sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Educação para surdos:uma conquista

Na verdade, não podemos pensar numa escola para surdos que trabalhe somente com a cultura surda.Dessa forma acredito que estaríamos sim, segmentando mais ainda esse grupo da sociedade como um todo.Penso que é preciso sim, um programa educacional que vislumbre as diversas culturas existentes e que trabalhe de forma bilíngüe.Dessa forma prepara-se a comunidade surda para participar mais ativamente das lutas pelos seus direitos com equidade e imparcialidade.
Essa luta vem acontecendo há anos é parte da história dos surdos no mundo, e já enfrentou grandes batalhas políticas.Como sabemos, política é negociação, então quando convém ao lado do poder, são feitas “concessões” e consegue-se legalizar aquilo que numa sociedade democrática e igualitária deveria ser um direito natural. Os surdos não fogem a essa batalha sócio política que se trava há anos, e como a educação está intimamente ligada à política, temos nela seu reflexo.Não há, portanto, motivo para alguém ver os surdos como coitadinho ou incapacitado, isso passou a ser uma visão ignorante.
As mudanças que vem acontecendo são fruto da união dos surdos, assumindo sua identidade e valorizando-se, assim fazendo-se respeitar e conseguindo novas conquistas.Quanto mais próximos e coesos estiverem, mais serão “vistos”, mas primeiro precisam se enxergar, aprender LIBRAS, exigir em grupo e organizadamente seus direitos e entre eles a melhoria do sistema educacional para surdos.Hoje em dia já está bastante solidificada essa participação, as pessoas ficam encantadas de verem os surdos conversando em LIBRAS, e tem vontade de aprender para poder comunicar-se com eles, já considero uma grande mudança dentro do que estudamos que vinha acontecendo em nossa sociedade através dos séculos.Conheço instituição de surdos só de ouvir falar, aqui na Zona Norte temos uma escola específica e sempre nas paradas encontramos pessoas surdas saindo da aula e conversando fluentemente.Poderia haver um incentivo para as pessoas ouvintes aprenderem LIBRAS, cursos gratuitos, algo assim.Mas acho também que é preciso prática para aprender essa língua, e para isso o convívio é fundamental.Por isso a participação dos surdos em meio aos ouvintes é cada vez mais e importante, fazendo-se presente e mostrando a necessidade de aprendermos a nos comunicar uns com os outros.

alfabetização ,só no segundo ano?

Nas leituras, da entrevista com Magda Soares, por exemplo, pra mim que não tenho experiência com alfabetização e tenho ainda bastante receio quanto a trabalhar com essa etapa da escolarização, achei muito interessante quando ela coloca que os fonemas das vogais nem sempre são equivalentes, como a de avião e a de anta, anasalado pelo n. Como isso é importante ser levado em consideração quando realizarmos um projeto de alfabetização.
Acredito ser importante também, a questão que Magda levanta sobre o livro didático. Nossa realidade é que os livros didáticos em sua grande maioria não atendem as necessidades regionais da escolarização,são feitos para alunos do Rio de Janeiro ou São Paulo e na maioria das vezes não levam em consideração as diversidades existentes.Além do grau de dificuldades e até o tamanho dos textos ser muito complexo,fazendo com que o usemos muito pouco no propósito a que se destina.Começa pela escolha desses livros,passamos turnos escolhendo,mandamos três opções e recebemos uma edição completam,ente diferente das propostas!
Em minha escola, quando trouxe gibis ara os alunos eles na maioria nunca tinham visto um. Papel pra eles é para reciclar e vender...
Não sei se gostaria de alfabetizar porque ainda não tive essa experiência, talvez venha a gostar e dessa forma possa ser uma “boa alfabetizadora”. A verdade é que é preciso muuuuuita paciência,doação e amor.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Alfabetização e letramento

Ainda me assusta bastante a alfabetização, por isso recuso a oferta que já me foi feita algumas vezes aqui na escola. Justamente por refletir a cerca de qual método utilizar para tal aprendizagem.Encontrei no texto de Magda Soares uma explicação para esse meu receio,além de achar que não entendo bem ainda o processo e de que é uma grande responsabilidade como ela diz “a etapa da alfabetização é a mais desafiadora do ensino”.Passei a perceber que o mais importante não é como ensinar mas observar como a criança aprende, e cada um pode aprender em tempo diferente e por caminhos diferentes.A partir daí se utiliza método(s), sempre acompanhados de conhecimentos prévios que o professor (nós) precisa buscar,sobre as etapas e o como acontece o aprendizado da língua escrita.Percebo também que as crianças aprender a ler e escrever de forma sistemática,mecânica por assim dizer,e quando vão avançando as séries como não sabem compreender o que estão lendo, acabam não conseguindo construir novos conhecimentos,os quais dependem do que chamamos de interpretação.Lendo sobre consciência fonológica foi possível entender melhor o que acontece quando as crianças respondem as nossas solicitações de palavras e como se processa o raciocínio delas nesse sentido,a necessidade de levar-se a criança a perceber que palavras são sons que emitimos e depois ir “desmembrando” esses sons.E depois ainda partir para a consciência fonêmica que realmente,é muito mais difícil para as crianças,mas que se percebe nitidamente o alcance dessas etapas no decorrer do trabalho.
Assim considero que meu plano de aula,embora simples,esteja de acordo com as leituras realizadas, com a teoria sugerida.Mesmo não sendo feito para uma classe de alfabetização, eu pude contextualizar as experiências de meus alunos, trazer isso para a sala de aula e transformar em assunto de interesse incentivando a leitura, produção de texto, crítica reflexiva, e ainda trabalhar com algumas palavras, seus significados sua escrita correta.Procurei usar de criatividade e de recursos que estão disponíveis aos alunos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Importância dos temas geradores

Quando iniciei minha carreira no magistério, recebi todos os conteúdos programáticos pré determinados e a partir dele elaborava meus planejamentos.Até aí não vejo nada demais ainda se pensarmos que precisamos partir de um objetivo para depois nos organizarmos.De lá pra cá,vinte anos depois,pouca coisa mudou na realidade das escolas,continuamos trabalhando com os famosos conteúdos mínimos e colocando no caderno,porque duvido que fique na mente,dos alunos aquilo que já se determinou.A grande questão é que esses conteúdos em pouco dizem na realidade dos educandos,a maioria desses assuntos não tem efetivo valor para eles e nós passamos anos a fio repetindo como se fosse algo extremamente indispensável.Dessa forma acabamos exercendo aquilo que Paulo Freire chama de função bancária ,fazendo dos alunos depósitos de conhecimentos que eles sequer retêm por muito tempo.Apesar das lutas em prol de uma educação crítica e formadora de cidadãos participativos ,continuamos presos as culturas dominantes e seus saberes ditos ideais.Aqui é preciso colocar a necessidade de valorizar os saberes que cada aluno e suas experiências como pessoas.
É aqui que se encaixa a importância dos temas geradores,e o cuidado que devemos ter ao trabalhar com eles,para não fazermos repetidamente o papel de depositários,procurando doutrinar nossos alunos como se só houvesse a verdade que se ensina na escola.Na proposta de temas geradores os alunos podem expandir suas possibilidades enquanto seres humanos,enriquecidos por suas experiências e vivências pessoais,não mais se esgotando nos conhecimentos padronizados.É preciso que estabeleçamos esse diálogo,que passemos a aprender com nossos alunos,sua cultura,suas habilidades e esse aprendizado acontece no desenvolver de temas geradores pois que passamos a conviver com os saberes dos outros e não somos mais os únicos detentores de tal sabedoria.
O trabalho baseado em temas geradores permite a reflexão e a busca de opções,alternativas de como resolver certas questões.Ao tentar encontrar essas soluções os alunos acabam buscando as informações necessárias para isso e assim integrando os conhecimentos científicos que possam utilizar,num aprender contínuo e crescente,a partir de suas necessidades.A base dessa proposta são os sujeitos de nosso trabalho,que são vistos como sujeitos sociais,culturais,capazes e precisando apenas de orientação para se descobrirem.

Quem é o aluno da EJA

O aluno da EJA tem mais interesse em aproveitar o tempo que estão na escola, pois tem objetivos nítidos e concretos para sua escolarização. A linguagem utilizada pelos alunos da EJA pode modificar-se para alcançar determinados objetivos,como fazer-se entender e ser valorizado por a quem se dirige. Todos são inteligentes e tem capacidade de aprender e trazem conhecimentos, competências e habilidades necessários e adquiridos em suas vivências pessoais. Os jovens e adultos que freqüentam a EJA buscam inserção na comunidade,melhoria da condição de vida e respeito da família.
Podem ter dificuldade de operação com categorias abstratas, dificuldade de utilização de estratégias de planejamento e controle da própria atividade cognitiva, bem como pouca utilização de procedimentos meta cognitivos,mas isso não é uma regra e ainda, desenvolvem grandes habilidades e competências que se bem trabalhadas e orientadas, com temas significativos á sua realidade podem desenvolver essas áreas do pensamento.
A escola tem propostas e metodologias que se baseiam num ideal de sociedade, de comunicação e de valores que é próprio da instituição e todos acreditam estar lá para receberem esses conhecimentos, desvalorizando muitas vezes (na maioria delas) outras formas de saber e os conhecimentos trazidos pelos alunos, sua cultua, seus saberes. Por isso a escola tem uma linguagem própria também,e os alunos jovens e adultos muitas das vezes não completaram seus estudos por não compreenderem bem essa linguagem,já chegam frustrados e inseguros com essa condição.O aluno vem de uma jornada de trabalho exaustiva,muitas vezes sem alimentação,cansado e desestimulado quando adulto e se jovem,vem com estigma de indisciplinado e incapaz de aprender.Os conteúdos pré determinados da escola não tem significado efetivo para esses alunos.Os professores muitas vezes empregam metodologias estanques e não percebem a realidade dos alunos,seus interesses e necessidades.O aluno da EJA apresentado pela autora encontra algumas semelhanças em nosso estado, mas não acredito que seja a maioria. Realmente a maioria dos pais dos nossos alunos são trabalhadores rurais,mas que migraram para a cidade em busca de uma vida melhor e acabaram instalando-se nas vilas,em casas com pouco conforto e muitas vezes na miséria.Esses tornam-se recicladores,catadores de lixo,carroceiros.Assim,seus filhos não tem grande incentivo para seguir nos estudos,preferindo que trabalhem para ajudar no sustento da família,o que muitas vezes causa o abandono da escola no tempo hábil e que depois ocasiona a freqüência da EJA.Com certeza não são mais crianças,mas compõem-se em grupos diferentes,os adultos que buscam aprender para melhorar a qualidade de vida e os adolescentes que de geralmente por problemas disciplinares e/ou de aprendizagem acabam sendo literalmente expulsos do diurno e também freqüentando a EJA.
O adulto que freqüenta a EJA geralmente já formou sua própria família e provê seu sustento, tem experiência maior de vida e valoriza mais o aprendizado, toda conquista é uma vitória, consegue perceber que o conhecimento transforma e melhora a perspectiva de vida.
Na questão do pensamento, mais propriamente da aprendizagem a autora diz que todos somos capazes de aprender, independentemente da idade cronológica, diferenciando-se esse aprendizado de acordo como fomos criados, em que meio, qual formação cultural recebemos, mas principalmente que essas diferenças são saberes que podem ser partilhados entre alunos e professores.Nesse ponto concordo na forma como aprendemos,o que foi prioritário em termos de conhecimentos e na valorização que aprender e crescer como ser humano foi inserida em nossa mente.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Porque projetos

O trabalho por Projetos tem início com a escolha dos assuntos e/ou temas pelos alunos. Assim já começa com satisfação em realizar-se partindo do interesse deles, o que torna a aprendizagem muito mais significativa. Ao fazerem essa escolha desenvolvem a autonomia e aprendem a trabalhar com democracia, mostrando sua opinião e respeitando a dos colegas. Dentro dos aspectos positivos coloco ainda o aprendizado por construção, a cada nova descoberta um novo conhecimento e o desenvolvimento de capacidades como pesquisa, produção de textos, criatividade.
Os desafios estão presentes, principalmente na hora da escolha do tema, conseguir administrar essa escolha e mesmo assim manter o envolvimento e interesse de todos em participar. Temos ainda a questão dos recursos, que vai desde apoio familiar até biblioteca aberta, opções de pesquisa como Internet, jornais, revistas e outras que muitos alunos não tem. A aceitação desse tipo de proposta pelos colegas, pela família também ainda é difícil, pois a maioria está arraigada nas avaliações sob forma de provas e as notas.
Podemos perceber semelhanças no trabalho com projetos aplicado nas diferentes etapas da escolarização,partem de um tema de interesse dos alunos. A partir daí são orientados pela professora a ampliar os conhecimentos que já possuem sobre esse tema, fazendo dessa proposta um projeto de estudos. Quando o tema começa a se desenvolver vão surgindo novas questões que permitem interligar diversas disciplinas e áreas de conhecimento e suas realidades. É necessário em qualquer etapa de ensino,para o sucesso de um projeto que ele seja devidamente organizado mas que seja flexível permitindo alterações ao longo de seu desenvolvimento. O envolvimento dos alunos é enorme, querem manifestar o que sabem, sentem-se satisfeitos e orgulhosos em contribuir, melhorando sua confiança e auto estima, o que acredito de suma importância para um aprendizado efetivo. Pode-se nos projetos, explorar os mais diferentes recursos, a criatividade se expande. A diferença que vejo é mais relevante quanto à condição social que não permite tantos recursos, do que a etapa de escolarização, ficando bem nítido nos dois vídeos assistidos, e que faz com que precisemos oferecer mais diversificada gama de opções quanto à criatividade.

História da educação dos surdos

Não pude deixar de me emocionar com a história de Helen Keller e sua professora Anne Sullivan, ao perceber como uma pessoa pode modificar beneficamente a vida de outra e nesse caso, com tantas dificuldades, porque se o surdo não ouve, como diria Sócrates qual outra forma de comunicar-se que não seja usando os sinais do corpo e para tanto precisam da visão.
Casualmente (ou não), essa semana peguei uma revista na casa de minha mãe que falava em Helen Keller, como exemplo que pais de trigêmeas viram no filme que conta sua história junto a Anne Sullivan, de como ela “estimulou o sentido do tato para reconectar sua aluna com o mundo”. O interesse dos pais advém do fato das trigêmeas serem todas surdas e cegas, as únicas do mundo. Fiquei surpresa em saber que nos EUA existem 45 mil pessoas surdas cegas e dessas 11 mil são crianças. A história da família é muito bonita, o pai separou-se e a mãe estava em desespero quando encontrou outro companheiro que até hoje acompanha sua luta cotidiana e faz de tudo por sua nova família. O exemplo de Anne foi estímulo para o casal buscar uma “educadora especial” e aqui entra a relação que faço com a história dos surdos. Embora tenha feito grandes evoluções na área da compreensão dos surdos como pessoas que apenas tem uma deficiência, mesmo nos EUA, país de primeiro mundo, ainda existem as dificuldades burocráticas, financeiras e sociais que são empecilho para alguns surdos conseguirem aprender cada vez mais.
Acredito que as comunidades surdas são de suma importância para que possam se fortalecer, encontrando sociabilidade e independência para mim é a grande mola propulsora da auto estima dos surdos, poderem manter sua identidade, com liberdade e auto confiança.Ainda temos curiosidade sim, em relação ao universo dos surdos, não sou hipócrita dizer que não. Mas de forma nenhuma acredito que as pessoas o façam como antes , se estivm vendo aberrações e sim com admiração e certa comoção, principalmente ao vê-los como outro dia, em conversação. Tamanha habilidade em processar, mostrar e desvendar os sinais que utilizam, quando nós não conseguimos nem acompanhar a mudança de um sinal para outro, bem diferente do menino selvagem Victor do filme,O menino selvagem, que vivia isolado e animalizado por sua condição e por sua imagem frente à sociedade e que pela visão evolutiva de Jean Itard é trazido de volta a dignidade.

domingo, 18 de outubro de 2009

pensando sobre o curso

Hoje resolvi fazer uma reflexão de como está sendo esse momento/semestre na minha vida.Tenho tido muitas dificuldades devido não ter mais computador nem Internet, e assim estou sempre "atrás" com as atividades mas principalmente com as inbterações.Acho que esse é o eixo dos trabalhos em grupo,pois todos professores resolveram adotar essa metodologia, mas talvez não levaram em conta que alguns poderiam estar passando pelas dificuldades que estou.Sinto-me muito frustrada em poder contribuir tão pouco com os colegas , embora estes se mostrem muito solidários e não exerçam nenhum tipo de pressão ou de repressão...Mas não acho justo , a forma como acontecem as conclusões acabam sendo sempre de uma ou duas pessoas e com a qual eu muitas vezes não concordo e se tivesse tido oportunidade de opinar talvez tivesse escrito de outra forma.
Realmente a tecnologia é um serviço grandioso na vida das pessoas mas quando se precisa dela sem poder utilizá-la torna-se um entrave.Por alguns momentos senti até falta de meus velhos cadernos e das reuniões na biblioteca da escola.
Tenho intercalado momentos de frustração com de orgulho , quando consigo realizar uma atividade e postá-la em tempo.Mas a qualidade vem depois do limite?Vendo o quadro de acompanhamento , não tenho nada registrado e no entanto participei (com muito sacrifício) de todos os fóruns!Me sinto perdida e um pouco atrapalhada,embora sabendo que tenho colegas com dificuldades tão ou maiores que as minhas,que envolvem família, saúde, condições psicológicas.
Minha preocupação vai além por que ao conviver diariamente na minha escola cada vez mais percebo que a gestão da mesma não está nem perto do que tenho idealizado após começar esse curso.isso é bom e ruim.Bom por que tenho noção de que podemos fazer muito melhor do que atualmente.Ruim porque o poder está sistematizado e as cartas marcadas já se projetam para uma próxima gestão...
Hoje foi o dia do desabafo...
Desculpem...
Abraços afetuosos

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Aprendendo com a EJA

Acompanhei toda trajetória de minha mãe que há cinco anos atrás se formou pela EJA no ensino fundamental.Os depoimentos que ela dava relatavam que a turma toda tinha grande interesse me aprender, mas principalmente que os professores traziam muitas atividades diferenciadas e que essas atividades envolviam o cotidiano dos alunos e valorizavam seus saberes.Era lindo de ver a satisfação dela em realizar as tarefas e fazendo suas pesquisas e os comentários que tinha acerca da turma e dos professores. Era nítido o motivo pelo qual estavam naquela escola, crescer pessoalmente!Vejo que em pouco tempo as turmas de EJA mudaram muito.Os relatos que tenho ouvido na mesma escola que minha mãe estudou, coincidem com os que ouço na que trabalho, que agora devido a interdisciplina desse nosso curso, tenho tido mais atenção.Os alunos têm muito medo da violência e contam que colegas pararam de estudar e que um motivo seria esse.Os assaltos, aqueles que vem para escola só para traficar drogas e os alunos que vem do diurno porque os professores já não “agüentam mais” e como solução encaminham para EJA.Com isso as turmas tem sido formadas em por poucas pessoas, os professores também temem a violência, mas procuram resgatar a auto estima dos alunos e proporcionam atividades bem diversificadas e prazerosas, buscando o que prega Freire, ”um processo de aprendizagem dinâmico e ativo”.Torna-se óbvio que não se alfabetiza os adultos da mesma forma que as crianças, os métodos não podem ser tão infantis, pois além da faixa etária ainda e mais importante, os interesse são muito diferentes.Porque não “personalizar” um pouco algum método de alfabetização e utilizá-lo de acordo com a turma e seus interesses, vivências e necessidades?Inicialmente é de suma importância fazer o diagnóstico proposto no texto, para saber quais são os saberes do grupo e tomá-los como ponto de partida...

domingo, 4 de outubro de 2009

Quem é surdo?cultura surda e LIBRAS

Quando era criança acreditava que todo surdo era mudo, pois se não ouvia como poderia falar?Além de ser o que os adultos nos diziam e a forma como as pessoas surdas eram denominadas: surdo mudo. Com o decorrer da minha vida,conhecendo tantas pessoas e observando outras tantas,fui percebendo que era uma inverdade , a expressão surdo- mudo.A mude é uma outra deficiência,não tem relação direta com a surdez.O que penso agora é que o surdo não fala porque não conhece o som das palavras,das letras,das sílabas, talvez.Pois aprendemos a falar , a nos comunicarmos oralmente através daquilo que ouvimos.O surdo tem uma perda de audição que pode ser parcial ou até total,mas consegue produzir sons, ri, chora,etc.Na medicina a pessoa que tem essa perda auditiva é chamada de deficiente auditivo,mas não são necessariamente surdos.O surdo é aquele que se percebe como tal, que tem uma identificação como surdo e busca comunicar-se utilizando a língua de sinais , LIBRAS no Brasil, para aprender,interagir , contribuir, modificar o mundo.
Conheci há pouco, um menino de oito anos, filho de um aluno da capoeira. O menino também pratica a capoeira, o que para mim não é nenhuma surpresa, pois em nossos eventos já vi cegos, cadeirantes e também pessoas com diferentes necessidades especiais jogando capoeira, dentro das suas condições.No caso dos surdos gingavam no ritmo da música, pela vibração dos instrumentos e no chão de madeira pela vibração no chão.
O menino que falo, me foi apresentado pelo pai , no momento ficou bastante retraído e me cumprimentou timidamente.Não sei quem estava mais perdido , pois eu
também, pega de surpresa , não soube nem tentar me comunicar com ele de forma “natural” ,queria um abraço mas não sabia pedir.O pai que se comunica com ele em LIBRAS , pediu mas não teve efeito.Depois disso tivemos aula com a professora Carolina e aprendi alguns sinais que ela passou na aula, e que foram suficientes para mudar todo meu relacionamento com meu novo amiguinho.Quando encontrei com ele nesse domingo, perguntei onde estava o pai dele , usando os Inal do “bigode” e fazendo um “cadê” com as mãos.Da resposta eu só entendi que o pai estava por perto, mas foi muito gratificante.Já estava fazendo outra atividade quando ele me cutucou no ombro,quando virei ele me abraçou tão efusivamente,nossa!!!Pode parecer uma bobagem, mas vi o quanto foi importante para esse menino sentir-se participante naquele mundo da capoeira, onde só quem o entendia na verdade era o pai. E respondendo a pergunta seguinte desse trabalho, não conheço LIBRAS , tenho muita vontade de aprender , mas acho que requer muita prática e um convívio maior com surdos , para aprimorar a compreensão dos sinais interligados.Digo isso porquê me pareceu , ao ver a professora com sua intérprete que é necessário muita atenção para acompanhar os sinais,requer habilidades como aprender a falar em outra língua.Então num primeiro momento tentaria me comunicar com qualquer sinal que pudesse me fazer compreender e vice-versa, ou pela escrita.E o principal aspecto da cultura surda, no meu ponto de vista , é realmente a LIBRAS , que facilita a comunicação, a integração e a participação dos surdos.Pelo menos , nós educadores todos , deveríamos ter um curso de LIBRAS , ou um mínimo de conhecimento nessa língua.

EJA - Situação atual

Na escola que trabalho temos EJA.A evasão foi tão grande que tivemos à pouco de fechá-la.A questão social,no caso as adversidades que as camadas populares da sociedade precisam enfrentar ,realmente dificultam a sua escolarização.Nós temos no diurno, crianças com dez anos, no segundo ano repetentes há três,quatro anos e que ainda não estão alfabetizados.essas crianças possivelmente seriam os alunos da EJA,mas no momento já estão "puxando carroça",saindo prá catar recicláveis e vender ,se acostumam com essa qualidade de vida.Quando ficam adultos já desistiram da escola ,talvez lhes pareça que não precisem estudar,tem coisas mais produtivas e/ou importantes para fazer.A conscientização que geralmente é familiar,da importância de estudar, aprender,participar,não acontece pois a família também já sobrevive assim.
Além disso o adulto que trabalha, produzindo seu sustento,exige um mínimo de respeito.Respeito esse que inclui os seus saberes,o conhecimento que eles trazem e que a escola muitas vezes ignora,menospreza ou inferioriza, tornando-se mais um fator de evasão .

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A quem serve a escola popular brasileira??

A escola pública em geral, no Brasil, atende a parte da sociedade mais carente, a que tem menos condição material e uma qualidade de vida injusta. Por isso,é vista como de ensino sem qualidade,e por muitos apenas uma obrigatoriedade.Prova disso é quando ouvimos as pessoas dizerem “tirei daqui e dali,mas coloquei numa escola particular,para garantir um estudo melhor”.
A escola pública não atende os interesses da população que a freqüenta, e isso é parte de um sistema muito grande que é a sociedade na qual ela está inserida. Vivemos numa sociedade consumista,egoísta e individualista.O tempo todo somos forçados a uma competição acirrada,na busca por empregos,salários,e até relacionamentos.Tal sociedade não poderia gerar sistema educacional diferente do que vivenciamos,onde é cada um por si,reproduzindo a desigualdade social e as discriminações existentes.A escola então tem durante anos seguido o mesmo projeto:formar um grupo considerado capacitado,para que tenha sucesso e mais tarde faça uso desse sucesso e do conceito de bem sucedido que trazem consigo para comandar e sendo superior aquela maioria que não alcançou esse “patamar”,tornar-se chefe,dirigente.
Acontece que se a escola atende os interesses da sociedade, essa sociedade é formada por nós mesmos, que vivemos tão presos ao sistema que não nos damos conta disso. mas do que vive o homem na sociedade,é de seu trabalho e esse é “concedido” por aqueles que tem mais poder.Então numa grande roda viva,os poderosos ditam os interesses financeiros que originam o trabalho para o qual a sociedade é preparada a servir.Nesse contexto,com o avanço da tecnologia ficou cada vez mais desnecessário que se tenha algum conhecimento técnico para trabalhar nas fábricas e indústrias,nos empregos de massa como se diz,que é onde a maioria da população mais carente consegue seus empregos,pois que não avança muito na escolaridade.Então a escola reforçou essa roda viva,valorizando a obediência,o permitido e o não permitido,ordem,disciplina e segmentação dos conteúdos.Cada disciplina tem o seu propósito e portanto os seus conteúdos e uma não toma ciência da outra.Cada professor trabalha em sua linha de ensino,seguindo uma teoria epistemológica e que talvez nem saiba que está seguindo.A questão salarial e o desinteresse dos alunos vem a justificar muitas vezes a acomodação e a falta de vontade de investir em novidades ou mudanças.A nota,o ser aprovado,passa a ser um prêmio para aqueles que apresentam-se capacitados à isso,assim como nos trabalhos os “melhores” tem melhores salários e cargos superiores onde lideram os demais.A escola que valoriza os mais capacitados em detrimento daqueles considerados com menos condições de aprender em relação à esses,está automaticamente validando um sistema onde os alunos vão cada vez menos acreditando em seu potencial,na força de suas idéias e de sua criatividade.dessa forma sentindo-se cada vez mais inferiores e na condição de submissos,cabendo-lhes o mero papel de comandados já que para “ser alguém” na vida é preciso ter estudo e nisso,eles não conseguem ir muito além.
A escola continua servindo aos interesses da sociedade, dentre eles os interesses do mercado trabalhista que agora precisa de trabalhadores flexíveis, disponíveis e interessados pelas questões de sua empresa. Por uma exigência do próprio mercado consumidor,as empresas precisaram adaptar-se a nova realidade,buscando vencer a concorrência e superar a crise econômica e para isso diminuindo custos e aumentando qualidade ,aliando-se com novos recursos tecnológicos.O trabalhador desse sistema precisa saber buscar alternativas,soluções,conhecer outras funções além da sua e também saber utilizar-se dessa nova tecnologia ou pelo menos estar aberto a aprender como utiliza-las.Percebo que existe um discurso por parte do Governo,de liberdade de escolha,autonomia,educação para democracia.Mas estamos agora vinculados à índices de qualidade de ensino e para isso realizamos Prova Brasil e respondemos ao IDEB,para o qual se a escola está “abaixo da média” ganha propostas para melhorar esse índice,do tipo PDE,projeto Mais Educação entre outros.Ou seja,precisa a escola atender as necessidades do mercado,que agora precisa de pessoas articuladas,capacitadas em diferentes habilidades e flexíveis.mas não se considera o meio onde vive nossa população,nem seus reais interesses,muito menos que se aplique uma educação para o crescimento pessoal,a não ser na teoria.Precisamos continuar atentos para que não sejamos instrumentos desse apoderamento que vai, tempos em tempos, dirigindo camufladamente os objetivos da educação e persistir em nossos objetivos enquanto educadores,de formar cidadãos críticos,capazes de refletir e discernir o que é melhor para si e para o grupo em que vivem.

Alfabetização como política cultural

Quem vive a realidade cotidiana da escola pública sabe como bem se aplica esse “capítulo” do texto. Todos os dias são reclamações de colegas e de alunos, que uns não atendem aos anseios dos outros.Continuamos insistindo num currículo inflexível e dissociado entre as disciplinas, com conteúdos para os alunos na maioria sem a menos relevância e utilidade.Impomos a forma correta de falar e de escrever e continuamos ainda repetindo a forma como estudávamos como se a sociedade não tivesse se transformado e como se os alunos estejam sendo criados pelo mesmo tipo de família e no mesmo contexto histórico que nós.
A escola realmente tem sido um grande campo de batalha, os professores cada vez mais desgastados e cansados, os alunos mais e mais descomprometidos. Eles não tem voz nem vez, aquilo que são e representam em sua comunidade, o que sua família é ou faz, para a escola e seus “mestres” não é suficiente, não é digno e não tem valor.Precisam “estudar para ser alguém na vida”,então são ninguém?
Nós professores não vamos ao desespero, pois que conhecemos muitos que já estão quando dizem que desistem, não vão mais insistir, não tem jeito mesmo.E mesmo percebendo que não está funcionando dessa forma, continuam repetindo monotonamente as mesmas estratégias repressivas e inferiorizastes em relação a cultura dos alunos.Preparando os alunos para o mercado de trabalho, para a vida “lá fora”, num doutrinamento considerado ideal e garantia de sucesso, assim vamos repetindo aos resmungos os mesmos currículos, ideologias e práticas que não queremos para nós mesmos, pois são consideradas opressoras.
Me vem uma frase muito adequada a essa reflexão: “Penso,logo existo”.Pois é preciso orientar nossos alunos a pensar, refletir, saber analisar criticamente o que é possível realizar em termos de melhorias , tanto na vida própria quanto como participante de uma comunidade que pode e sabe dizer o que pensa, por isso existe,deve ser ouvida e respeitada.

Educação emancipadora,o poder de ler o mundo

.
Para Paulo Freire a ação deve estar sempre comprometida com a transformação, senão não tem sentido. Acreditava que através da educação é que se pode melhorar a condição humana, pois a educação sempre parte de um propósito e se serve a objetivos parte em busca de alguma realização.
Partindo do princípio que a alfabetização deve ser emancipadora, Freire dizia que é um meio para que as pessoas se tornem mais conscientes de suas histórias, de suas experiências e das possíveis transformações que podem realizar enquanto indivíduos e grupo.
Uma alfabetização emancipadora vai além do mecanismo de ler e escrever pressupõe habilidades como refletir, pensar criticamente, tomar consciência. Deve ser ponto de partida para a liberdade de escolha, tomada de decisões, responsabilidade política e social e através dessa conscientização que se espera alcançar uma democracia real e igualitária. Nesse modelo de alfabetização aprendemos todos, alunos e professores se estivermos preparados para aceitar as diferenças como um valor de ser humano, acrescentando cada vez mais conhecimentos que essas diferenças proporcionam

Do momento em que o aluno compreende a necessidade de alfabetizar-se para interagir no mundo a seu redor, cria uma expectativa de participação, de igualdade de direitos e de inclusão social.
A alfabetização então não é só a capacidade de ler e escrever, mas de entender o mundo e poder intervir de forma consciente. Amplia o horizonte do cidadão, abre alternativas de interação, levando-o a perceber-se no contexto, pesquisar sua história de vida, valorizar suas experiências, seu saber e suas competências. Cada vez mais eleva-se sua estima, sua dignidade pois através da comunicação pode manifestar suas idéias e propósitos e contribuir para o crescimento da sociedade.
questão da alfabetização crítica em se relacionando com poder, ultrapassa 0os limites dos códigos e convenções da leitura e da escrita. vai além de saber ler o nome do ônibus,mas num sentido bem mais amplo, saber para onde ele vai,por onde passa , quanto custa a passagem, se eu pega-lo por engano como faço para voltar.Engloba interpretação, entender o que lê, participar da construção das decisões, saber defender suas idéias e sua cultura como algo de valor, como um pertencimento que ninguém pode tirar nem menosprezar.
O “continuar analfabeto” traz grandes significações incutidas, podendo ser prova de resistência ao domínio de outra classe, não aceitação de deixar o seu modo de vida para submeter-se ao que outros acham certo ou importante, pois a bagagem que trazem não é inferior nem errada, é simplesmente própria.
A escola pode estar reforçando essa resistência quando submete todos a uma mesma linguagem, considerada a correta e inferioriza outras formas de expressão, de manifestação. Nós professores precisamos estar atentos a esse jogo de interesses, buscando cada vez mais uma educação para a crítica que nos possibilite junto aos alunos nosso crescimento pessoal, o desenvolvimento de uma consciência coletiva humanitária e igualitária, mas que sempre respeite , valorize e aprenda com as diferenças individuais.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Comenius e o hoje

Encontro tantas identificações com o pai da didática,Comenius e é incrível, afinal após tantos anos. A primeira identificação é com a educação para todos,no que acredito que não exista criança “perdida”,que não possa ou não mereça aprender. Depois a forma, a de considerar o aluno como um ser pensante e com suas emoções próprias. À partir daí elaborar estratégias de ensino de forma gradativa e não avançar etapas sem a certeza de que a etapa trabalhada atingiu seus objetivos.Me preocupo também com a questão dos conteúdos pré-determinados e que não signifiquem para os alunos.Acredito que é importante os alunos estarem motivados e oferecer-lhes projetos em que os temas geradores partam de suas curiosidades.Procuro utilizar muito nas minhas aulas as artes em geral,brincadeiras,música,teatro.outro elemento comum, é que uso experiências sempre que possível e daí tirem suas conclusões.Acredito que o aprendizado verdadeiro e duradouro,acontece num ambiente amistoso,de diálogo,de confiança e onde o professor é ético e faz o que diz,servindo de exemplo vivo aos alunos.Tenho a mesma preocupação que Comenius,na formação do caráter dos alunos,,em proporcionar-lhes a análise crítica,a formação de suas próprias convicções embasadas no bem comum.
“E de ensinar solidamente, não superficialmente e apenas com palavras, mas encaminhando os alunos para uma verdadeira instrução, para os bons costumes, para a piedade sincera.”¹

1. Fonte:
COMÉNIO, João Amós. Didácta Magna: tratado da arte de ensinar tudo a todos. 4. ed. Lisboa: Fundação
Calouste Gulbenkian, 1996. 525 p.

Falar e escrever:o que é certo e o que é errado???

Lendo o texto lembrei-me de uma saída que fiz com os alunos de quarta série ao Planetário. Na avenida Ipiranga,comentei com os alunos a questão da pichação,num prédio colocado em estado lastimável,porque faziam isso,se não tinha mensagem nenhuma,afinal não dava para entender o que queria dizer.os alunos me revelaram significado,que havia sido feito naquele lugar para chamar a atenção e que essa era a mensagem.Então tornei a questionar mensagem pra quem se a maioria das pessoas não entendia,como eu e de forma tão feia.A resposta foi convicta:”feia para quem não entende,para os pichadores quanto mais difícil o lugar mais moral entre eles,essa é a mensagem principal,a gente existe e vence os obstáculos para dizer isso”.Não preciso dizer que fiquei surpresa e mais uma vez aprendi com meus alunos.
“Texto e discurso (e in¬cluiríamos também oralidade) passam a ser vistos como artefatos produtivos, construtivos de formações sociais, comunidades e identidades sociais dos sujeitos. Nesse sentido, a própria construção do conceito de sujeito é cultural e toda prática social tem seu caráter discursivo”. (Luke, 1996).
A questão de linguagem ou da forma de comunicar-se está sim ligada ao contexto sócio cultural que a pessoas se encontra.Se é certo ou errado,depende de quem avalia.Encontro sempre dificuldades em construir combinações entre verbos,pessoas e mais ainda quando envolvem os tempos verbais.Conversando com as famílias dos alunos pude perceber o quê.Eles falam “errado”,consequentemente os filhos aprendem e falam também.E prá que falar certo?Suas vidas começam e terminam dentro da Vila,e lá todos se entendem falando daquele jeito.Nós mesmos,gaúchos,na grande maioria ao conversarmos omitimos o plural de várias palavras “que frio no meus pé”.Enquanto no Rio de Janeiro por exemplo,usa-se o plural corretamente mas muitas pessoas trocam o l pelo r,”pranta,Framengo” e por aí vai.A diversidade linguística de nosso país é tão grande que é preciso aprender novas palavras e/ou expressões ao sairmos de noso estado.
“Sob o nosso ponto de vista, a escola enfrenta o desafio de incorporar ao currículo essas demandas sociais e culturais e de articular mei¬os para responder a elas. É a era das interlocuções mais amplas.”
E além disso vivemos à época do “internetês” onde troca-se qu por k,x por ch,tudo prá acompanhar a velocidade da vida moderna,pois agora além do tempo não parar,ele também voa.Todos tem muita urg~enia em tudo,até para se comunicar.
Assim vejo que existem muitas diferenças entre o que os alunos falam e aquilo que escrevem,mais ainda com aquilo que leem.E talvez essa diferença é que ause a distância tão grande entre os alunos e as disciplinas,resulktando em desinteresse e cada vez menos produções construtivas.
“A ideia do significado e da provisoriedade dos conhecimentos selecionados e de projetos didáticos diferenciados/articulados/contextualizados para cada aluno e para o coletivo da sala de aula, entre outros aspectos evidentemente, parece uma estratégia pedagógica adequada para fomentar políticas educacionais de inclusão.”

Fonte: A leitura, a escrita e a oralidade como artefatos culturais (DALLA ZEN; TRINDADE, 2002).

terça-feira, 23 de junho de 2009

Mudança de concepções...

As causas para as deficiências mentais são difíceis de identificar,variadas,diversas e suas classificações são muito generalizadas.Pelo que entendi cada tipo de deficiência mental pode ter ainda diferentes níveis ou divergir em algumas características.Pode ter origem nas medidas sanitárias durante a gestação e o parto,pela idade avançada da mãe,alimentação ou ainda surgir da interação de vários fatores biológicos ou psicossociais.
Me chamou a atenção importância de intervir cedo,quanto antes melhor para a melhoria das limitações que os deficientes mentais possam ter no desenvolvimento de suas capacidades relacionadas as suas necessidades básicas enquanto seres humanos que são.Aqui entenda-se por capacidades básicas o cuidado consigo mesmo,desde a mais simples higiene ao controlar suas necessidades fisiológicas,a autonomia e independência em executar tarefas em casa e manusear aparelhos como geladeira,tevê,chuveiro e estendendo-se ao deslocamento fora de casa,ao fazer trajetos ou pegar ônibus.para isso só a família não dá conta,entra aqui a importância da escola como reforço na aquisição dessas capacidades.Podem aprender por imitação,por observação ou por reforço,e na escola ainda podem desenvolver o lado cognitivo e quanto mais praticarem mais amadurecem mesmo dentro de suas limitações.
A grande questão que afeta aos professores que convivo é justamente as exigências que uma educação especial fazem de nós,na mudança ou no aprimoramento de nossas relações com nossos alunos.”Não importa o que o aluno é ou faz,mas o que a escola faz com ele.”è um desafio,desde a dificuldade de ensina-los,o tempo e a paciência que essa tarefa nos exige,passando pela nossa participação no processo de socialização que precisamos trabalhar com todos,e ainda dar conta de cuidar da aquisição de destrezas que os alunos com os quais estamos acostumados já apresentam.Poderia-se realmente pensar num currículo especial (voltar aos tempos passados),mas a variedade nas deficiências é tão grande que se torna impossível,seriam inúmeros de acordo com cada individualidade.realmente as adaptações curriculares para cada caso,dentro do currículo escolar de todos,são mais indicadas.
Outro aspecto que achei de suma importância é a interação e cooperação entre os pais e professores,na troca de informações,na continuidade das combinações em casa e no acompanhamento das evoluções dos alunos.Essa avaliação não pode ser feita só uma vez,como diagnóstico de um problema e fim.Ela precisa ser feita de forma sistemática e de tempos em tempos,ou quando ocorrerem modificações na vida escolar dos alunos com deficiências mentais.Falo da cooperação entre pais e professores,porque só em casa,o trabalho será muito mais lento,árduo e possivelmente não contará com o desenvolvimento na parte cognitiva e social,mas também só a escola,não dará conta desse empreendimento.É preciso que os pais aceitem as necessidades especiais de seus filhos,busquem orientações e trabalhem junto com a escola para a melhoria das condições de vida dos deficientes.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

ImportÂncia da educação na civilidade

Kant e ADorno concordam na questão da educação para autonomia,para que os homens sejam capazes de tomar decisões,fazer suas próprias escolhas cientes de suas conseqüências para si e para os outros.Também que através da educação podemos trabalhar questões de ética e de princípios necessárias ao desenvolvimento de seres humanos sociáveis,justos e que respeitem as diversidades existentes em nosso planeta.E ainda que essas questões precisam ser trabalhadas desde cedo,por isso a importância da primeira infância dentro da escola.Num primeiro momento os educando seguem as regras por ainda não poderem julgar por si mesmos,mas depois são educados a fazer melhor uso possível de sua liberdade para que no futuro possam ter autonomia suficiente para manter sua independência e conviver na sociedade,respeitando os direitos dos outros.
Concordam na necessidade de disciplina ,porque o homem tem necessidade de formação. A formação compreende a disciplina e a instrução.Que a educação vem de geração para geração e seus objetivos servem as necessidades da sociedade que dela faz uso ,portanto é necessário sempre revermos os propósitos da educação que estamos desenvolvendo.
“É entusiasmaste pensar que a natureza humana será sempre melhor desenvolvida e aprimorada pela educação, e que é possível chegar a dar àquela forma, a qual em
verdade convém à humanidade. Isso abre a perspectiva para uma futura felicidade da espécie humana.”Kant

educação e autonomia

Na primeira infância,período em que as crianças estão na escola podemos trabalhar com as questões relativas a convivência ,autonomia,liberdade e civilidade.A educação permite e mais que isso,precisa ser campo de reflexão,onde a cada dia busquemos analisar os fatos do cotidiano e suas conseqüências.Levar os alunos a desenvolver ao máximo seu senso crítico para que não sejam joguetes nas mãos de manipuladores que visam apenas seus objetivos individuais onde não interessa se o outro vai ou não estar bem.As crianças conseguem perceber as conseqüências de forma material ou subjetiva e às vezes nas duas formas,mas conseguem faze-lo.Não adianta querermos ficar impondo o que achamos certo,como se fosse uma máxima do universo o adulto dizer o que se deve fazer.Com a expressiva massificação dos meios de comunicação faz-se necessário cada vez mais ,comprovar o que alegamos,mostrar que realmente é o melhor.Isso só se consegue com debates,exemplos e construções coletivas.A educação que nos leva a essas atitudes,uma educação que busque formar pessoas conscientes de seus atos,de suas escolhas principalmente e não só subordinados que digam amém pra tudo e quem sabe mais adiante para algum tipo de violência que nem sequer sabem ao certo porque estão cometendo.É preciso criar regras de igualdade e de cooperação para o bem estar comum mas de modo conjunto,onde todos participem,pensando sobre o que estão elaborando e é esse o verdadeiro sentido da educação.
“A educação só teria pleno sentido como educação para a auto-reflexão crítica. Dado todavia que, como mostra a psicologia profunda,os caracteres em geral, mesmo os que no decorrer da existências chegam a perpetrar os crimes, já se formam na primeira infância, uma educação que queira evitar a reincidência haverá de concentrar-se na primeira infância.”Adorno
Kant diz ainda que o homem é naturalmente selvagem,que primordialmente valoriza sua liberdade e que por isso desde cedo deve freqüentar a escola, pois quanto mais tarde passar a conviver com regras,leis e normas de convivência que o tolhem de sua liberdade total muito mais difícil seria educa-lo,no sentido de viver em sociedade e submeter seus instintos agressivos.
“Entretanto não é suficiente treinar as crianças,urge que ensinemos as crianças a pensar.” Kant

Deficiência mental

Um elemento comum a todas as deficiências mentais é apresentar déficits irreversíveis na atividade mental superior.A pessoa com deficiência é mais lenta para adquirir conhecimentos e isso falando de “velocidades” muito variáveis.São menos eficientes em fazer processamentos,apresentam menores destrezas que se poderia considerar prévias a aprendizagem.A inteligência,como capacidade de aprender e associada a escolarização tem sua medição na psicometria.A idade mental é medida levando em conta o nível de capacidade geral e de aptidões concretas que o indivíduo atingiu em comparação com o nível médio para a sua idade cronológica em relação a maioria das pessoas.Aqui não pude deixar de relacionar com a descrição dos estádios de desenvolvimento estudados e estabelecidos por Piaget,como uma referência para se fazer essa comparação e assim detectar necessidades educativas especiais em nossos alunos.
Uma das características das pessoas com deficiência mental é a dificuldade de tomar decisões.A principio não conseguem elaborar planos,fazer ligação entre pensamentos e atitudes,planejar ações.Por isso a importância da escola como ambiente possibilitador da expressão de vontades e que eduque buscando desenvolver a tomada de decisões.Os deficientes mentais podem apresentar baixa auto estima e grande apego,que são fatores também a serem trabalhados e que podem ser oriundos da visão que as pessoas ao seu redor lhe transmitem,do que demonstram em relação as suas capacidades e habilidades.Assim é mais fácil trabalhar com os deficientes mentais na infância,pois nessa idade as crianças não fazem distinções entre si, e por experiência em minha escola reforço esse parecer.Tem-se que ter cuidado para não criar situações de rotulação,e não é difícil cair nessa armadilha.No ímpeto de proteger ou de ajudar podemos criar efeitos negativos,quando o propósito é justamente evitar a marginalização.