surgir positivas e negativas.

“Para Fávero (2005, p. 24-25) A criança precisa viver situações em que sua autonomia
seja fatalmente exigida. Um bom exercício é a organização de regras coletivas, que exigirão
entendimento, acordos e aprovação recíproca.A cooperação passa a ser um exercício de
autonomia e são elementos desse exercício o pensar, o expressar, o dialogar, o refletir, entre
outros que respeitem a participação ativa do sujeito ao ser integrado em um sistema de regras.”

Vejo a violência escolar tão exacerbada, como fruto de uma sociedade conturbada,materialista e onde as famílias estão desestruturadas e perdidas no que diz respeito aos valores que devem passar para seus filhos.Se os ensinam a ser “humanos”,solidários e fraternos correm o risco de desprepará-los para o mundo,que está extremamente competitivo e onde o egoísmo é a palavra chave para o sucesso.

“A heteronomia é a etapa do desenvolvimento moral em que são introduzidas normas
sociais à criança. Essas normas são apresentadas pelo adulto e atuam como parâmetros para a criança agir moralmente. Com o decorrer das relações, se incentivada a reflexão, a criança
passará a considerar as regras que conhece e revalidá-las. Entenderá que as regras são arbitrárias e passíveis de negociação.”

Em nossa escola estamos pensando em elaborar um projeto pedagógico para o próximo ano que tenha como objetivo principal justamente trabalhar a questão da violência.Ainda não começamos a faze-lo também por entendermos que despendi tempo,disposição,estudos e concentração para que tenha estratégias positivas e que proporcionem a sua realização.Há sim uma estigmatização,não só por parte dos professores mas dos próprios colegas em relação aos alunos que agem com violência.A maioria não gosta do que vê,passa ou sofre com esses comportamentos e reage com rejeição.Esse já é um grande ponto de partida para iniciar nosso projeto,pois possibilita conversações,debates e reflexões coletivas sobre o assunto e todas suas possibilidades a partir daí.
A família está cada vez mais distante dos filhos,deixando para a escola o papel também,de construir valores e trabalhar com ética e moral.

“Isso é “coisa que deve vir de casa”, da educação familiar? Sem dúvida. Mas também a escola assume esse compromisso. Um ambiente que reúne grupos, que possui relações de respeito e que tem como fundamento à educação tem a necessidade de saber o quanto contribui para o desenvolvimento moral dos seus alunos – pois esse desenvolvimento também é parte da aprendizagem.”

Não adianta reclamarmos,essa é a realidade.Temos que partir dessa e com essa realidade para melhorarmos nossa convivência e se não aceitarmos essa missão corremos o risco de envelhecer a mercê de adultos sem nenhum princípio, nem compaixão nem valores essenciais para uma sociedade justa,igualitária e fraterna.

“O respeito, diferente da obediência, é um sentimento construído nas relações interpessoais e vivenciado inter e intra pessoalmente. A harmonia nas relações favorece o respeito mútuo (ARAÚJO, 1999).”

Temos casos que ainda fogem a todas essas questões que são caracterizados como desvios de conduta ou de comportamento.crianças que sem causa aparente apresentam grande dificuldade em seguir regras,normas de convivência ou de conter seus ímpetos agressivos.Acho que esses sim,são casos preocupantes pois não é tomada nenhuma providência no auxílio desses alunos,não há atendimento especializado disponível ou acessível e os alunos crescem e fortalecem esse lado de suas personalidades,além de os outros colegas que não tem o entendimento de que se trata de algo que precisa de tratamento,acabem por ver suas atitudes como algo sem conseqüências,criando-se uma visão de impunidade e no processo de formação de conhecimentos em que se encontram,acabar sendo absorvido como natural ou normal.

Quando aprendo?

O texto de Serres vem bem de encontro ao meu modo de ver a aprendizagem.Algo que acontece o tempo todo e que é capaz de transformar nossos pensamentos,entendimentos e porque não,comportamentos.Desde que iniciei esse curso,por exemplo já saí da margem direita do rio e mesmo muitas vezes pensando que poderia me afogar ou que não teria força pra continuar nadando ou ainda que o rio é muito fundo,continuei a travessia,impulsionada pela vontade de melhorar e sempre,mas sempre mesmo,auxiliada pelos colegas e demais envolvidos nessa travessia.O texto usa bastante metáforas, e eu adoro escrever utilizando-as.
Hoje mesmo estava pensando sobre essa jornada que vivemos e que com certeza nos possibilitará atravessar outros rios e porque não,oceanos...Quando chamei a professora de senhora,ela disse-me “senhora não,senhora está no céu”.Mas é tão bom voltar a ser aluno,aprender,ampliar a vista do horizonte e ver além dele também.Saber que quanto mais sei,sei que nada sei hehehe quantos mais retalhos tirar mais encontrarei.E no simples ato de chamar uma pessoa de PROFESSOR encontram-se embutidos todos esses sentimentos.
Concordo com as colegas,é um texto bastante romântico.Mas o que é o romantismo se não a livre expressção do amor,e não aprendemos melhor quando gostamos do professor ou do assunto tratado.
E no sair da passividade,optar pelo esforço,encontramos uma educação que precisa ser repensada,revista no sentido do que queremos alcançar com ela.O que buscamos com as aprendizagens que propomos,estamos conseguindo fazer com que nossos alunos dêem o primeiro passo para atravessar o rio...

terça-feira, 9 de junho de 2009

Autismo na sala regular

O autismo realmente é um assunto do qual não tinha nenhum conhecimento.O pouco que sabia era através do filme,em que o menino decifra códigos e mesmo tendo visto o assassinato dos pais,não consegue colaborar pois não se comunica com as outras pessoas.Uma característica marcante do menino do filme e que é citada nos textos lidos,assim como o hábito de girar objetos.Conforme o texto,vejo que são características de um pequeno número de autistas,essas capacidades especiais.
Para Kanner o autismo é uma síndrome que começa bem cedo no sujeito, com a interrupção das relações ,tornando-o por isso tão grave.
Não encontrou relação com o mental ,nem neurológico nem genético mas também não faz associação entre a qualidade do relacionamento familiar com o desenvolvimento do autismo.Estudos mais recentes apresentam o autismo também aparecendo após os três anos de idade.
As discussões em torno do termo,sua concepção,sua classificação dentro da medicina são grandes,mas suas características permeiam todas essas noções.Os autistas apresentam comprometimentos no desenvolvimento,e disso não se pode separar a questão afetiva.Ao estabelecer relações com o mundo e perceber-se nele,primeiro estádio de desenvolvimento cognitivo,acontece uma ruptura que ocasiona alterações nas suas relações interpessoais,dificuldades de comunicação e um comportamento típico com atitudes repetitivas e interesses muito particulares.
Tenho procurado conversar com as colegas sobre as leituras que fazemos nessa interdisciplina,porque acho que através do cotidiano posso compreender melhor o que estou absorvendo.Assim foi que uma colega de inglês relatou ter em aula um aluno autista.pelo relato dela pude constatar alguns sintomas da síndrome,por exemplo,o aluno tem dificuldades de comunicar-se,quando a professora faz a chamada e chama seu nome ele apenas levanta a mão mas nem sequer a cabeça.A professora sempre o procura com o olhar antes de chamar seu nome,porque já sabe que ele não vai responder.O normal numa turma de sétima série é que troquem de lugar a cada aula,porém esse aluno não o faz,sentando sempre no mesmo lugar.Surpreendeu-se muito a professora,agora após três meses de aula, quando ao fazer a chamada buscou com o olhar,não o viu no de sempre e ouviu o aluno repetir seu próprio nome porém sentado em outro lugar. Ela acredita que de tanto ver os colegas fazerem isso o aluno também se encorajou e fez.
Em outra ocasião,a professora chamou-o para ver seu exercício e lhe explicou que deveria colocar o verbo “to be” para completar uma frase e nas demais,colocar o equivalente em outras formas.O aluno colocou na primeira frase e a professora elogiou.Então ele ao sentar-se para continuar a tarefa escreveu em todas os outros exercícios “to be,to be,to be”,repetindo várias vezes uma resposta que acredito lhe pareça seguramente estar correta.
O autismo é muito individual e para cada criança pode apresentar variável no seu desencadeamento,não havendo uma causa específica para essa síndrome.Acho que na sala de aula o mais preocupante em relação ao autismo é a dificuldade de relacionar-se com as outras pessoas,que gera uma grande dificuldade de o aluno não ser excluído.Essa mesma colega me contou também que os colegas ficavam fazendo zombarias com o menino autista,dizendo que ele era assim porque estaria “doidão”, “fuma muita maconha sora!”.Então ela resolveu ter uma conversa com a turma pois já sabia do assunto e ficaram todos muito constrangidos com o comportamento que estavam tendo.Alguns até foram buscar na internet informações sobre
Autismo para compreender melhor.Realmente não basta a professora estar disposta a trabalhar com a inclusão,nem as leis garantirem acesso e permanência dos alunos ,mas escola,pais,enfim toda comunidade escolar precisa estar aberta,num pensamento solidário para com aqueles que tem necessidades especiais. Acredito que essas atitudes só se desenvolvam a partir de melhores informações.

O que é ser índio afinal??

A confusão na determinação do ser índio ao generalizar todos como povo indígena, começa na época dos grandes descobrimentos. Cristóvão Colombo em um desvio de navegação descobre a América pensando ter chegado às Índias.A partir daí chamou-se todos os nativos daqui de índios e/ou indígenas.essa terminologia passou a identificar todos os índios como um único povo,como se todos fossem idênticos em suas culturas,o que não é verdade.
“Na verdade, cada “índio” pertence a um povo, a uma etnia identificada por uma denominação própria”. Existem diversas línguas, costumes, organização social, que os diferenciam, mas que fazem parte da principal característica dos índios que é justamente a diversidade, o respeito às diferentes formas de relacionar-se com o mundo.
“A riqueza da diversidade sociocultural dos povos indígenas representa uma poderosa arma na defesa dos seus direitos e hoje alimenta o orgulho de pertencer a uma cultura própria e de ser brasileiro originário.”
Os índios já tinham sociedades organizadas e bem sucedidas,com sistemas econômicos e políticos funcionais antes da chegada dos colonizadores europeus e também como as sociedades européias,tem sua diversidade conforme o grupo a que pertencem.As características físicas contribuem para uma generalização etnológica,através dos traços as civilizações posteriores que aqui chegaram continuam identificando os índios como um povo único,com características sócio culturais também únicas.Na busca de uma dominação e de apossar-se do território,os colonizadores europeus depararam-se com nativos dispostos,por sua grande ligação com o território,a lutar por suas terras e então passam a buscar a dominação através de mudanças culturais,na tão famosa “catequização”,proíbem os índios de falarem suas línguas,obrigando-os a aprenderem o português.Por não conhecerem as armas de fogo,são expulsos de suas terras em verdadeiros massacres que atendiam a interesses econômicos.O que se aprendia na escola (ou se aprende?),eu pelo menos lembro,é a parte extraordinária da cultura indígena,no que diz respeito à pintura do corpo,rituais,danças,vestuário,principalmente às lendas e a ligação com a natureza,tudo isso como se os índios fossem todos idênticos e seguissem à risca os mesmos padrões sócio culturais.
Assim com o passar do tempo foi se reforçando a idéia de que ser índio é viver em berço esplêndido,aproveitando os deleites da natureza,como se tudo lhes fosse dado de “mão beijada”,tratando-os como preguiçosos e incapazes de trabalhar,de viver civilizadamente.Ou então são apresentados como seres quase míticos,que vivem a fazer feitiçarias e rituais nas florestas brasileiras.A organização tradicional dos índios onde existem os amigos e os inimigos,não existindo meio termo,que os levou a travarem batalhas entre suas tribos,ou grupos,está sendo trocada pela necessidade que perceberam de organizarem-se na busca pela sobrevivência de seus povos e de suas culturas,de suas identidades.É um processo longo e lento,mas já acontece.Os índios têm seus movimentos organizados,politicamente tem apoio (mesmo que sirvam a alguns interesses particulares) para apresentar seus representantes e falar de seus interesses comuns.Todos sofreram com a colonização européia e todos têm direito a preservar sua história,sua identidade e sua organização sócio cultural.
Acredito que a melhor forma para desfazer os pré-conceitos que ainda existem é o esclarecimento,a multiplicação desses saber,de que os índios não são um povo único que pode ser generalizado.Ao contrário é riquíssimo em sua diversidade,capaz de viver em sociedade organizada e produtivamente. A chamada sociedade civilizada é que tem que aprender a conviver e respeitar a diversidade sem a qual não existe identidade.É preciso tomar cuidado pois atendendo a interesses políticos,reforçados por uma propaganda massificadora,podemos nós também,estarmos sendo colonizados,ao pensarmos que só o padrão de referência estereotipado e apresentado como de excelência é que é bom.Assim quem sabe perdendo nossa capacidade de analisar, criticar,e de formar nossa própria identidade.Através da educação podemos contribuir para desmistificar esses estereótipos feitos aos índios,mostrando a diversidade cultural que existe,e trabalhando com a importância das diferenças numa sociedade e do respeito à diversidade.
“A interculturalidade é uma prática de vida que pressupõe a possibilidade de convivência e coexistência entre culturas e identidades.Sua base é o diálogo entre diferentes, que se faz presente por meio de diversas linguagens e expressões culturais, visando à superação da intolerância e da violência entre indivíduos e grupos sociais culturalmente distintos.”

Reflexões sobre a cultura indígena na prática pedagógica

Quando fui preparar a prática me dei conta que eu pouco sabia para falar da diversidade que existe na cultura indígena.Ano após ano,passamos estudando,enquanto educandos as mesmas teses sobre a vida dos índios,que são seres quase míticos,que vivem na floresta como selvagens,e que pelo que aprendemos todos os povos tem os mesmos costumes e vivem sobre a mesma organização sócio cultural.Quando comecei a ensinar para quarta série,passei a me preocupar com essa questão pois tinha que falar sobre os primeiros habitantes do RS e os alunos acima da idade;série já não se interessavam em pintar o rosto e sair imitando o velho modelo de índio que trazia.Foi a partir daí que percebi o quanto estava enganada em minhas conclusões sobre a vida indígena,e quantos e quantos anos ensinei da mesma forma que aprendi,além de tratar do assunto somente no “dia do índio”.Procurei fazer uma pesquisa e reuni todo material que tinha em mãos buscando formular uma aula que desse início a essa mudança de concepção.
Quando reuni o material referencial teórico para elaborar a aula,fui constatando a riqueza e a enorme diversidade que existe dentro do povo indígena.Começando pela questão da denominação de índios,que passei a explicar para meus alunos de onde havia surgido.Tentei mostrar a eles diversas tribos,com suas organizações,seus rituais e também chamar a atenção para os motivos pelos quais muitos índios vem para a cidade e tentam sobreviver aqui.Trabalhando no que sabem fazer,procuram honestamente manter suas famílias,como a família de Daniel Munduruku.E que em nossa cidade encontramos muitos índios vendendo artesanato,na maioria expulsa de suas terras por desapropriação e outros tantos obrigados a procurar sustento no trabalho urbano pois o desmatamento acabou com seus recursos naturais.Tentei leva-los a conclusão após debates e apresentação de materiais,de que não é porque os índios estão ali na rua vendendo artesanato ou moram em casebres muitas vezes na beira da estrada,que são vagabundos ou bandidos.Também coloquei a luta do Marechal Rondon em prol do respeito ao modo de vida dos índios,e as suas terras para mostrar que já há muito tempo há pessoas que se preocupam com o extermínio das diversas culturas indígenas e do povo indígena,porque são eles realmente os primeiros habitantes dessas terras em que hoje vivemos “por direito”.Além disso,acredito ser importante mostrar que existem verdadeiros heróis que lutam pela humanidade,e não só aquele que eles vem no dia-a-dia,os patrões do tráfico,que há outras pessoas para servirem de referencial e de exemplo,para admirarmos.
Tive muita vontade de conhecer e principalmente de levar os alunos para visitar uma aldeia aqui em Porto Alegre.Como só estou começando a tratar desse assunto,ainda buscarei alternativas para concretizar essa vontade.O resultado com os alunos foi muito gratificante.Pude perceber o quanto eles entenderam a mensagem que quis transmitir através das produções textuais livres.Pedi que escrevessem do que tinham aprendido aquilo que mais significou.E alguns expressaram vontade de conhecer as aldeias,de ver de perto como vivem os índios,aprender sobre sua cultura,e principalmente que ser índio não é só pintar a “cara” e dançar,mas que eles sabem “um monte” de coisas que nós não sabemos.Também fiquei satisfeita com a maioria escrevendo que não é porque eles vivem diferentemente de nós que não são pessoas boas,e que precisamos respeitar aqueles que são diferentes.

sábado, 30 de maio de 2009

Projetos de aprendizagem

Todo ser humano que busca algum objetivo na vida, seja em qual área for se organiza em forma de projetos. Muitas vezes fazemos os projetos mentalmente,prevendo o resultado que poderemos alcançar através da programação de etapas que pretendemos seguir.No caso dos projetos de aprendizagem seguimos os mesmos princípios,quando temos algo em vista para,um objetivo de aprendizagem que queremos desenvolver com nossos alunos.A partir daí,pensamos em etapas,métodos e resultados organizando a construção progressiva dos conhecimentos.Acredito que no cotidiano elaboramos diversos pequenos projetos,no sentido de tempo,mesmo que não os coloquemos no papel.
Entendo o projeto como algo mais amplo, que vise uma construção maior, envolvendo mais tempo, pesquisas, dedicação e interesse.
Esses seriam os projetos de ensino, onde nós escolhemos os assuntos e os solicitamos aos alunos. Quando estava cursando o ensino fundamental,chamávamos esse tipo de projeto de trabalho de pesquisa.Lembro quantas vezes fomos para a biblioteca,individualmente ou em grupo realizar as pesquisas que os professores pediam.Depois fazíamos o resumo do que tínhamos entendido e escolhíamos aquele que tinha a letra mais bonita para passar a limpo e entregar com uma capa belíssima para a professora.Na maioria das vezes ainda tinha o grande dia da apresentação oral para os colegas,onde cada grupo procurava esmerar-se mais que o outro.Realmente é uma recordação muito prazerosa.Hoje em dia não se percebe esse interesse,pelo menos na maioria deles.Muitos estão na escola por causa da bolsa escola,obrigados pelos pais a freqüentarem a aula para não perderem o benefício.Falo aqui da realidade que vivo em minha escola.Qualquer trabalho de pesquisa fica dificultado porque no turno inverso eles estão no SASE ou no Mais Educação,projetos do Governo que proporciona mais uma bolsa.
Ou então não podem sair por causa da violência, por exemplo, na vila que atendemos que está em guerrilha interna, disputa pelo tráfico.
Claro, poderia se pensar que sou pessimista. Mas eu me vejo realista.Numa visão Piagetiana,os projetos de aprendizagem teriam mais sentido para os alunos,talvez assim poderiam demonstrar mais interesse.Só o fator de estimular a escolher um tema já indica que tenhamos confiança em seus conhecimentos prévios.Para os alunos poderia sugerir que o professor valoriza e aceita aquilo que para eles tem importância ou que significa saberes.Algo que estimule a vontade de aprender sobre,a curiosidade em buscar informações e além disso os desafios que surgirão para a conclusão do projeto servirão de incentivo para aumentar os conhecimentos.Na construção das etapas os alunos poderão contrastar e até contrapor o que sabiam sobre o assunto escolhido com o que descobrirão,e assim construir novas aprendizagens.
Fiz um projeto de aprendizagem no ano passado que tratava sobre a consciência negra, a cultura afro brasileira. O assunto foi sugerido pela turma que concluiu saber pouco sobre o tema.Cada grupo selecionou um aspecto para pesquisar e as apresentações foram maravilhosas.Trouxeram artes,história,geografia,música,teatro,linguagem.Mas o mais interessante foi que o resultado apareceu agora que eles estão na quinta série,porque a professora de história ficou impressionada com a diferença dos conhecimentos apresentados por essa turma quando ela tratava da “imigração” africana para o |Brasil.Foi bastante compensador.
Dentro de nosso curso os Pas permitem uma constante troca de informações e conhecimentos, onde são valorizados os saberes e habilidades que cada um de nós traz previamente, como fonte de enriquecimento coletivo, possibilitando um grande entrelace de aprendizagens. Demonstra assim o respeito por nossas experiências,a perspectiva de que através de nossas trocas com os colegas do próprio grupo e os de outros grupos aconteça uma grande integração,onde a busca de novas informações,na conjunta construção de soluções para as questões surgidas indicam a crença de crescimento mútuo pela própria troca dessas experiências.É importante também a questão humana,pois estamos todos envolvidos pelo trabalho,querendo aprender mais sobre um tema que realmente nos interessa,sobre o qual talvez sempre tivemos vontade de conhecer mais e não pudemos faze-lo por “n” motivos.Um vai estar em auxílio do outro,numa cooperação entrelaçada por um objetivo comum mas principalmente pelo sentimento de solidariedade onde todos querem o sucesso de todos,com respeito a divergência de idéias e diferenças nas aprendizagens.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

civilização X barbarie X educação

Lembrei de um fato ocorrido em minha escola essa semana: um grupo de alunos de séries diferentes resolveu “organizar” um “bonde”.Um bonde era inicialmente, um movimento onde várias pessoas se agrupam para dançar e cantar o funk brasileiro.Agora os bondes são utilizados para agredir-se mutuamente,pois um bonde ataca o outro,num confronto/disputa nos bailes funkes. Os alunos da minha escola resolveram reproduzir a violência dos bondes,porém de uma forma muito mais cruel:eles esperavam um aluno passar no corredor entre os pavilhões que eles chamam de “beco” reproduzindo a realidade em que vivem na vila,e aí atacam esse aluno,o grupo todo,em socos,pontapés e o que der.Dando seqüência a leitura do texto vi que Adorno já falava na possibilidade desses movimentos sob uma outra forma,e que da mesma forma como ele relata hoje vemos os arrastões,as gangues e os ataques das torcidas “organizadas”.É um assunto com certeza muito profundo pois exige análise de muitos fatores.Em alguns casos se poderia dizer que as atitudes desses jovens são reproduções do meio violento em que vivem.Mas porque ,se não lhes agrada,reproduzem essa violência?O que os leva a esse comportamento massificado para a crueldade para com outros seres humanos?No caso do nazismo,a violência tinha uma intenção,afinal africanos,poloneses,tchecos e outros europeus foram consideradas raças inferiores que precisavam ser dominadas e os judeus e ciganos raças que deveriam ser eliminadas.Assim ocorreu o massacre de seis milhões de judeus.Que fique bem claro,não concordo com essa idéia nem com as atitudes,apenas tento iniciar uma compreensão dos fatos.Dessa forma o próprio Hitler acreditava estar fazendo o que era certo.Outras formas de violência e crueldade acontecem todos os dias em culturas consideradas civilizadas.desde o tempo da escravidão dos negros africanos que se perpetua numa tortura histórica e permanente através do preconceito e do racismo,às próprias crueldades que vieram à tona com os dalits por causa da novela do momento,as mães chinesas que são obrigadas a abortar seus bebês se forem meninas e já tiverem uma na família...Não são assim também formas de barbárie?E em todos os casos as barbáries provem de pessoas consideradas civis,cidadãos e portanto civilizados,algumas vezes porque as pessoas acreditam que faz parte de sua cultura.Para sermos considerados civilizados é preciso saber viver em sociedade,conviver com os outros,respeitar as regras definidas coletivamente.Então porque essas pessoas agem com tanta frieza desrespeitando o principio ético primordial,da valorização da vida?As pessoas que seguem o nazismo,os bondes e todos outros tipos de violência em massa não enxergam semelhantes mas coisas e talvez se sintam também objetos e podem assim,ser manipulados por outros.Poderia dizer que “Freud explica” com a superposição do id,que não conhece barreiras e se extrapola em violência. Mas e a resignação coletiva,que atende ordens e orientações de um líder completamente bárbaro e cruel,de onde provem,como se instala,como o indivíduo se torna parte disso? “A sublimação pode não ser alcançada e em seu lugar surgir uma perversão social ou coletiva,uma loucura social ou coletiva.” ¹Se os que cometem esses tipos de crimes consideram os que são vítimas como os próprios bárbaros,onde está à compreensão de certo e errado que a sociedade civilizatória nos impõe?Penso que essas pessoas delegam poder a determinado líder por quererem elas serem o próprio líder,porque desprezam a liberdade e a trocam por algo que lhes interesse,nem que seja o poder de dominar.Hitler por exemplo,foi eleito em eleições livres e diretas,para depois dar o golpe nazista e ofereceu para ser eleito à salvação da classe média e da burguesia de uma possível revolução dos operários.Essa é a natureza do ser humano,agir por interesses,com egoísmo vamos utilizando as pessoas e coisas para atender aos nossos desejos.As pessoas vivem constantemente oprimidas na sociedade,pelos princípios éticos,pela qualidade ou pelo modo de vida que são obrigadas a levar,pelas regras que funcionam só para uns,a competitividade exacerbada de uma sociedade que vive pelo ter e não pelo ser,provocada e alimentada por propagandas e uso de meios de comunicação em massa.Esses meio que desvalorizam o refletir,o pensamento crítico,a busca de informações,que desinformam ou transmitem as informações de acordo com os interesses de seus proprietários e de seus interesses econômicos e/ou políticos.Só podemos participar de discussões e decisões políticas se possuirmos informações corretas sobre aquilo que vamos discutir.Todos nós temos uma consciência,a forma própria como vemos,percebemos e valorizamos o que está a nossa volta.Essa consciência desenvolve-se conjuntamente com nossas experiências de vida,é própria,individual e particular.Então a educação em seu sentido mais profundo,formar cidadãos críticos,autônomos e livres tem real importância e valor na formação dessa consciência.Do jeito que nossa sociedade se encaminha não podemos mais negar nossa participação e nem tão pouco querer continuar vivendo de uma visão conteúdista que até cabia quando na nossa cultura as famílias eram “bem estruturadas” e possibilitavam as crianças desde cedo,em sua maioria,aprender valores éticos e nos traziam com sua afetividade a sensação de sermos amados e respeitados pelo que somos.Hoje em dia cada vez mais as famílias estão desestruturadas e aquelas que ainda se mantém criam mecanismos de defesa que muitas vezes fogem à moralidade.Gostemos ou não,temos grande participação na tentativa de evitar novos Auschwtiz porque através da educação para a liberdade de escolha,mostrando por um trabalho que desenvolva a capacidade crítica ao máximo possível das alternativas,do que pode ser certo e errado,da valorização da vida podemos ajudar a formar cidadãos autônomos.Cidadãos esses que não se deixem submeter sem questionar,que tenham responsabilidade por seus atos e que não aceite qualquer tipo de violência contra si ou contra seus semelhantes,enfim que desenvolvam suas próprias regras de conduta e as sigam.A educação reflexiva pode proporcionar essa visão humanizada de nós ‘seres humanos,’o que as pessoas envolvidas nos tipos de crueldade e violência que tanto nos afligem parecem não ter.Quando conversamos com os jovens envolvidos no acontecimento do bonde,alguns culparam os colegas,outros disseram apenas estar acompanhando outro e até disseram que estavam de “arreganho” (brincadeira) como se o aluno agredido não sentisse dor ou não tivesse direito de não querer ser agredido.Acredito firmemente que nossa escola precisa urgentemente rever seus conceitos,no que baseia seu currículo e que objetivos pretende com ele.Porque vejo a cada dia mais e mais alunos sem capacidade de discernimento,querendo extrapolar e externar uma pressão que sofrem em algum aspecto de suas vidas e que a maioria dos professores não oferece outra coisa se não mais e mais repressão,como se a forma de terminar com esse problema fosse simplesmente “conter os alunos” em aula.De nada adianta ficarmos no discurso de que quem tem que dar princípios é a família,se sabemos que ela já não o faz mais em muitos casos e que a educação oferecida na escola seja possivelmente também para muitos casos,a única oportunidade de aprenderem a exercer sua autonomia,conhecerem a afetividade e serem livres para fazerem suas escolhas.

estadios de desenvolvimento segundo Piaget

Estádios do desenvolvimento segundo Piaget
Estádio sensório motor – 0 a 2 anos
Representa a conquista,através da percepção e dos movimentos, de todo o universo prático que cerca a criança.
Tem três estágios:O dos reflexos, o da organização das percepções e hábitos e o da inteligência sensoro motor propriamente dita.
• Construção de esquemas para assimilar o meio;
• Inteligência prática até o aparecimento da linguagem;
• Noções de tempo e espaço construídas pela ação;
• Contato com o meio direto e imediato;
• O sujeito não se conhece nem como fonte de suas ações;
• Começa a se conhecer como fonte de suas ações ou mesmo senhor de seus movimentos,fazendo uma reação circular onde o exercício em lugar de se repetir, incorpora novos elementos, constituindo com eles totalidades organizadas mais amplas, por diferenciações progressivas.Basta que os movimentos atinjam a um resultado interessante para que o sujeito reproduza logo esses movimentos.
• Tendências instintivas;
• Acontecem processos como construções de categorias o objeto e do espaço, da causalidade e do tempo,como ação pura e não como noções de pensamento.
Estádio pré-operatório - 2 a 7 anos
Desdobra-se em dois períodos:simbólico e intuitivo , suplementando a lógica pelo mecanismo da intuição.A característica das intuições primárias é a rigidez e a irreversibilidade.Acontecem novidades afetivas como o desenvolvimento dos sentimentos interindividuais,aparição dos sentimentos morais intuitivos e as regularizações de interesses e valores.
• Período simbólico, a função simbólica se manifesta sob formas distintas – imitação deferida,desenho,imagem mental,jogo simbólico,sonhos e devaneios;
• Pensamento egocêntrico,não é capaz de lidar com idéias diferentes das suas em relação a um determinado tema, permanece inconscientemente centralizado em si mesmo;
• Aparecimento da linguagem através da capacidade de pensar;
• Começa a representação da realidade;
• A socialização das ações,aparição do pensamento propriamente dito,tendo como base a linguagem interior e o sistema de signos;
• A criança não fala só as outras,fala-se a si própria em monólogos variados;
• Não aceita a idéia do acaso,fase dos “porquês”;
• Se deixa levar por aparências,sem relacionar fatos.
Estádio operatório concreto – 7 a 12 anos
Aqui as discussões tornam-se possíveis,porque comportam compreensão a respeito dos pontos de vista do adversário e procura de justificações ou provas para a afirmação própria.Ao coordenar as articulações e retroações chegam a uma reversibilidade suscetível de trazer retrospectivamente o curso do tempo e garantir a conservação dos pontos de partida.É a passagem da intuição a lógica.
• Conversão do egocentrismo primitivo, tornando-se capaz de novas coordenações, que serão da maior importância,tanto para a inteligência quanto para a afetividade.
• Para a inteligência trata-se do início da construção lógica;conquistas do pensamento de tempo,da causalidade,de conservação e esquemas gerais do pensamento;
• Explicações por identificação;
Estádio operatório formal – a partir de 11 a 12 anos
O sujeito terá à disposição instrumentos oriundos do plano das possibilidades, os quais permitem estabelecer relações entre teorias, produzindo nelas transformações. As construções operatório-formais oferecem “uma teoria das relações entre si. A inteligência operatório-formal, ao contrário, cria um mundo de possibilidades de cujo conjunto o real é apenas um setor limitado. O operatório-formal permite trabalhar com o pensamento hipotético-dedutivo e estabelecer relações entre diferentes teorias.
• As operações lógicas começam a ser transpostas do plano de manipulação concreta para o das idéias,expressas em linguagem qualquer mas sem o apoio da percepção,da experiência,nem mesmo da crença;
• Livre atividade da reflexão espontânea;
• Abstração;
• Idade metafísica:o eu é forte bastante para reconstruir o Universo e suficientemente grande para incorporá-lo;
• O adolescente graças a usa personalidade em formação,coloca-se em igualdade com seus mais velhos,mas sentindo-se outro,diferente deles,pela vida nova que o agita,quer transformar o mundo;
• O conhecimento ultrapassa o próprio real para inserir-se no possível e para relacionar diretamente o possível ao necessário sem a mediação indispensável do concreto.

Referências bibliográficas
• Piaget,Jean. Seis estudos de psicologia. Rio de Janeiro: Forense, 1986.
• ___________.A epistemologia genética.Rio de Janeiro:Vozes,1973.
• Elkind,David. Desenvolvimento e educação da criança.Rio de Janeiro:Zahar,1978.

valores éticos

Temos capacidade por conta de nossa consciência para refletir diante de situações e conflitos como esse do professor que aparece no filme “O clube do imperador”, escolhendo uma opção após pesarmos bem nossas motivações pessoais e até que ponto é válido transgredirmos as regras pré-estabelecidas. Digo isso porque me vi no papel do professor,quantas vezes pensei em dar aquele “décimo” para completar uma nota e aprovar algum aluno com base na minha compreensão de que determinado aluno pelo seu esforço já seria merecedor.mas e os onde está a verdadeira aprendizagem desse aluno?E os outros que conseguiram alcançar os objetivos? No que contribuo para o crescimento de um aluno se o ajudo a vencer etapas em que ele não está realmente preparado para passar?A decisão do professor avaliada friamente, como manda a moral, embora carregada de boa intenção, na verdade não foi correta. O professor tomou sua decisão impelido pelo instinto,pelo sentimento e não pela razão.Faltou com a justiça em relação aos outros alunos que tanto esforçaram-se ,desconsiderando seu mérito em detrimento daquele aluno.Falhou na verdade quando escondeu sua decisão e alterou uma avaliação e aqui entra também a questão da honestidade.Agindo dessa forma não foi imparcial e tomou a defesa de um determinado aluno e analisando talvez o reflexo dessa decisão no caráter do aluno mas não percebeu que ele não tinha a dignidade necessariamente desenvolvida para prosseguir se esforçando.

terminologia em necessidades especiais

A discussão sobre a terminologia a ser empregada para denominar os alunos com necessidades educacionais especiais é importante e perpassa os documentos legais que tratam do assunto.É importante porque facilitará o trabalho para a inclusão desses alunos,auxiliando no direcionamento comum de esforços ao se definir quem realmente precisa de atendimento especializado.
Outra atitude valiosa é o estudo de como e de quais modificações e/ou ajustes é passível o currículo escolar para melhorar a educação especial.
A bem da verdade a educação especial está presente nas políticas públicas relacionadas á educação,mas de fato ainda está longe de ser algo concreto.Conheço escolas que inclusive tem cadeirantes e não tem ainda acesso para eles.A verba que é repassada a uma dessas escolas é de trezentos reais (segundo a diretora) e mal dá para a merenda.Os professores precisam compreender que a preparação para melhorar a inclusão dos alunos com necessidades especiais parte deles (de nós) mesmos e não está mais restrita á algum profissional específico ou mais “qualificado” para a função.
O acesso sob forma de matrícula está garantido e acontece realmente,o que ainda falta é melhor preparo das escolas para proporcionar aos alunos com necessidades educacionais especiais que se sintam inseridos,participantes e possam desenvolver plenamente suas capacidades.
A verba que vem do governo federal, por exemplo,na minha escola é utilizada para projetos que visam a maior aprovação e também a permanência dos alunos em turno integral na escola.Enquanto isso as salas de aula regulares vão dia após dia sofrendo com a pressão em que convivem alunos e professores.Os alunos por serem evidentemente excluídos,quer no trato, quer no aprendizado e os professores por não terem apoio nem condições de trabalharem para incluir os alunos com necessidades.Assim cotidianamente vivem uma rotina de inadequação e insatisfação,pois não tem condições para vivenciar o contrário.
Mas como destinar uma verba maior ou específica porcentagem desta para a melhoria das condições de permanência se não existem dados que comprovem o número expressivo de alunos com necessidades educacionais especiais nas escolas,pois não é feito um levantamento das matrículas desses alunos.Aqui volto ao tema inicial,a discussão acerca de quem pode ser considerado como aluno com necessidades educacionais especiais,no que as escolas ainda não o fazem,talvez por ser algo que cause polêmica e que não esteja bem definido,já que as próprias leis e documentos sobre a educação especial ainda usem termos diferentes ou sem uma adequada definição.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

idade X desenvolvimento

Não creio que a idade seja um critério suficiente para determinar o período do desenvolvimento intelectual que uma criança se encontre.Concordo com David Elkind quando diz que o termo estágio,no uso empregado por Piaget ,designa um modo de comportamento numa seqüência necessária de comportamentos que está relacionada com a idade mas não é pó ela determinada. Mas existem fatores que podem interferir nesse desenvolvimento,dissociando suas características da idade própria.Por exemplo,deficiências e transtornos mentais,problemas psicológicos,emocionais ou do meio e até falta de estímulo.Em minha sala de aula tenho alguns alunos que não estão por exemplo no estágio acima citado,embora tenham entre oito e onze anos.
Cada criança é única e embora os estágios sirvam de referência para observarmos não são uma generalidade,no entanto nos permitem ao observarmos algo fora do desenvolvimento regular de cada estágio a auxiliar aqueles que estiverem precisando e trabalhar com suas capacidades e limitações.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Garantido tanto pela LDBE – 96 como pela Resolução CNE/CEB – 2001 o serviço especializado é existente na escola,através da Sala de Recursos,mesmo os alunos com NE freqüentando a aula comum.Tem-se consciência da garantia em Lei de se poder fazer um currículo que contemple inclusive avaliações específicas para esses alunos,com métodos e técnicas de ensino apropriadas,porém, efetivamente não acontece.Os alunos freqüentando a classe comum são atendidos como os demais alunos e também assim avaliados.Esse ano percebo um grande avanço nesse sentido,no meu ponto de vista isso aconteceu porque a professora da SIR estava envolvida com o projeto “Mais educação” no ano passado,assim que chegou à escola.Esse ano tendo mais tempo e disponibilidade tem-se dedicado ao auxílio das professoras das séries iniciais no sentido de construir esses mecanismos de apoio aos alunos com NE,já que na escola por exemplo, temos uma turma com 19 alunos onde 12 foram diagnosticados (mesmo sem laudo médico) como especiais,já não estando distribuídos nas turmas e sim aglomerados na mesma sala .Também o caso de um aluno que coloquei no Dossiê,com 16 anos na quarta série e após várias repetências,esse ano foi encaminhado ao COPA,serviço de atendimento especializado aos portadores de NE.Esse é um dos órgãos que oferece educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística,intelectual ou psicomotora;assim como o CAZON.
Em conversa cotidiana com os colegas,posso concluir que não se sentem capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns,pelo contrário,sofrem a angústia de não saber o que fazer ou como agir,mas também não procuram fazer uso dos direitos assegurados na Leis.
A matrícula é garantida aos alunos com NE e isso realmente acontece na escola,até porque as vagas são via SEC,assim já chegam com a freqüência garantida.Realmente fica a critério da escola organizar-se para atender esses alunos,o que não acontece naturalmente.Essa organização tem sido lenta,posso dizer isso porque estou nessa escola há quinze anos e só agora vejo alguma atitude em prol dos alunos com NE,mas principalmente de tanto os professores pedirem auxílio e reclamarem.
Tem-se na escola também uma Sala de Altas Habilidades,que desenvolve um trabalho maravilhoso,porém não era muito bem aceita até então porque os professores consideram mais necessário o atendimento aos alunos com dificuldades de aprendizagem,que é em número muito maior,como já foi citado chegando às vezes a ser a maioria da turma.Então mesmo correndo riscos a SAH é utilizada para auxiliar nos desvios de comportamento também ,o que na escola acontece em grande proporção,principalmente na questão da violência.
Não se vê o apoio dos órgãos estaduais,nem municipais de saúde que deveriam por Lei estar dando assistência.Nos órgãos relacionados à saúde é muito difícil conseguir atendimento,nos postos de saúde,nos hospitais públicos os pais reclamam da demora e da espera por uma simples ficha muitas vezes de triagem.
A escola não tem alunos com deficiência mental ou com graves deficiências múltiplas,nem com necessidades especiais físicas.Não sei se por não haver no entorno ou por ignorância dos pais em seus direitos à escola.Mas a escola possui rampas de acesso nas passarelas,na entrada e nos banheiros e alguns desses são adaptados.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Fórum pela Inclusão Escolar
Foi lendo o livro que foi elaborado a partir do Ciclo de Debates Inclusão Escolar:práticas e teorias,ciclo esse realizado em 2008 em Porto Alegre,que percebi as tentativas de nossa cidade em avançar na inclusão escolar.Foram criados os Laboratórios de Aprendizagem,as salas de Recurso,as Turmas de progressão,o sistema de ensino por ciclos,todos aplicações na tentativa de constituir uma escola verdadeiramente inclusiva.Quando o município se articulava nesse propósito o MEC propôs transformar as escolas especiais em centros de atendimento .Aí foi de suma importância à atuação da comunidade escolar envolvida na inclusão,através da realização de muitos encontros,passeatas,documentos e outras formas de contestação onde conseguiram reverter a proposta do MEC e retirar de seu texto de políticas para a educação especial a transformação das escolas em centros.Pelo que entendi foi a partir daí,que sentindo a necessidade de unir forças,de criar elos que surgiu o Fórum Municipal pela Inclusão Escolar,onde se discute o tema gerador e se troca experiências em busca de políticas que causem melhoria da inclusão nas escolas do município .O primeiro Fórum aconteceu ano passado,2008 com a participação de diferentes instituições e pessoas e após um Ciclo de Debates sobre a inclusão escolar.esse Fórum é composto pela Comissão de Educação,Cultura,Esporte e Juventude da Camara Municipal de porto Alegre (CECE),SMED,1ª CRE ,Associação de Trabalhadores em Educação (ATEMPA),Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência,representantes da Sala de Integração e Recursos (SIRs) da SMED,dos professores e pais dos alunos de Escolas Especiais.
São ações do Fórum pela Inclusão Escolar:reuniões mensais;organização do Ciclo de Debates e Encontro de Pais;propor,sistematizar e encaminhar as deliberações coletivas surgidas nos diferentes espaços de discussão.O Ciclo de Debates tem como proposição o diálogo e o aprofundamento teórico a respeito do inclusão de alunos com deficiência nas Escolas Regulares e Especiais.
Com o tema: Inclusão Escolar –Práticas e Teorias, o Ciclo se constituiu num conjunto de relatos de experiências ,considerações teóricas e debates entre os relatores e o público,num total de cinco encontros ao longo deste ano,todos sobre os desafios propostos pela Inclusão Escolar.
Forma feitos os seguintes relatos ,nessa ordem:
De professores que atum nas Salas de Integração e Recursos do Município de Porto Alegre e da Escola Regular,apontando as conquistas e dificuldades encontradas nesse processo.
Da Educação Infantil e da EJA também implicados com a inclusão escolar.
Das assessorias da SMED apresentando um pouco da trajetória e organização institucional.
As Escolas Especiais do Município,a Escola Bilíngüe e um representante do segmento de pais contribuíram com seus relatos,experiências e considerações sobre suas trajetórias ,alternativas e desafios para acolher e garantir atendimento aos seus alunos.
Os professores das Universidades contribuíram teoricamente aceitando o desafio de dialogar com os profissionais das diversas escolas ,suas famílias e todos os interessados.
Todos os relatos foram acompanhados por uma reflexão teórica proposta por um debatedor convidado.

“Desta forma fazemos um registro de um marco importante na história da educação em nossa cidade,pautados na ação e reflexão de práticas pedagógicas que fazem da diferença pontos de partida para a construção do conhecimento.” Rejane Caspani Dubois (coordenadora do Fórum pela Inclusão Escolar)

Referência bibliográfica:
Inclusão Escolar:práticas e teorias / organizadoras Isabel Letícia Medeiros,Salete Campos de Moraes & Magali Dias e Souza – Porto Alegre:Redes Editora,2008.

sábado, 11 de abril de 2009

Pude perceber que todos nós temos uma preocupação em comum:garantir a aprendizagem dos alunos especiais.Ou seja,a lei existe mas não basta tê-la,ela só garante a inclusão e também não basta só a gente acolher essas crianças.No meu entendimento o ideal seria que nós trabalhássemos em conjunto com especialistas e tivéssemos recursos necessários.Mas o que sinto é que não temos apoio por parte da secretaria de educação,já que não vivemos uma política transparente ,em se tratando de nosso Estado.Nossas escolas estaduais,que é a realidade na qual atuo,não dispõem de autonomia suficiente para tomar atitudes em que possam definir as prioridades em relação à inclusão.Por exemplo quando se abriu uma sala de recursos na minha escola,achei que teríamos uma orientação e poderíamos juntos aprender a melhor forma de proporcionar aprendizagem aos alunos com necessidades especiais.Mas segundo a SEC para ter acompanhamento na Sala,o aluno precisa de um laudo.E mais uma vê digo:quem diz que os pais têm?Culpa deles?Então se vocês acham, isso tentem conseguir uma consulta num posto do SUS...Aí,sem laudos,a nossa escola,mesmo cheia de casos de inclusão teve a sua professora da sala de recursos “dividida” com outras escolas do entorno,nos sobrando pouquíssimo tempo para os nossos alunos.É uma completa incoerência.Acaba sendo muita carga emocional para um professor,afinal a gente sempre se envolve e quer fazer o melhor pelos alunos,esbarrando na burocracia entre outros fatores,que acabam impedindo que o que está garantido por lei,se torne efetivo.E ainda temos que ouvir que ou não temos boa vontade ou estamos com medo!
“Um governo ou uma escola que dizem promover a inclusão e não destinam verbas a ajudas técnicas,à compra de materiais adequados ou a alterações arquitetônicas para criar acessibilidade não estão pensando em inclusão.” Claudia Werneck

Novas concepções

dentificando epistemologias
A possibilidade de realizar o curso de pedagogia, na forma como este está sendo conduzido, leva-me a uma profissão mais reflexiva e consciente de suas responsabilidades.Lendo minhas respostas percebo nitidamente o crescimento que realizei ao longo desse percurso.Percebo também a importância de olhar para si mesmo,de questionamentos do tipo o que estou fazendo aqui,para que estou indo a escola hoje,amanhã...O que espero do meu aluno da forma como estou desenvolvendo meu trabalho...Conhecimento traduz idéia,informação,conhecer.Mas mais ainda vejo conhecimento como tomada de consciência,percepção de que algo existe e pode ser inserido em cada universo individual e/ou coletivo.Posso ainda considerar conhecimento como experiências,se delas nascerem novas informações e sempre nascerão pois a cada situação que se apresenta o sujeito encontra uma forma ou várias de resolvê-la.Mas não adquiridas e sim vivenciadas,na forma de experimentar,participar,estar envolvido.
A maioria dos professores acaba ensinando de forma muito parecida com aquela que aprendeu,mesmos métodos ou mesma forma de trabalho,muitas vezes não levando em conta as pessoas que estão ali,as diferentes diferenças culturais,sociais , familiares,de aprendizagem entre outras, que encontramos numa sala de aula,sem refletir em como está conduzindo seu trabalho.Sinceramente, acho difícil desenvolver um bom processo de ensino aprendizagem nas turmas que temos atualmente,onde encontramos mais de trinta alunos e muitos com necessidades especiais que precisariam de um atendimento mais adequado,onde se trabalha de uma única maneira para atender trinta ,quarenta formas tão diferentes de entender o mundo e de aprender.Digo isso porque vejo na minha turma essa situação.Aquilo que cada um traz como conhecimento prévio torna muito diversificado o conhecimento que se quer alcançar com a turma.Poderíamos então solicitar que uns auxiliassem os outros,num aprendizado coletivo e solidário?Logicamente,se os alunos trouxessem valores e limites de suas famílias que os orientassem nesse sentido.Porém o que vemos são famílias cada vez mais desestruturadas,sobrevivendo numa sociedade consumista e egoísta,que desvaloriza o saber em detrimento do ter.Delegam e até imputam à escola e ao professor,um papel que deveria ser da família.Lidar com as diferenças econômicas e sociais e com o “déficit cognitivo” não me parece o pior dos problemas,mas com a desvalorização da educação,a banalização da violência e a corrupção dos valores sim.
Não me considero atuante da epistemologia empirista,pois não sou autoritária,nem exijo silêncio integral.Porém acredito firmemente que a disciplina é fundamental em qualquer organização,sem disciplina não há progresso.No meu ponto de vista a atenção,a concentração são fatores necessários ao aprendizado.É preciso estar envolvido na situação apresentada para apropriar-se dela.Isso não acontecerá de forma repetitiva e maçante,sem nenhuma transformação ou novidade,obviamente.Como posso ignorar o conhecimento que meu aluno traz se é a partir e por meio dele que vamos ampliar esses conhecimentos?
Falo de disciplina,atenção,concentração porque não acredito num aprendizado sem direcionamento.Até para aprender a falar precisamos ouvir outras pessoas falarem,aprendemos os conhecimentos prévios com alguém,geralmente isso se processa na família.Por isso também muitas vezes a bagagem de nossos alunos nos choca tanto,nos angustia até.Um aluno meu juntamente com sua mãe e irmã,chutaram tanto a cadelinha deles,prenha,porque o animal havia matado uma pomba amarrada pela pata,que a cadelinha perdeu todos os filhotes.Questionei a atitude e a resposta foi simples,bateram nela porque ela fez algo que não devia.Quantos valores podemos perceber perdidos nessa situação?Como essa família soluciona seus problemas,que conhecimentos esse menino traz consigo para a escola,para o convívio com os demais,como se processa seu aprendizado,o que tudo isso opera nas suas atitudes na escola?Vamos testar a teoria apriorista e deixar esse menino,aprendendo por si mesmo,sem direcioná-lo,sem levá-lo a uma reflexão,a novos conhecimentos e opções de ser cidadão? Aqui é de suma importância avaliar o fato,os conhecimentos apresentados,a bagagem desse menino e principalmente a partir daí levá-lo a uma reflexão,que o possibilite novas opções de resolver seus problemas. “A consciência é, segundo Piaget, construída pelo próprio sujeito na medida em que ele dá coordenação de suas ações,(Becker)”.
Sempre coloco em meus trabalhos aqui do curso que fico muito feliz ao refletir sobre minhas atuações nesses anos de magistério, porque percebo que minha profissão é um dom,mesmo agindo por intuição na maioria das vezes acertei.Mas essa intuição vem de minha bagagem,também de valores que aprendi em minha família e com meus professores na escola.Melhorei muito estudando e pretendo melhorar ainda,aprimorar-me,aperfeiçoar-me,mas minha satisfação está em perceber que estou no caminho certo.Sempre tive comigo que o aluno não é estanque,algo vazio que eu “detentora do saber” daria a honra de preencher.É preciso encontrar meios de levá-los a refletir,a exercitar o cérebro como costumo brincar com eles,interagindo com as situações apresentadas,afinal são capazes de aprender sempre.Cada ano que inicia,busco conhecer o meio que vivem meus alunos,mesmo sendo quase todos da vila,não são iguais suas bagagens,as famílias apresentam muitas diferenciações em suas crenças,histórias de vida,culturas e até em valores.A partir daí começo a construir minha proposta de trabalho,aprendo a forma de falar,algumas expressões,atitudes,até hábitos de vestir e cortes de cabelo tem significado e representam códigos,tem simbolismos e importâncias que se a gente não conhece,não entende.E se não entende não aceita e não consegue conviver,orientar e conduzir o aprendizado,a aula e o crescimento reflexivo dos alunos.Não tratar os hábitos culturais ou a forma de vida deles como algo feio,sujo,sem valor ou menosprezível,como se só meu modelo de vida fosse o ideal,ou seja, respeitando.Porque eu quero que eles pensem no que estão fazendo,porque estão fazendo se é essa a melhor e única maneira de agir e de que forma essas atitudes atingem nosso coletivo,e ate onde esse coletivo tem significância em nossa vida.Permito-me agir assim e não perder de vista os conteúdos programáticos,não é fácil mas não é impossível.Ainda tenho mais dez anos pela frente em sala de aula antes de me aposentar se nada diferente ocorrer.Então preciso me adaptar a essa nova realidade,questionar os rumos da sociedade junto com os alunos,até que ponto é essa trajetória que queremos,onde queremos chegar agindo assim,como será nosso futuro com esse presente que construímos dia-dia,o que realmente importa para nosso crescimento enquanto pessoas? Não adianta ficar só na angústia,reclamando e esbravejando contra o sistema.
Por todos esses argumentos me considero uma atuante da pedagogia relacional,legitimada pelo construtivismo,que no decurso das atividades consegui ampliar minha compreensão de conhecimento e aprendizagem.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Educação de qualidade?

Lendo o texto sugerido,não pude deixar de pensar como até hoje a sociedade acredita que o ensino oferecido pelas redes particulares é de melhor qualidade que o das redes públicas.É fácil entender porque,se na história da nossa educação o ensino particular sempre foi sustentado e direcionado para que o filho dessa sociedade mais economicamente privilegiada tivesse melhores condições de sucesso na vida.Assim criou-se uma cultura de que quem freqüenta escolas particulares está mais bem preparado para a vida que os demais.Isso acontece mais notoriamente nos vestibulares.Quem consegue passar num concurso de universidades públicas,gratuitas,na sua maioria são pessoas que puderam cursar uma escola particular,não precisaram trabalhar e portanto têm mais tempo para preparar-se para e também tiveram condições de freqüentar um curso preparatório.Aqui podemos ver também a influência da igreja não só na história do Brasil como um todo,mas principalmente de sua educação.Mas é preciso analisar porque a rede pública causa essa impressão,de quem tem menos estrutura ou oferece menos qualidade em seu ensino.Chamou-me a atenção o fato de que a educação em sua estrutura depende da condição econômica de seu estado.Mas o RS é com certeza um estado muito bem desenvolvido,temos recursos para garantir uma educação de qualidade,além daqueles que advém da União,a questão é se estão esses recursos sendo devidamente aplicados.

gestão democratica

Para falarmos em gestão democrática escolar é preciso refletir sobre a concepção de democracia que trazemos conosco.A principio pode parecer algo concluído,completo,como se fosse algo estanque.mas a democracia é um processo constante,que acontece gradativa e coletivamente.Depende principalmente da participação efetiva das pessoas enquanto grupo social e organizacional.Assim,estendendo essas noções à escola torna-se mais claro o processo de gestão democrática.Acredito que essa seja a expressão mais adequada para esse processo.
É preciso no entanto para que isso aconteça que a comunidade escolar,com todos seus atores,participe na tomada de decisões,ocupe seus espaços de direito,haja visto quer no sistema educacional que atuamos,esses espaços existem.A presença dessa comunidade,buscando conhecer a escola,estabelecer prioridades e reais necessidades,até pedagógicas,discutindo os problemas e buscando soluções é primordial para o exercício democrático,que depende de ações mediadoras entre a sociedade e a escola.Toda essa reflexão,participação e atuação não significam que os grupos chegarão logo a um consenso.É certo que haverá conflitos,oriundos das diferentes formas de ver,pensar e entender o mundo e afirma como cada um melhor entende como solução.Mas por ser um processo em desenvolvimento constante,quanto mais exercitarmos a democracia e a participação mais nós aprendemos.Ou seja “aprendemos fazendo”,ouvindo com o coração e a mente abertos às opiniões divergentes e diferentes da nossa,num processo progressivo.

realidade,crítica e reflexão

Percebo que instrumentos e caminhos para uma melhor qualidade de ensino,para desenvolver planos de trabalho que direcionem a escola na busca de uma melhor qualidade de vida individual e social para os educandos existem.Mesmo em meio a disputas políticas e de poder,os meios são oferecidos.Precisamos sim estar sempre atualizados,informados,atentos.Não recrimino minhas colegas,pois até bem antes de começar esse curso nem eu tinha noção de todos esses assuntos e opções.Porém,o que me entristece é que muitos não têm vontade de renovar,de mudar e de investir por exemplo,em temas de interesse geral e que poderiam aproximar mais os alunos a escola como os temas transversais,que possibilitariam uma melhor compreensão dos assuntos quando trabalhados de forma interdisciplinar.Ou por que estão em final de carreira,muito cansados,os alunos não merecem,o salário é pouco,perderam as esperanças,entre outras alegações.Assim fica bastante difícil nos apropriarmos desses instrumentos e colocá-los em prática efetiva e útil,não apenas para cumprir resoluções e ordens.Espero ainda poder,em algum, tempo contribuir para que essas reformas e transformações tão necessárias aconteçam em minha escola,porém sei que não é uma realidade só nossa, e que muitas senão a maioria das escolas estaduais funciona e segue assim,alienatóriamente.